De mãe para filha, uma nova relação com o consumo atravessa idades e ajuda a explicar por que cada vez mais brasileiros preferem alugar aquilo que usarão por pouco tempo. Na Casa do Construtor, pessoas físicas já respondem por 62% dos novos contratos
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Legenda da foto: Enquanto Cris usa a furadeira, Antonella, de 10 anos, ajuda segurando o cabo. Em casa, a menina já aprende com a mãe uma lógica cada vez mais presente entre os brasileiros. Que usar não significa necessariamente ter Foto: Divulgação |
Antonella Parra Francisco tem 10 anos e ainda não faz muitas das contas que acompanham a vida adulta. Mas uma delas começa a aprender cedo, dentro de casa, em Limeira, no interior de São Paulo. Quando a mãe, Cristiane Roberta Parra, de 45, precisa de uma ferramenta ou equipamento para algum serviço, comprar não é necessariamente a primeira opção. Ela aluga.
Foi assim que as duas acabaram lado a lado diante de uma furadeira em um fim de semana. Cris fazia o trabalho. Antonella, ao lado, segurava o cabo e “ajudava” como podia. A cena parece apenas mais um daqueles pequenos ensinamentos que passam de mãe para filha sem grandes discursos. Talvez seja exatamente isso que a torne interessante. Antonella está crescendo em uma casa em que precisar de alguma coisa não significa, automaticamente, precisar comprá-la.
Cris já alugava equipamentos na Casa do Construtor antes de a filha entender o que significava locação. Para ela, a lógica é prática. Se algo será necessário para resolver um serviço e depois poderá ficar meses sem uso, faz sentido ter acesso pelo tempo necessário e devolver quando o trabalho terminar. Antonella acompanha. E aprende.
Aos 10 anos, ela pertence a uma geração para a qual essa relação tende a ser ainda mais natural. Música não exige uma coleção de discos. Um filme não precisa estar em uma estante. Um carro pode chegar por aplicativo. E uma ferramenta usada ocasionalmente tampouco precisa ocupar espaço em casa durante anos.
Os números mostram, porém, que esse comportamento está longe de ser exclusividade dos mais jovens. Entre janeiro e agosto de 2026, pessoas físicas responderam por 62% dos novos contratos da Casa do Construtor. O dado, extraído da operação da rede, ajuda a dimensionar como a locação de equipamentos também encontrou espaço fora das grandes obras e passou a fazer parte das escolhas de consumidores comuns.
E há equipamentos que ajudam a contar essa história. Na comparação entre janeiro e agosto de 2026 e o mesmo período de 2025, entre clientes pessoa física, a locação de escadas cresceu 5,98%, a de betoneiras avançou 5,10% e a de compactadores, 1,36%. Considerando especificamente pessoas físicas não ligadas à construção civil, as betoneiras registraram alta de 4,23%, enquanto as escadas cresceram 3,95%.
O movimento ganhou ainda mais tração em algumas categorias ao longo deste ano. Do primeiro para o segundo quadrimestre de 2026, entre pessoas físicas, a procura por compactadores aumentou 8,18% e a de betoneiras, 7,61%. Até os painéis metálicos, equipamentos mais associados ao universo das obras, registraram avanço de 5,81% no período. Entre consumidores sem ligação com a construção civil, compactadores cresceram os mesmos 8,18% e betoneiras, 6,10%.
É nesse ponto que a história de Cris deixa de ser apenas a história de uma mãe fazendo pequenos trabalhos em casa. Com mais de 800 unidades espalhadas pelo Brasil, a Casa do Construtor recebe diariamente desde profissionais que vivem da construção até pessoas que precisam resolver uma necessidade pontual. Seus balcões acabaram se tornando uma espécie de observatório de uma mudança maior: a passagem da lógica de possuir tudo para a possibilidade de simplesmente usar quando necessário.
Para profissionais, a conta também ganhou novas variáveis. Comprar uma máquina significa desembolsar recursos, cuidar da manutenção, encontrar espaço para armazená-la e mantê-la mesmo durante os períodos em que não há trabalho para aquele equipamento. A locação coloca outra pergunta sobre a mesa: se uma máquina será necessária durante alguns dias de uma obra, é preciso ser dono dela?
Durante boa parte do século passado, possuir coisas foi uma das maneiras mais visíveis de demonstrar ascensão. Casa própria, carro próprio, oficina própria, ferramentas próprias. O verbo ‘ter’ carregava uma ideia de segurança e conquista. Ele não desapareceu e dificilmente desaparecerá. O que começa a ser revisto é a necessidade de aplicá-lo a tudo.
Por isso, talvez a chamada geração do ‘não preciso ter’ não possa ser definida por uma data de nascimento. Cris já faz parte dela. Profissionais que perceberam que não precisam comprar cada máquina também. Consumidores de diferentes idades que descobriram a conveniência de usar e devolver, igualmente. Antonella apenas está chegando mais cedo.
Na fotografia das duas em Limeira, a mãe segura a furadeira. A filha segura o cabo. Daqui a alguns anos, provavelmente será Antonella quem terá uma parede para furar, um móvel para montar ou uma casa para reformar. É impossível saber qual equipamento ela usará. Mas uma ideia talvez já leve da infância: para usar, não é preciso ter.
Casa do Construtor
Fundada em 1993, a Casa do Construtor oferece mais de 90 opções de equipamentos para todas as fases da obra, como container, andaime, betoneira, rompedor, misturador, compactador de solo, gerador e até itens mais leves como furadeira e serras. Com mais de 800 unidades no Brasil, além de nove no Paraguai, cinco no Uruguai, duas na Argentina, e uma no Chile, a Casa do Construtor é uma das únicas franquias com este formato no país. Ao longo de sua trajetória de sucesso, a Casa do Construtor recebeu diversos prêmios, incluindo Franquia do Ano, Selo de Excelência em Franchising por 23 vezes, e Personalidade do Franchising do Ano pela ABF (Associação Brasileira de Franchising), concedido ao fundador Altino Cristofoletti Junior. Além disso, foi reconhecida 19 vezes com o prêmio Franquia 5 Estrelas pela PEGN (Pequenas Empresas & Grandes Negócios).