Dados revelam que a falta de acesso à água tratada amplia desigualdades de gênero e compromete o desenvolvimento de mulheres e meninas em todo o mundo
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| Moradora da Comunidade Saracá - PA buscando água tratada |
| Créditos: Camila Batista |
Dados do estudo realizado pela UNICEF em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que, nos lares onde não há acesso à água tratada, mulheres e meninas com mais de 15 anos são responsáveis por coletá-la em cerca de 70% dos casos. Globalmente, estima-se que mulheres e meninas gastem 200 milhões de horas por dia nessa tarefa, tempo que poderia ser direcionado a outras atividades, como educação, trabalho remunerado ou ao descanso.
É nesse contexto que soluções inovadoras de tratamento de água ganham relevância tanto na ótica ambiental e sanitária quanto na social. A PWTech, startup brasileira especializada em soluções para o tratamento de água, enxerga em sua tecnologia uma forma de contribuir diretamente para a universalização do acesso à água tratada, que é uma meta central do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 6 da ONU e, simultaneamente, para o avanço da equidade de gênero, prevista no ODS 5. Ao garantir o acesso à água tratada em regiões onde grandes concessionárias não chegam, se reduz a necessidade de deslocamentos longos na busca pelo insumo e se ampliam as condições para que mulheres e meninas tenham mais segurança, autonomia, saúde e tempo para investir em outras atividades.
A sobrecarga vai além do tempo despendido. A exposição à violência põe em risco a integridade e compromete a permanência de meninas na escola, assim como a inserção e permanência das mulheres no mercado de trabalho. Organizações como a ONU Mulheres e a UN-Water alertam que a escassez de água também amplia desigualdades estruturais, reforçando ciclos de pobreza e limitando oportunidades de desenvolvimento, especialmente em comunidades vulneráveis. Ao criar condições para que mulheres e meninas possam estudar, trabalhar e exercer plenamente seu potencial, há ganhos substanciais também na qualidade de vida.
“Quando levamos água tratada para comunidades remotas, não estamos apenas resolvendo um problema estrutural. Estamos devolvendo autonomia, tempo, dignidade e oportunidades para mulheres e meninas que, historicamente, carregam de forma desigual o peso da falta de acesso à água tratada”, afirma Maria Helena Cursino, COO da PWTech. “Nosso propósito na PWTECH é gerar impacto real por meio da tecnologia que desenvolvemos, transformando vidas e contribuindo para um futuro mais justo e sustentável.”
Contextos de conflito e crise humanitária
Em zonas de conflito como República Democrática do Congo, Sudão, Haiti, Mianmar e Territórios Palestinos, mulheres enfrentam riscos extremos de violência e deslocamento. Só nos primeiros meses de 2025, a ONU registrou 38 mil casos de violência sexual em Kivu do Norte, no Congo. Já em Gaza, sete em cada dez mulheres mortas em conflitos globais perderam a vida nos bombardeios, evidenciando o impacto desproporcional das guerras e conflitos sobre a população feminina e o consequente agravamento das vulnerabilidades sociais, sanitárias e de segurança.
Presente em mais de 35 países por meio de seus projetos de ajuda humanitária em parceria com o Ministério da Defesa e com a ONU, a PWTech atua em realidades marcadas por instabilidade, vulnerabilidade social e, em muitos casos, zonas de conflito. Ao viabilizar o tratamento da água nas proximidades das comunidades atendidas, a tecnologia da startup contribui diretamente para reduzir a necessidade de deslocamentos longos e inseguros em busca de água apropriada para o consumo.
Presente nas operações internacionais, Cláudio Silva, Gerente Operacional da PWTech, complementa: “Pudemos ver de perto o quanto levar água tratada para esses territórios é também uma forma de proporcionar segurança. Quando não precisam se deslocar por longos trajetos, as mulheres e crianças são menos expostas à violência, riscos de exploração e acidentes, se aumentam as chances das crianças serem mantidas na escola e as condições mínimas de saúde, segurança e estabilidade em um momento crítico são garantidas”. in