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Blindagem de orçamento na construção civil: o método de Mariangela Souza em grandes obras

30 de Agosto de 2026

Em obras industriais e de mineração, o que não é calculado e documentado corretamente pode reduzir o prejuízo. É nesse ponto de encontro entre campo e planilha financeira que a engenharia construiu seu diferencial.

Há uma função na construção civil pesada que raramente aparece nas manchetes, mas decida se um contrato dá lucro ou prejuízo: a medição. É o processo de quantificar, com precisão, os serviços efetivamente executados em campo e traduzi-los em valores que sustentam pagamentos, aditivos contratuais e prestação de contas. Foi nessa função que Mariangela Souza se especializou, alinhando sua experiência de mais de 15 anos, associada à governança contratual, à engenharia de custos e ao controle integrado de obras pesadas.

Foto: Divulgação
 

A atuação da engenheira Mariangela Souza pauta-se pela estruturação crítica rigorosa dos projetos a partir da especificação hierárquica do escopo na Estrutura Analítica do Projeto (EAP/WBS). Esse processo detalha os pacotes de trabalho do projeto por etapas, garantindo a elaboração de um cronograma economicamente viável. O sincronismo de sua experiência em leitura, análise e revisão de projetos, levantamento de detalhes, controle de custos, elaboração de detalhes, identificação de serviços fora do escopo original, preparação de alterações contratuais, atrelado ao uso de ferramentas de planejamento como MS Project e Primavera P6, possibilitou a otimização de recursos críticos, como equipamentos, materiais e mão de obra, trazendo equilíbrio entre o progresso e o físico. Todos estes recursos fazem parte de uma combinação de controles estratégicos, denominada “cegueira de orçamento”, permitindo ao profissional monitorar a trajetória do empreendimento e intervir intencionalmente em caso de tendências de desvio. Seu conjunto de atribuições é registrado ao longo de passagens por empresas como Integral Engenharia, Tecno Engenharia, Construtora Pontal, Paranasa, Construtora Brasil, Salum Construções e Cogel Construtora, empresas estas, atuantes em grandes projetos na Gerdau, Vallourec & Sumitomo do Brasil (VSB), CSN e Vale.

A atuação da engenheira Mariangela Souza caracteriza-se pela implantação de um rigoroso sistema de controle de alterações técnicas, ancorado no fluxo formal de instrumentação composto pela Solicitação de Informação Técnica (SIT) e pela Nota de Alteração de Projeto (NAP). Um exemplo concreto desse método aparece no projeto da Vale na Mina de Fábrica/Cava Segredo, em Minas Gerais, onde foram produzidas as chamadas Solicitação de Informação Técnica (SIT's) e as Notas de Alteração de Projeto (NAP's), registros técnicos que descreviam problemas encontrados no campo, como ajustes de terraplenagem, e as soluções propostas, permitindo que serviços adicionais sejam aprovados formalmente e pagos. Após a aprovação da NAP, as modificações realizadas são consolidadas no cadastro As-Built (como construído), garantindo a atualização do acervo técnico e a conformidade legal para a emissão dos BM's (Boletim de Medição) e a composição do Data Book final da obra. É esse tipo de documentação, mais do que qualquer discurso, que sustenta as previsões financeiras de uma obra complexa.

A especialização se estendeu depois para um dos temas mais sensíveis da mineração: a segurança de barragens. Entre 2016 e 2017, atuou como técnica de medição em obras nas barragens Forquilha I, II e IV, da Vale, com atividades de reforço, terraplenagem, drenagem e fechamento. Nos anos seguintes, a Construtora Pontal, assumiu ainda o controle tecnológico de materiais e solos e o planejamento de máquinas, equipamentos e suprimentos, competências que se somaram, mais tarde, à evolução de obras emergenciais de drenagem e recuperação de infraestrutura para a mesma mineradora.

Essa combinação, leitura técnica de projeto, domínio de ferramentas (AutoCAD, Excel, MS Project, Primavera P6, Power BI, SAP e Topograph) e conhecimento prático de tração, terraplenagem e contenções, é o que a engenheira aponta como seu diferencial dentro da própria área de medição e planejamento, um campo em que poucos profissionais transitam com a mesma naturalidade entre o campo e a planilha.

"Meu trabalho sempre foi traduzir o que acontece no campo em números que fazem sentido para quem paga a obra — e isso exige estar nos dois lugares ao mesmo tempo."

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Colaboração / Conteúdo produzido e fornecido para o Cartão de Visita News por Gabriel Monteiro
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