Relatórios passam a ser divulgados oficialmente a partir de 2027, com base no exercício de 2026
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| Foto: Divulgação |
O ano de 2025 foi considerado o “ano da regulação” do ESG, sigla para ambiental, social e governança (do inglês Environmental, Social and Governance), enquanto 2026 marca o período em que a área passou a ser medida, auditada e integrada ao desempenho financeiro.
As mudanças exigem atenção por parte das empresas e reforçam que aquelas que estruturam dados ESG de forma clara e auditável ganham confiança do mercado, reduzem exposição à riscos, aumentam a atratividade para investidores e reforçam a governança corporativa.
Desde janeiro, todas as empresas listadas na B3, bolsa de valores brasileira, devem publicar relatórios de sustentabilidade, seguindo os padrões internacionais IFRS S1 e IFRS S2, conforme definido pelo Comitê Brasileiro de Pronunciamentos de Sustentabilidade (CBPS).
A norma IFRS S1, emitida pelo International Sustainability Standards Board (ISSB), define como as empresas devem divulgar informações financeiras relacionadas à sustentabilidade. Já a IFRS S2 foca em riscos físicos e de transição relacionados ao clima.
A medida, estabelecida pela Resolução Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nº 193, de outubro de 2023, visa a transparência e responsabilidade corporativa, e coloca o Brasil entre os primeiros países a tornar ESG obrigatório em larga escala. Os relatórios passam a ser divulgados oficialmente a partir de 2027, com base no exercício de 2026.
A adoção de práticas ESG entre as empresas listadas na B3 segue uma crescente nos últimos anos. Em 2021, cerca de 30% já haviam incorporado algum aspecto em suas operações. O percentual saltou para mais de 70% em 2023.
O estudo “A maturidade ESG nas empresas brasileiras: avanços e desafios 2024”, conduzido pela Beon ESG e Aberje, mostra que mais da metade das empresas (51%) possuem uma estratégia de sustentabilidade formalizada, um crescimento de 14 pontos percentuais em relação a 2021. No entanto, há uma lacuna entre a adoção das práticas e a aplicabilidade.
O levantamento revela que 59% das empresas já realizam mapeamento de stakeholders, entretanto, apenas 20% publicam relatórios de sustentabilidade, evidenciando desafios na mensuração e no reporte das práticas ESG. O avanço é mais acentuado em setores voltados ao consumidor final, como comércio e serviços.
Apenas 31% das empresas afirmam ter um modelo bem definido de engajamento, que inclui estratégia, processos e gestão de resultados, além de avaliação da competitividade e da resiliência das empresas no longo prazo.
A expectativa é de alta demanda por especialistas e recursos para elaboração dos relatórios, especialmente diante das exigências de outros reguladores, como o Conselho Monetário Nacional (CMN, Resolução 5185) e o Conselho Federal de Contabilidade (CFC, Resolução 1710).
O cenário revela a necessidade de uma ação coordenada entre áreas de sustentabilidade, contábeis, de controles e tecnológicas, além de revisão da governança corporativa. O trabalho pode demandar uma mudança na cultura organizacional, exigindo treinamento em compliance para toda a equipe.
O ESG ganhou força na última década devido às exigências por sistemas sustentáveis, tendo em vista mudanças climáticas, eventos extremos, escassez de recursos naturais.
Os negócios estão se dando conta de que o sucesso sustentável vai além da responsabilidade socioambiental, é também uma forma de estar preparado para as crises mundiais, além de oportunidade de retornos e benefícios econômicos.
Pesquisa realizada pela Nexus revela que 19% dos consumidores brasileiros consideram as práticas de ESG como um dos três principais pilares para a boa reputação de uma marca. O estudo aponta que a ausência de práticas ESG é o fator mais impactante para uma avaliação negativa das empresas, escolha de 26% dos entrevistados.
Entre os fatores, segundo o estudo, que impulsionam a adoção do ESG estão, além da reação de investidores e consumidores, a conexão com risco reputacional e valor de marca e tendências do mercado.
Os indicadores ESG são métricas que avaliam o desempenho de uma empresa em três pilares fundamentais:
Está relacionado com o impacto da empresa no meio ambiente. Inclui métricas como emissões de carbono, consumo de água e energia, gestão de resíduos, uso de recursos naturais e iniciativas de biodiversidade.
Avalia a relação da empresa com os stakeholders. Abrange aspectos como diversidade e inclusão, condições de trabalho, saúde e segurança, direitos humanos, diversidade, equidade e inclusão, privacidade de dados e impacto social na comunidade.
Refere-se à estrutura de gestão, ética, integridade, treinamentos e transparência da empresa. Envolve a composição do conselho de administração, remuneração de executivos, direitos dos acionistas, prevenção à corrupção, auditorias internas e externas, e a transparência na divulgação de informações.