Modalidade instantânea já responde por 45% do volume analisado, enquanto cartão de débito cai para 16% e crédito preserva espaço
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| Foto: Divulgação |
O avanço do Pix está mudando não apenas a velocidade das transações, mas também o papel de cada meio de pagamento no dia a dia dos brasileiros. Em poucos anos, o sistema instantâneo passou a ocupar uma fatia que antes era dividida principalmente entre os cartões, com impacto mais evidente sobre o débito.
De acordo com dados do Banco Central analisados pela ADVISIA OC&C, em 2025, o Pix respondeu por 45% do volume de pagamentos de varejo e middle market. O cartão de crédito ficou com 39% e o débito, com 16%. Em 2018, antes da criação do Pix, o débito representava 41% desse mercado.
A velocidade da mudança ajuda a explicar a nova configuração. Entre 2022 e 2025, o volume movimentado por Pix cresceu, em média, 52% ao ano. No mesmo período, o crédito avançou 14% e o débito, apenas 2%.
O movimento indica que o Pix absorveu principalmente situações de pagamento imediato que antes eram atendidas pelo cartão de débito. A transferência instantânea passou a competir diretamente com a lógica de pagar à vista, sem depender do uso físico de um cartão.
O crédito, por outro lado, conseguiu preservar uma função diferente. Em 2025, o ticket médio das compras no cartão de crédito foi de R$ 136, acima dos R$ 114 do Pix e dos R$ 53 registrados no débito.
Parcelamento e possibilidade de postergar o desembolso ajudam a manter o cartão de crédito relevante mesmo diante do crescimento acelerado do Pix. Isso faz com que a substituição entre as modalidades aconteça de forma desigual.
“O Pix não retirou espaço de todos os meios de pagamento na mesma proporção. O impacto foi muito mais forte no débito, porque existe uma sobreposição maior entre os dois nas compras à vista. O crédito mantém características próprias, especialmente em compras de maior valor”, afirma Daniel Wada, sócio da ADVISIA OC&C.
A mudança também tem reflexos para as empresas que processam esses pagamentos. No débito, o MDR médio, taxa cobrada dos lojistas, caiu de 1,38% em 2018 para 1,13% em 2025. No crédito, a redução foi de 2,42% para 2,14% no mesmo período.
Com menos participação no volume total e taxas pressionadas, o débito perde relevância também do ponto de vista econômico para o setor. Já o crédito segue com maior capacidade de geração de receita por transação.
No total, o volume de pagamentos analisado pela consultoria alcançou R$ 7,8 trilhões em 2025, ante R$ 3 trilhões em 2021. O crescimento mostra que os meios eletrônicos continuam avançando, mas com uma composição muito diferente daquela observada poucos anos atrás.
Para José Evangelista, diretor da ADVISIA OC&C, a tendência é de uma especialização cada vez maior das formas de pagamento. “O consumidor passou a escolher meios diferentes para necessidades diferentes. O Pix se consolida nas transações imediatas, enquanto o crédito preserva um papel relevante onde há parcelamento e necessidade de financiar o consumo.”
Mais do que uma substituição simples entre modalidades, os dados indicam uma reorganização do mercado: o Pix assume o protagonismo nos pagamentos imediatos, o débito perde espaço e o crédito permanece associado a compras de maior valor e ao parcelamento.