Colunistas - Heródoto Barbeiro

Muy amigo!!!

5 de Agosto de 2026

Espera-se a visita do presidente da Argentina ao Brasil. Uma parte da elite brasileira range os dentes contra a visita do argentino. Acusam-no de concentrar o poder em suas mãos e revidar com vigor as críticas que recebe da oposição em seu país. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil fica entre a cruz e a espada. Como atender a uma parte do espectro político nacional, sem desagradar o outro lado? Uma das táticas utilizadas é empurrar a presença do portenho para o mais distante possível, sob os mais diversos motivos. Teria o presidente do Brasil agenda na capital federal para conferenciar com o argentino? Há interesse por parte dele que esse encontro realmente aconteça? Qual é a pauta do encontro? Ninguém sabe, mas diplomatas não dormem há pelo menos uma semana.

Uma das alternativas para a visita é a consolidação do poder dos presidentes. Outra é a resistência à ameaça de intervenção dos Estados Unidos, acusado de reviver a Doutrina Monroe. O presidente brasileiro é chamado ironicamente de caudilho, uma qualificação comum aos populistas latino-americanos. Ele não está à vontade para se envolver em uma aventura internacional – afinal, o país vive uma radicalização política envolvida por uma crise. A motivação é a suspeita de corrupção que envolve o presidente brasileiro, sua família e seus assessores mais próximos. “Peitar” os americanos é abrir mais um flanco para os ataques da direita cada vez mais radical. Há reação inclusive no Itamaraty. 

A direita conservadora brasileira rotula o presidente argentino como um perigoso populista que chegou ao poder através do voto, sem golpe de Estado como é comum no continente. Juan Domingo Perón lidera o Partido Justicialista, que promete retomar o crescimento e a melhoria da vida da população. O partido peronista ganha sucessivas eleições e, com isso, Perón tem maioria no parlamento argentino e o apoio do movimento sindical, das Forças Armadas e amplo apoio popular. Tenta uma aproximação com Getúlio Vargas, eleito democraticamente em 1950, para com o Chile construírem um pacto conhecido como ABC – Argentina, Brasil e Chile, uma espécie de rascunho do atual Mercosul. Perón promete várias vezes se reunir com Vargas no Rio de Janeiro, mas a crise política vivida no Brasil não comporta uma visita de Perón. O encontro nunca aconteceu. No mesmo ano de 1954, Vargas se suicidou e, no ano seguinte, o hermano é derrubado por um levante militar nacional. Na sua fuga em direção ao exílio, seu avião fez um pouso no Maranhão onde permaneceu por uma hora. Finalmente ele pisa em solo brasileiro.

* Prof. Heródoto Barbeiro âncora do Jornal Nova Brasil, colunista do R7, apresentou o Roda Viva na TV Cultura, Jornal da CBN e Podcast NEH. Tem livros nas áreas de Jornalismo, História. Midia Training e Budismo. Grande prêmio Ayrton Senna, Líbero Badaró, Unesco, APCA, Comunique-se. Mestre em História pela USP e inscrito na OAB. Palestras e mídia training. Canal no Youtube “Por Dentro da Máquina”, www.herodoto.com.br

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