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O garoto que  cresceu jogando Darksiders e hoje ajuda a criar o jogo

13 de Março de 2026

Por: Sarah Ramires Cortez

Foto: Divulgação

Em algum momento da adolescência, como acontece com milhões de jovens ao redor do mundo, Nelson Pereira Neto estava sentado diante de uma tela, completamente absorvido por um videogame. O jogo se chamava Darksiders.

Ele tinha cerca de 17 ou 18 anos. Para ele, aquele universo épico, sombrio e cheio de mitologia parecia gigantesco. Por trás daquela experiência estavam equipes internacionais de artistas, programadores e designers. Pessoas que trabalhavam em um mercado que, para um jovem brasileiro apaixonado por jogos, parecia quase inalcançável.

Naquela época, Nelson apenas jogava.Hoje, ele ajuda a criar esses mundos.

E, ironicamente, trabalha justamente na franquia que um dia admirou do outro lado da tela.

Desde cedo, Nelson foi fascinado por videogames. “Tenho memórias incríveis de quando era criança jogando meus jogos favoritos”, relembra.

Mas imaginar uma carreira na indústria era algo distante. Durante muito tempo, o mercado de desenvolvimento de jogos parecia invisível para quem crescia no Brasil. Pouco se falava sobre as profissões por trás dos jogos ou sobre como entrar nesse universo.

Com o passar dos anos, a vida adulta trouxe a pressão de buscar algo mais estável  e o sonho parecia se afastar, como acontece com tantos projetos da infância. Ainda assim, Nelson nunca abandonou completamente essa ideia.

Aos poucos, começou a aplicar seus conhecimentos em tecnologia no desenvolvimento de jogos. O que antes parecia improvável acabou se transformando em realidade.

Hoje, Nelson Pereira Neto trabalha em uma das áreas mais estratégicas  e ao mesmo tempo menos visíveis  da indústria: UI/UX design.

UI (User Interface) e UX (User Experience) definem como os jogadores interagem com os jogos: menus, inventários, sistemas de habilidades, mapas e toda a estrutura visual que guia a experiência.

Quando tudo funciona bem, o jogador quase não percebe que está ali. Quando não funciona, o jogo inteiro pode parecer quebrado.

É nesse espaço entre arte, tecnologia e comportamento humano que Nelson construiu sua carreira.

Com mais de dez anos de experiência, ele já trabalhou em franquias internacionais como Darksiders, Remnant e Path of Exile, jogos que alcançaram milhões de jogadores e diversas indicações a prêmios da indústria.

Atualmente, atua como consultor e diretor de UI/UX, colaborando com estúdios em diferentes países. Entre seus principais parceiros estão a Gunfire Games, no Texas, onde lidera a criação da interface completa dos jogos  e a Grinding Gear Games, na Nova Zelândia, responsável por Path of Exile.

Um dos momentos mais simbólicos de sua carreira aconteceu quando começou a trabalhar em Darksiders III.

Anos antes, ele era apenas um jogador fascinado pelo universo daquele jogo.Agora fazia parte da equipe responsável por continuar sua história.

“Eu adorava Darksiders quando era mais novo”, conta. “Hoje faço parte da equipe que continua o legado.”

Foto: Divulgação

Atualmente, Nelson também trabalha no desenvolvimento de Darksiders 4, anunciado recentemente.

Outro capítulo curioso envolve a Blizzard Entertainment, criadora de Diablo, um dos jogos que marcaram sua infância. Nelson chegou a ser convidado diversas vezes para trabalhar na franquia, embora, por circunstâncias externas, tenha optado por seguir outros caminhos profissionais.

Hoje Nelson trabalha em projetos que envolvem equipes espalhadas pelo mundo. Entre eles está também Off the Grid, jogo que conta com a participação do cineasta Neil Blomkamp (Distrito 9), no qual Nelson foi responsável pela execução técnica da interface.

Seu trabalho também inclui desenvolver ferramentas e soluções personalizadas para estúdios, algo que o tornou um profissional requisitado por empresas de diferentes tamanhos, de estúdios independentes a grandes produções AAA.

Talvez o aspecto mais interessante de sua história seja o ciclo que ela completa. Porque, no fundo, tudo começou da mesma forma que começa para milhões de pessoas: curiosidade.

Curiosidade sobre como aqueles mundos eram criados.

Hoje, quando um jogador abre um menu, organiza seu inventário ou navega por um sistema de habilidades, há uma chance real de que parte daquela experiência tenha sido desenhada por Nelson. E em algum lugar, provavelmente, outro jovem está jogando,  imaginando como seria trabalhar naquele universo. Exatamente como ele imaginava anos atrás.

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