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| VOLODYMYR TVERDOKHLIB |
Finalmente os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos trocam sorrisos. Jornais brasileiros e americanos estampam a foto dos dois presidentes lado a lado. Não se sabe exatamente o que negociam os chefes de Estado nesse encontro. Obviamente, esse é um ato simbólico que a diplomacia dos dois países trabalhou arduamente, sem cobertura da imprensa, para concretizar. Para muitos, é uma grande surpresa o gesto do presidente brasileiro, que ao longo dos últimos anos fez críticas à política externa americana – e mais de uma vez se manifestou a favor dos inimigos políticos do Tio Sam. A conjuntura mundial está em franca mudança e isso acende as antenas do Departamento de Estado yankee.
Sem dúvida, o prosseguimento da guerra pesou bastante na mudança da política externa brasileira. Todos sabem que o Brasil tem minérios estratégicos que a indústria bélica dos Estados Unidos precisa para alimentar sua máquina militar. Contudo, o que pode dar em troca do acesso a essas matérias-primas, como níquel, cobre, minério de ferro e até quartzo, para as carlingas dos aviões militares? Países inimigos dos americanos querem uma aproximação com o Brasil, não só pelas matérias-primas, mas para quebrar a hegemonia do Tio Sam na América Latina. Ou melhor, mandar para o museu a Doutrina Monroe, aquela da América para os americanos. Do Norte? Isso funcionou no vizinho México e pode funcionar também na terra do Zé Carioca. Consultem o Walt Disney...
As notícias mais recentes dão conta da vitória dos Aliados. O erro cometido pela Alemanha nazista em lutar em duas frentes propiciou a invasão da França. Forças italianas e nazistas são derrotadas no norte da África e o regime de Mussolini está perto do fim. O mesmo fascismo muito forte no Brasil e que inspirou as leis trabalhistas, o nacionalismo e a ditadura exercida por Getúlio Vargas. Diante dessa conjuntura é melhor mudar de lado. Nada de telegrama de congratulações a Hitler pela passagem de seu aniversário, nem adulações ao “Duce”. Agora, o Brasil vive da declaração de guerra contra os países do Eixo e se aproxima dos Estados Unidos. Menos de um ano depois, Franklyn Roosevelt e Getúlio Vargas se encontram em Natal e selam a ajuda americana para a implantação da indústria de base no Brasil, já negociada com os países do Eixo. Volta Redonda é o símbolo mais visível da reviravolta da política externa brasileira durante a guerra.
*Prof. Heródoto Barbeiro âncora do Jornal Nova Brasil, colunista do R7, apresentou o Roda Viva na TV Cultura, Jornal da CBN e Podcast NEH. Tem livros nas áreas de Jornalismo, História. Midia Training e Budismo. Grande prêmio Ayrton Senna, Líbero Badaró, Unesco, APCA, Comunique-se. Mestre em História pela USP e inscrito na OAB. Palestras e mídia training. Canal no Youtube “Por Dentro da Máquina”, www.herodoto.com.br