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Inadimplência das empresas cai em janeiro e atinge 8,7 milhões de CNPJs, revela Serasa Experian

19 de Março de 2026

• Valor das dívidas somadas chega a R$ 201,7 bilhões; 

• Micro e pequenas empresas correspondem a maior parte dos CNPJs no vermelho, com 8,3 milhões

Em janeiro de 2026, o Brasil registrou 8,7 milhões de empresas inadimplentes, segundo o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil. O número é inferior ao observado em dezembro de 2025, quando 8,9 milhões de companhias estavam negativadas, e interrompe a sequência de aumentos mensais registrada ao longo de 2025 da série histórica. Ao todo, foram contabilizadas 60,1 milhões de dívidas inadimplidas, que somaram R$ 201,7 bilhões. Em média, cada empresa possuía 6,9 contas negativadas no período. Confira, no gráfico abaixo, a série histórica mensal:

De acordo com a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, apesar da queda registrada em janeiro, o nível de inadimplência ainda permanece elevado. “A redução do número de empresas inadimplentes em janeiro não representa, necessariamente, uma mudança de tendência. A oscilação mensal costuma refletir fatores pontuais, como renegociações e regularizações concentradas no fim do ano, e não uma melhora estrutural da capacidade de pagamento das empresas”, afirma.

Perfil das dívidas e setores

A dívida média por empresa foi de R$ 23.138,40, enquanto o ticket médio das dívidas chegou a R$ 3.356,02. Em relação a dezembro de 2025, observa-se leve redução nos indicadores de endividamento, acompanhando o movimento registrado no número total de empresas inadimplentes. Segundo Camila, a dinâmica de janeiro costuma ter características próprias no ambiente corporativo. “Diferentemente do consumidor, as pressões típicas de início de ano não afetam as empresas com a mesma intensidade. Para o setor empresarial, janeiro tende a ser um mês de pouca variação operacional relevante, já que os maiores desembolsos trabalhistas ocorrem em dezembro. Em alguns segmentos, como comércio e serviços ligados ao varejo, o período ainda conta com liquidações e ajustes de estoque que ajudam a sustentar o caixa”, afirma.

Entre os setores das empresas negativadas, “Serviços” liderou com 55,3% do total em janeiro de 2026. Na sequência apareceram “Comércio” (32,7%) e “Indústria” (8,1%). Já na análise por setor de origem das dívidas, o maior volume de negativações também esteve em “Serviços” (31,5%), seguido por “Bancos e Cartões” (19,4%). Confira o detalhamento na tabela e no gráfico abaixo:

Visão nacional

Regionalmente, o Sudeste concentrou 4,84 milhões de empresas inadimplentes em janeiro de 2026. Na sequência apareceram Sul (1,47 milhão), Nordeste (1,16 milhão), Centro-Oeste (751 mil) e Norte (491 mil). Na comparação com dezembro de 2025, a redução do total nacional não foi homogênea entre as Unidades Federativas. Enquanto estados como Bahia, Goiás, Pernambuco e Maranhão registraram queda no número de empresas negativadas, outros, como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, apresentaram aumento no período. “A variação mensal entre os estados reflete dinâmicas regionais distintas”, explica Camila. “A oscilação de um mês para o outro não ocorre de forma uniforme entre as unidades da Federação e também está relacionada ao peso da base empresarial local, já que unidades com maior base empresarial naturalmente concentram volumes mais elevados de negativações”, complementa.

Micro e Pequenas Empresas concentram maior volume de CNPJs inadimplentes

Do total de 8,7 milhões de empresas inadimplentes em janeiro de 2026, 8,3 milhões eram micro e pequenas empresas, que acumularam R$ 176,1 bilhões em dívidas no período. Esse grupo registrou média de 6,6 contas negativadas por companhia e representa 95,5% do total de CNPJs negativados no país. “As micro e pequenas empresas, que concentram a maior parte das companhias inadimplentes, têm, em geral, menor acesso a linhas de crédito estruturadas e dependem mais de recursos de curto prazo. Em um cenário de custo financeiro elevado e maior seletividade na concessão, a capacidade de renegociação e de alongamento das dívidas fica reduzida, o que ajuda a explicar a concentração da inadimplência nesse grupo”, finaliza Camila. 

Para conferir mais informações e a série histórica do indicadorclique aqui.

Metodologia

O Indicador Serasa Experian de Inadimplência das Empresas contempla a quantidade de empresas brasileiras que estão em situação inadimplência, ou seja, possuem pelo menos um compromisso vencido e não pago, apurado no último dia do mês de referência. O Indicador é segmentado por UF, porte e setor.

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