Com título “Depois que tudo foi dito”, esta edição tem curadoria de Diane Lima e reúne 33 artistas de 11 estados brasileiros. No dia da abertura, o museu lança a publicação do 39º Panorama, com uma conversa entre Diane Lima e Denise Ferreira da Silva
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O Museu de Arte Moderna de São Paulo reabre sua sede no Parque Ibirapuera em 12 de setembro de 2026 com a inauguração do 39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito, com curadoria de Diane Lima.
Uma das mais importantes exposições dedicadas à produção artística contemporânea no país, o Panorama reúne nesta edição 33 artistas de 11 estados brasileiros: Allan Weber, Amorí, Ana Claudia Almeida, André Felipe Cardoso, Anti Ribeiro, Arorá, Bárbara Banida, biarritzzz, Carolina Cordeiro, Caroline Ricca Lee, Chacha Barja, Darks Miranda, Emer Freire, Fykyá Pankararu, Gilson Plano, Helô Sanvoy, Iagor Peres, Josi, Jota Mombaça, Kuenan Mayu, Lia D Castro, Lita Cerqueira, Marcelo Conceição, Moacir Soares de Faria, nazas, Osvaldo Gaia, Oto Ferreira, Rafael Chavez, Rayana Rayo, Rodrigo Cass, Rose Afefé, Thaís Muniz e Ygor Landarin. Acesse aqui mais informações sobre a lista de artistas.
Para o curador-chefe do museu, Cauê Alves, “o 39º Panorama da Arte Brasileira marca um momento especialmente significativo para o MAM. Ao retornarmos à nossa sede no Parque Ibirapuera, reafirmamos uma trajetória que, desde 1969, reconhece no Panorama um dos principais espaços de reflexão sobre a produção artística contemporânea no Brasil. Esta edição celebra não apenas a reabertura do museu após dois anos fora de casa, mas também o início de uma nova etapa, com uma infraestrutura renovada e o compromisso de seguir”.
Depois que tudo foi dito
Intitulado Depois que tudo foi dito, o 39º Panorama da Arte Brasileira, sob a curadoria de Diane Lima, questiona para onde a produção artística tem transbordado na busca por ampliar os limites da representação estética por meio de um exercício radical de imaginação. O partido curatorial examina de que modo a reviravolta epistemológica das últimas décadas, impulsionada pelas demandas por reparação racial e pelas conquistas das políticas afirmativas, reconfigurou a arte brasileira, a ponto de essas transformações não apenas inscreverem os debates raciais no campo da linguagem e da estética, como também serem expressivamente influenciadas e expandidas por eles.
Segundo Diane Lima “as obras reunidas nesta exposição respondem a essa provocação por meio de estratégias de fuga e recusa, produzindo formas oceânicas, porosas e monstruosas que desafiam os regimes da representação e expandem os modos de imaginar e habitar o mundo”, questiona a curadora. A partir dessa perspectiva, a exposição reúne produções que desorientam categorias estabelecidas de ciência e geografia e, ao fazê-lo, oxigenam a crítica e abrem espaço para outras formas de imaginar a arte brasileira. “A discussão sobre a originalidade, a especificidade ou a natividade da arte brasileira é recorrente em muitas edições do Panorama”, afirma Lima. “A 39ª edição questiona como as práticas artísticas são capazes de manter o senso de urgência e a legitimidade das reivindicações políticas, dialogando com as mudanças que esses mesmos discursos têm gerado nos modos de fazer e pensar a arte.”
Inspirado no título e na questão filosófica formulada por Denise Ferreira da Silva, uma das principais teóricas feministas negras da contemporaneidade, o projeto convida a imaginar “se seria possível lançar mão de uma sensibilidade que presuma e antecipe o que está além de tudo o que foi dito e feito sobre a violência colonial e racial, e o trabalho que elas realizam para o capital global”. Em diálogo com a filósofa, Diane Lima desenvolve um projeto que, ao “ler a arte como confronto”, reflete sobre como os artistas têm performado, em seus procedimentos poéticos e composicionais, exercícios radicais de imaginação e experimentação que evidenciam um movimento contínuo e coletivo de liberação.
Nesse sentido, o Panorama se constitui como uma plataforma de pensamento crítico que especula sobre o futuro ao mesmo tempo em que cria uma experiência histórica de lugar: onde estamos, onde chegamos e para onde queremos ir. Ao deslocar os modos convencionais de definir, olhar e descrever a produção artística, a exposição busca complexificar o regime racial estético e, portanto, a própria definição de arte brasileira — aquilo que sabemos sobre ela, seu passado, nossos modos de olhá-la e, sobretudo, as práticas artísticas das próximas gerações.
Artistas
As obras reunidas no 39º Panorama da Arte Brasileira partem de diferentes linguagens, materiais e experiências para investigar as relações entre corpo, matéria, memória, território e imaginação. Pinturas, esculturas, instalações, fotografias, vídeos e trabalhos desenvolvidos a partir de práticas coletivas convivem na exposição sem se organizar em núcleos fechados.
O cotidiano e os materiais encontrados são pontos de partida para diversos artistas. Em Capitães do asfalto (2026), Allan Weber transforma partes de bicicletas em uma instalação sobre os deslocamentos e as redes de trabalho dos entregadores urbanos, enquanto câmeras fotográficas antigas assumem a forma de armas em uma reflexão sobre imagem, memória, vigilância e violência. Marcelo Conceição também constrói suas esculturas a partir de objetos recolhidos nas ruas e em feiras do Rio de Janeiro, como madeiras, botões, chaves, búzios e peças de bijuteria. Já Anti Ribeiro cria uma instalação sonora inédita para o Projeto Parede com caixas de som e estruturas metálicas encontradas em ferro-velhos, atribuindo novos ritmos e vibrações aos resíduos da indústria.
A matéria é também um campo de memória e transformação para amorí, Ana Cláudia Almeida, André Felipe Cardoso, arorá, Chacha Barja e Emer Freire. amorí apresenta esculturas construídas a partir de cambitos, estruturas rurais de madeira encontradas junto a familiares no interior de Pernambuco, além de uma pintura que transforma esses objetos em vestígios de uma paisagem terrestre e cósmica. Ana Cláudia Almeida parte de restos do ateliê e de processos contínuos de transferência entre tecidos, plástico, tinta e pigmentos para criar Todo santo dia, pois todo dia é santo (2026), obra que aproxima memória, corpo e abstração. André Felipe Cardoso reinterpreta imagens históricas do interior do Brasil por meio de esculturas realizadas com dezenas de materiais naturais, em colaboração com integrantes do território Kalunga, propondo outras formas de narrar o Cerrado e suas disputas.
Nas pinturas e esculturas de arorá, tempo, espaço, escuridão e matéria aparecem como dimensões interdependentes. Chacha Barja, por sua vez, explora o barro como matéria de imaginação e memória, em trabalhos que aproximam pintura e escultura. As esculturas de Emer Freire reúnem materiais orgânicos, industriais e arquitetônicos em organismos híbridos, nos quais as fronteiras entre humano e não humano, proteção e ameaça permanecem instáveis.
A relação entre matéria, paisagem e memória também atravessa as obras de Bárbara Banida, biarritzzz, Carolina Cordeiro, Darks Miranda, Gilson Plano e Iagor Peres. Bárbara Banida apresenta criaturas de Erotar, universo ficcional desenvolvido pela artista a partir da relação com o mar, a areia e os manguezais de Fortaleza, em que a regeneração surge como possibilidade de futuro. biarritzzz aproxima o sertão nordestino e o deserto do Saara em Castelinho de areia (2026), relacionando o grão de areia ao pixel e investigando o couro como arquivo de deslocamentos e permanências. Carolina Cordeiro utiliza zinco e espelhos parcialmente transparentes para transformar materiais associados à arquitetura e à paisagem urbana em dispositivos de memória e percepção.
Em sua instalação, Darks Miranda imagina uma duna habitada por ovos de cerâmica, situados entre uma descoberta arqueológica e uma cena de ficção científica. Gilson Plano parte dos ciclos solares para criar Cintilação, instalação que articula couro, ferro, luz, energia e referências à tradição lítica de Itaparica. Iagor Peres apresenta uma instalação que atravessa os limites da arquitetura do MAM, com esculturas e uma intervenção direta no vidro do edifício, além de uma obra no Jardim de Esculturas que transforma a solda - geralmente invisível - em elemento central da composição.
A exposição também apresenta trabalhos que transformam técnicas e saberes ancestrais em formas de continuidade e imaginação. As esculturas de Fykyá Pankararu articulam a cosmovisão e os conhecimentos do povo Pankararu, por meio da cerâmica, de grafismos e de materiais como o Toá e o Tawá. Helô Sanvoy reúne vidro, couro, alumínio e chumbo em uma investigação sobre transparência, opacidade, proteção e violência, aproximando a arquitetura da experiência do corpo. Josi apresenta esculturas e pinturas realizadas a partir de diferentes materiais, pigmentos e processos, entre eles a experiência de uma residência no Benim e conhecimentos ligados a ancestralidades e crenças populares.
Kuenan Mayu trabalha com o tururi, tecido ancestral produzido a partir da entrecasca de árvores amazônicas. Utilizando pigmentos naturais, como jenipapo e urucum, a artista cria seres e mundos em que corpos, árvores, peixes e espíritos coexistem em permanente transformação.
Lia D Castro investiga as relações de poder que atravessam experiências de intimidade, vulnerabilidade e negociação, a partir de vivências pessoais e de encontros construídos no contexto da prostituição. Na série Boi de Piranha, a dupla de pinturas Lia D Troia, baseada em retratos de oficiais da Polícia Militar, propõe uma inversão das relações de representação e poder: uma das obras é entregue à instituição e passa a ocupar a sala de comando, enquanto a outra permanece no acervo da artista. O título faz referência à “troia”, termo usado pela Polícia Militar para designar a infiltração de agentes em determinados territórios, transformando o retrato em uma espécie de presença infiltrada no interior da própria instituição. Oto Ferreira também aproxima matéria, memória e espiritualidade, transformando madeiras provenientes de podas, demolições e trocas em esculturas e pinturas atravessadas por saberes das religiões de matriz africana.
A água, a terra e os territórios naturais aparecem como forças centrais nas obras de Jota Mombaça, Osvaldo Gaia, Rayana Rayo e Ygor Landarin. Em Um dia vou voltar (2026), Jota Mombaça submerge 222 metros de tecido em diferentes corpos d’água da região de Natal na Sala de Vidro do MAM. Marcados pelas correntes, pelos organismos e pelas transformações desses ambientes, os tecidos se tornam testemunhos da relação entre a liberdade da água, a memória colonial e as possibilidades de sobrevivência. Osvaldo Gaia parte dos conhecimentos dos construtores de currais de pesca da Amazônia para criar esculturas que traduzem as relações entre paisagem, marés e memória. Em Ilha Monstro (2026), Rayana Rayo transforma a ilha em um território físico e simbólico, onde paisagem, desejo, memória e imaginação se encontram. Ygor Landarin investiga o mar e os sambaquis em obras que combinam areia, conchas, pedras e bordados realizados por sua mãe, criando cartografias afetivas atravessadas pelo tempo e pela memória familiar.
A exposição reúne ainda trabalhos que constroem e reconstroem paisagens por meio de arquivos, histórias e experiências coletivas. Caroline Ricca Lee investiga as relações entre migração, comércio e memória familiar em uma instalação inspirada em lojas de importação e exportação estabelecidas em São Paulo, questionando também os processos de apagamento e homogeneização das identidades asiáticas. As fotografias de Lita Cerqueira, com mais de cinco décadas de produção, registram o protagonismo negro na cultura brasileira por meio de festas religiosas, manifestações culturais, trabalhadores, artistas e diferentes experiências da vida cotidiana.
A produção de Moacir Faria (1954 - 2025) ocupa um lugar central na exposição. Seus desenhos, realizados com giz de cera e lápis coloridos, constroem um vocabulário visual próprio, povoado por rios, montanhas, animais, flores, figuras humanas, Deus, o Diabo e o infinito. A apresentação de suas obras e do documentário Moacir: Arte Bruta (2006) também questiona categorias e classificações utilizadas para definir sua trajetória. Já nazas parte das linguagens visuais, afetivas e performáticas do tecnobrega para criar grandes tecidos e pinturas que afirmam a criatividade das periferias amazônicas.
Em sua produção multidisciplinar, Rafael Chavez articula corpo, paisagem, espiritualidade e território, a partir de referências do sertão nordestino, da Caatinga e das experiências de corpos queer e desviantes. Rodrigo Cass apresenta uma instalação inédita em que pintura, escultura, vídeo e palavra se encontram. Inspirada nas sete cores do arco-íris, a obra aproxima a transformação política da imaginação espiritual e expande a pintura para o espaço.
A construção coletiva de outros modos de habitar o mundo também aparece em Terra Afefé, projeto de Rose Afefé que reúne arquitetura, escultura e convivência. Na exposição, 21 pinturas sobre madeira transformam as dívidas contraídas para a construção desse território em um inventário de sonhos e desejos coletivos. Thaís Muniz parte das esculturas Latissaura e Jacaréssaura, construídas em Itapuã, em Salvador, para investigar as transformações de um território atravessado pelo abandono, pela ocupação urbana e pela memória, questionando quem pode ocupar e imaginar o futuro de uma paisagem.
Projeto expográfico
Clique aqui para acessar imagens do projeto expográfico
A expografia assinada pelo escritório Vão, dos arquitetos Anna Juni, Enk te Winkel e Gustavo Delonero, parte de um dos elementos mais marcantes do MAM: sua fachada de vidro, decisiva tanto na construção da imagem pública do museu quanto na relação que estabelece com o Parque Ibirapuera.
A partir dessa condição, a expografia transforma os limites entre museu e parque em matéria de projeto. Na Sala Milú Villela, a retirada da película escura restitui a presença do parque no espaço expositivo, enquanto novos caixilhos atravessam a fachada e se prolongam para dentro e para fora do edifício. Ao fundo da sala, os painéis existentes foram reorganizados em zigue-zague, em uma referência reduzida e invertida à parede desenhada por Lina Bo Bardi, alternando superfícies minerais e chapas de alumínio reflexivo. Ao longo do percurso, o parque reaparece nas paredes da exposição de forma turva e fragmentada, sobrepondo obras, corpos, vegetação e arquitetura em um mesmo campo de percepção.
Nas demais salas, a relação entre interior e exterior é explorada por meio de outras operações. As paredes se inclinam em direção às janelas e o vidro ganha cor, criando novas relações entre o espaço expositivo e a paisagem do parque.
“A expografia parte da arquitetura do MAM e, especialmente, da condição ambígua de sua fachada de vidro: ao mesmo tempo em que ela conecta o museu ao parque, também estabelece uma separação. Em vez de tentar dissolver esse limite, o projeto procura evidenciá-lo e transformá-lo em experiência. Paredes, caixilhos, reflexos e transparências criam situações em que dentro e fora se misturam sem deixar de ser distintos, fazendo do próprio limite um espaço de encontro, tensão e percepção”, explicam os sócios do Vão.
Ao longo de todo o projeto, dentro e fora, público e privado, obra e entorno deixam de se apresentar como categorias estáveis. Mais do que apagar essas fronteiras, a expografia do 39º Panorama procura torná-las sensíveis, revelando sua espessura e ambiguidade e fazendo do limite um lugar de reflexão sobre aquilo que separa e, ao mesmo tempo, coloca em relação.
Programação pública
Lançamento da publicação do 39º Panorama
No dia da abertura do 39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito, em 12 de setembro, o MAM promove o lançamento da publicação que acompanha a exposição, com um bate-papo entre Diane Lima e Denise Ferreira da Silva. O encontro acontece no Auditório do museu, às 11h, com entrada gratuita e duração de uma hora.
Com 364 páginas, a publicação reúne textos institucionais de Cauê Alves, curador-chefe do MAM, e Elizabeth Machado, presidente do museu, um texto inédito da curadora Diane Lima e verbetes dos artistas assinados por Giovanna Querido, gerente de projetos da curadoria do 39º Panorama. O livro inclui ainda uma entrevista inédita da escritora e professora Christina Sharpe com Diane Lima, um texto inédito e comissionado da filósofa Denise Ferreira da Silva e um ensaio do historiador e crítico literário David Lloyd.
Como parte do projeto curatorial, quatro autores foram convidados a produzir textos inéditos a partir das obras e das pesquisas dos artistas participantes: Ricardo Terto, escritor e roteirista, autor de livros como Brincadeira sem futuro e A fortaleza dos Homens-Borracha; Maria Isabel Iorio, poeta, escritora, roteirista e artista visual, que também atua em projetos de dramaturgia e performance; Natasha Felix, poeta e performer, autora de Use o alicate agora e Inferninho; e Mirella Ferreira, escritora e artista multimídia, autora de Filosofia da ancestralidade. Os textos ampliam as possibilidades de leitura das obras apresentadas nesta edição do Panorama e estabelecem diferentes relações entre literatura, crítica, poesia e artes visuais.
O livro é bilíngue, em português e inglês, e tem identidade visual e projeto gráfico do estúdio Porto Rocha.
Os ingressos para participar da conversa são gratuitos, e podem ser retirados através da bilheteria online do museu ou no local, 30 minutos antes do início do evento.
Ativações da artista nazas
Como parte do programa público do 39º Panorama da Arte Brasileira, a artista Nazas realiza uma residência artística na Ybytu, em parceria com o MAM São Paulo. A residência integra a programação da exposição e dá continuidade à pesquisa da artista em torno do brega e do tecnobrega, aproximando seus processos de criação do público por meio de diferentes ativações e encontros. Como resultado deste processo, Nazas irá realizar ativações na programação pública do 39º Panorama. A agenda das ações será divulgada ao longo do período expositivo no site e redes sociais do MAM (@mamsaopaulo).
Sobre Diane Lima
A curadora Curadora e pesquisadora, Diane Lima é mestra em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e Predoctoral Mellon Fellow, afiliada ao Critical Racial Anti Colonial Study Co-Lab (CRACS Co-Lab) no Department of Spanish & Portuguese Languages and Literatures na New York University. Recentemente, foi anunciada como curadora do Pavilhão do Brasil na 61ª Exposição Internacional de Arte – La Biennale di Venezia. Suas exposições anteriores incluem coreografias do impossível - 35ª Bienal de São Paulo (2023), Paulo Nazareth: Luzia no Museo Tamayo, na Cidade do México (2024), O rio é uma serpente - 3ª Frestas Trienal de Artes do SESC São Paulo (2020/2021), e o programa de dois anos Diálogos Ausentes no Itaú Cultural (São Paulo, 2016-2017), que desempenhou um papel histórico na virada anticolonial da arte contemporânea brasileira. Em 2025, Lima foi nomeada para o Conselho Consultivo Científico da documenta e Museum Fridericianum gGmbH, na Alemanha, onde atua como vice-presidente. Entre 2024 e 2025, foi Diretora de Programação da ESAP Fellowship 2025 - uma iniciativa liderada pela A&L Berg Foundation para promover o desenvolvimento profissional de curadores latinex nos Estados Unidos. Em 2024, Lima foi professora convidada no Instituto de Pesquisa Estética da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM). Editou a aclamada antologia Negros na Piscina: Arte Contemporânea, Curadoria e Educação (Fósforo, 2024), que documenta os últimos dez anos de debates sobre racialidade e arte no Brasil e coeditou o volume Textes à lire à voix haute (Textos para ler em voz alta), que reuniu vozes dissidentes anticoloniais em contextos lusófonos e francófonos (Brook, 2022). Diane Lima também é uma das vencedoras da Ford Foundation Global Fellowship 2021, programa que celebra a nova geração de líderes globais em justiça social.
Sobre o Panorama da Arte Brasileira do MAM São Paulo
O Panorama da Arte Brasileira é uma exposição bienal realizada pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo desde 1969. Consolidada como uma das mostras mais importantes do calendário artístico nacional, a exposição apresenta, a cada edição, recortes curatoriais que discutem debates urgentes da contemporaneidade e evidenciam a diversidade da produção artística no país, fortalecendo o diálogo entre artistas, instituições e públicos. Sua criação, em 1969, coincidiu com a retomada das atividades do MAM após um período de fechamento. A mostra surgiu do esforço conjunto de Diná Lopes Coelho — diretora técnica do museu entre 1968 e 1982 — e de artistas, curadores, críticos e outros agentes culturais que se mobilizaram para reconstruir o museu e reativar sua programação. O MAM encontrou no Panorama uma estratégia essencial para reconstruir sua coleção, incorporando obras apresentadas em cada edição. Ao longo das 38 edições já realizadas, o Panorama da Arte Brasileira desempenhou papel fundamental na formação da identidade contemporânea do MAM e no fortalecimento do campo artístico brasileiro. Sua relevância histórica e sua vocação contínua para a reflexão, a experimentação e a renovação mantêm o Panorama como uma plataforma central para a compreensão da arte produzida no Brasil hoje.
Sobre o MAM São Paulo
Fundado em 1948, o Museu de Arte Moderna de São Paulo é uma instituição cultural sem fins lucrativos dedicada à pesquisa, preservação, produção e difusão da arte moderna e contemporânea. Localizado no Parque Ibirapuera, a maior área verde da cidade de São Paulo, o museu abriga um dos mais importantes acervos de arte moderna e contemporânea do país, com mais de 5 mil obras, em sua maioria de artistas brasileiros.
Além de sua programação de exposições, o MAM promove cursos, seminários, palestras, performances, atividades educativas e programas de formação artística voltados a diferentes públicos. Entre suas principais iniciativas estão o Panorama da Arte Brasileira, um dos mais importantes projetos dedicados à produção contemporânea no país; o Clube de Colecionadores, referência nacional no incentivo ao colecionismo e à produção de múltiplos; e o MAM Educativo, pioneiro entre os museus brasileiros, que desenvolve ações de mediação, formação e acessibilidade para públicos diversos.
Comprometido com a democratização do acesso à cultura, o museu oferece recursos de acessibilidade como visitas mediadas em Libras, audiodescrição e videoguias em Libras, além de desenvolver programas voltados à inclusão e à participação de pessoas com deficiência. Sua Biblioteca Paulo Mendes de Almeida reúne um acervo especializado com cerca de 65 mil livros, periódicos, documentos e materiais audiovisuais, consolidando o MAM como um importante centro de pesquisa em arte moderna e contemporânea.
Saiba mais em www.mam.org.br e acompanhe o museu nas redes sociais: @mamsaopaulo.
Serviço
39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito
Curadoria: Diane Lima
Gerente de projetos da curadoria: Giovanna Querido
Abertura: 12 de setembro, sábado, das 10h às 18h (última entrada às 17h30)
Entra gratuita
Retire seu ingresso em www.mam.org.br/ingressos
Período expositivo: 12 de setembro de 2026 a 24 de janeiro de 2027
Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM
Parque Ibirapuera – Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº
Acesso pelos portões 1 e 3
Horários: terça a domingo, das 10h às 18h
Última entrada às 17h30
Mais informações:
MAM São Paulo