Cultura - Teatro

“A serpente” de Nelson Rodrigues, estreia no Rio sob olhar feminino

14 de Maio de 2026

A peça, protagonizada e dirigida por Anna Helena Madruga, conta a história de duas irmãs que tem sua vida guiada pelo amor e a tragédia

“A serpente”, de Nelson Rodrigues, ganha os palcos da Sede Cia dos Atores, Lapa (RJ), em temporada que vai de 20 de maio a 10 de junho com sessões às quartas-feiras às 20h. Protagonizada, e dirigida, por Anna Helena Madruga a história tem como fio condutor duas irmãs que por amor, uma pela outra, tomam uma decisão desastrosa.

“A ideia surgiu de mostrar o lado feminino da história. Com o foco na história das irmãs e não na rivalidade”, diz Anna.

Sinopse: Rio de janeiro (1978), duas irmãs moram com seus maridos no mesmo apartamento. Para impedir uma tragédia, uma delas toma uma decisão que muda para sempre seus destinos.

A obra, que tem 48 anos, traz temas bem atuais, e importantes, para serem debatidos no palco.

“Nela é falado sobre machismo, feminicídio, homofobia que infelizmente são fatos atemporais. Nelson sempre foi atemporal. Felizmente para a crítica e infelizmente por ainda sofrermos isso como sociedade em 2026”, ressalta a diretora.

Além de Anna, no palco os atores Carol Mattos, Deco Almeida, Lucas Garbois e Gabriel Barreto completam o elenco.

“Quero trazer esse olhar feminino, tirando a história desse ponto de vista da rivalidade e contando o do amor entre duas irmãs que fazem de tudo para não perder uma à outra”, conta a atriz. “‘A serpente’ pra mim é a realização de um sonho. Primeiro porque sou uma grande fã de Nelson Rodrigues, segundo, de poder dar um olhar feminino ao enredo desses personagens, que por serem personagens dele, tem camadas absurdas, acabando fazendo tudo que o ser humano pensa, mas não tem coragem de fazer. Onde o amor, a perversão e a morte andam de mãos dadas sem medo de testar até onde esse fio tênue entre cada um, é capaz de aguentar. Onde não se trata de rivalidade entre irmãs, mas sim sobre a história de amor entre elas. A dependência emocional uma da outra. O amor mais profundo do mundo que não se denomina apenas em uma palavra, não é apenas fraterno, mas sim monstruosamente perverso e incondicional ao mesmo tempo, que em um segundo pode sair dos trilhos e colocar tudo a perder. Carol, Lucas, Gabriel e Deco são atores que chegam nesse "buraco profundo" de maneira incrível. Nelson não tem medo de enfiar o dedo na ferida do público. E eu acredito nesse tipo de teatro. Onde em algum momento algo incomoda muito o público por mera identificação velada e profunda”, completa.

Esse é o primeiro trabalho de Anna como diretora e protagonista. A atriz de 38 anos, nascida em Uruguaiana (RS), mora no Rio de Janeiro há 13 anos, e vê nesse projeto o início de muitos outros que virão.

“Eu me joguei em algo que jamais havia feito, mas sabendo que estava rodeada de pessoas que podiam me resgatar caso eu estivesse me afogando (rs) como algumas vezes já aconteceu. Estar em cena e dirigir não é fácil, mas é muito prazeroso no sentido de ter os dois pontos de vista ao mesmo tempo. Mas também não enfrento como uma responsabilidade que dá medo e sim como uma seríssima experiência. A princípio eu não ia dirigir, mas às coisas acabaram tomando esse rumo por vários motivos e cá estou. No teatro ninguém trabalha sozinha, mesmo apenas dirigindo você sempre tem os atores que propõe e criam muito, assistência de direção, que no meu caso é a competentíssima atriz e profissional Bels Ferrari, que foi minha aluna, virou amiga e trabalhou vários semestres como assistente de direção nas minhas turmas de interpretação na CAL, onde leciono. E claro, tem meu marido, Gabriel Barreto, que está em cena, mas é um diretor excelente, formado e pós graduado em direção teatral e audiovisual, que também me ajuda demais e foi fundamental na idealização desse projeto, como se vários outros na minha carreira. Na verdade, ele é o grande idealizador de “A serpente”, junto com minha mãe, Jaciara Ritter, sem ela, NADA seria possível. Vida muito longa “A Serpente”. Evoé!”, completa.

Os ingressos estão à venda pelo https://www.sympla.com.br/evento/a-serpente---sede-cia-dos-atores/341951

Instagram oficial https://www.instagram.com/aserpenteteatro/

A Serpente

Local: Sede Cia dos Atores na Lapa

Temporada: 20 de maio a 10 de junho

Dias: Quartas-feiras

Ingresso: 50 reais (inteira), 25 reais (meia)

Classificação 16 anos

Gênero: Drama

Duração: 1h e 15 min

Venda: https://www.sympla.com.br/evento/a-serpente---sede-cia-dos-atores/341951

Ficha técnica

Texto: Nelson Rodrigues

Direção: Anna Helena Madruga

Diretora assistente: Bels Ferrari

Elenco: Anna Helena Madruga, Carol Mattos, Lucas Garbois, Deco Almeida e Gabriel Barreto

Desenho de luz: Bernardo Bastos

Cenário: Anna Helena Madruga e Bels Ferrari

Figurino: Pedro Villa Nova

Trilha: Anna Helena Madruga

Operação de som: Ari Reyes

Produção: Anna Helena Madruga e Gabriel Barreto

Realização: Teatro do Vento

Fotos: Paulo Aragon

Assessoria de imprensa: Ribamar Filho

Design e mídias: Caio Wilbert Marreiros Benites

Biografias

Anna Helena Madruga é natural de Uruguaiana RS. É atriz, diretora, preparadora de atores e comunicadora. Reside no Rio de Janeiro há 13 anos, onde é integrante do Teatro do Vento e professora de interpretação na CAL, casa das artes de Laranjeiras. Onde se formou e pós graduou como atriz e diretora. Anna também é formada em comunicação em multimeios pela PUC-SP e pós graduada em cinema expandido pela PUC-RS. É formada também na residência de estilos teatrais pelo TEPA em Porto Alegre. Dando aulas principalmente de Shakespeare e farsa em cursos livres.

Gabriel Barreto é ator, diretor, roteirista e produtor. Formado em artes Cênicas pela CAL, fez 3 pós graduações na área e atualmente cursa direito. Integrou o elenco de 3 temporadas da série Reis na Record, está na quinta temporada de Arcanjo Renegado, no elenco de 2 filmes do cineasta Murilo Salles, estreará longa na Disney+ e protagonizou 2 novelas verticais somando mais de 50 milhões de visualizações, além de dezenas de peças de teatro.

Carol Mattos é natural de São Luiz Gonzaga, cresceu no interior e mudou-se para o Rio em 2019. No audiovisual, seu trabalho mais recente é o filme “Ataque ao Metrô” de Maurício Eça, com previsão de estreia para 2026 pela Disney Plus. Produziu e atuou na série de humor “Cidadão não, ator” (2021-22), que teve exibição de temporada no Espaço Itaú de Cinema.

No teatro, os projetos mais recentes são: a peça “Alguma Coisa Falta Aqui”, dirigida por Stella Rabello, que já esteve em temporada nos teatros Domingos Oliveira e Laura Alvim; A peça “Entre nós” (2023), dirigida por Ingrid Manzini, onde atuou e produziu, a história é uma adaptação do filme homônimo de Paulo Morelli e está na sua segunda temporada em 2025; a peça A.M.I.G.A.S., com direção de Ernesto Piccolo; a peça infantil “Do Começo ao Fim” dirigida por Toni Rodrigues e Paula Águas.

É membro fundadora da Penúltima Cia de Teatro, que assina seus próprios projetos desde 2020.

Deco Almeida é ator, músico e dublador. Formado no Curso Técnico Profissionalizante de Atuação da Casa das Artes de Laranjeiras (CAL) (2023), atualmente cursa pós-graduação em Direção Teatral na mesma instituição, com conclusão prevista para 2026. No audiovisual, integrou o elenco da série Ângela Diniz: Assassinada e Condenada, da HBO Max, dirigida por Andrucha Waddington, interpretando Fernando Manfredi (2024). Participou também da novela Dona de Mim, da TV Globo, como Josef Jovem (2025), da novela Reis, da RecordTV (2023), e do longa Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles. No teatro, atuou em Frankenstein e Presas (2022), Cais e a Indiferença das Embarcações (2023) e no musical Villa-Lobos Cantigas e Crianças (2024), duas vezes premiado no Prêmio CBTIJ. Também realizou cursos com Eduardo Milewicz e a Cie Dos à Deux.

Lucas Garbois formou-se como ator na CAL, realiza formação continuada com a preparadora Helena Varvaki há 4 anos e cursa Mestrado em Artes Cênicas na UNIRIO. Nos últimos anos, trabalhou em cerca de 20 peças, incluindo “Uma Revolução dos Bichos”, dirigida por Bruce Gomlevsky e indicada ao Prêmio APTR de melhor espetáculo de 2022, e “Um Tartufo”, também dirigida por Bruce Gomlevsky e selecionada para o Festival de Curitiba de 2023. Foi assistente de direção em “Um lugar onde a vida acontece”, monólogo de Helena Varvaki, com direção de Miwa Yanagizawa. No audiovisual, atuou em “Reis”, “A Vida de Jó”, “Paulo, o Apóstolo” e tem participação confirmada em “Emergência 53”, série da Globoplay com estreia prevista para 2026.

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