O cirurgião plástico Dr. Vitor Zanatta destaca aumento da demanda por cirurgias plásticas após a gestação visando recuperação funcional e autoestima
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| Dr. Vitor Zanatta | Foto: Vinícius Aredes |
Em 2024, foram realizados no Brasil mais de 3,1 milhões de procedimentos estéticos, conforme levantamento da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS). Desse total, aproximadamente 2,35 milhões corresponderam a cirurgias plásticas, consolidando o país como líder mundial em número de procedimentos cirúrgicos estéticos.
Entre as cirurgias mais realizadas estão a lipoaspiração, com aproximadamente 289 mil procedimentos, e a abdominoplastia, com cerca de 192 mil cirurgias. A presença expressiva da abdominoplastia no ranking nacional pode ser explicada por um movimento observado nos consultórios: o aumento da procura por cirurgias plásticas no período pós-gestacional.
Pós-gestação impulsiona procedimentos corporais
De acordo com o cirurgião plástico Dr. Vitor Zanatta, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), o crescimento da abdominoplastia e da lipoaspiração está relacionado às mudanças físicas provocadas pela gravidez.
“A gestação pode causar flacidez abdominal, acúmulo de gordura localizada e diástase, que é a separação dos músculos do abdômen. Muitas mulheres jovens procuram a cirurgia para recuperar não apenas o contorno corporal, mas também a firmeza da parede abdominal”, explica.
Estudos clínicos internacionais indicam que a diástase do reto abdominal pode atingir mais de 50% das mulheres no pós-parto imediato, e parte delas mantém o afastamento muscular meses após o nascimento do bebê. Quando há indicação médica, a correção pode ser realizada durante a abdominoplastia, contribuindo para melhora funcional e estética.
Alterações mamárias após a amamentação também influenciam a demanda. Procedimentos como mastopexia, com ou sem prótese, estão entre as cirurgias associadas ao período após a gestação, especialmente em casos de perda de sustentação e volume.
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| Dr. Vitor Zanatta | Foto: Vinícius Aredes |
Pacientes mais jovens e mais informadas
Segundo Dr. Vitor Zanatta, a procura tem sido mais frequente entre mulheres de 25 a 40 anos, muitas delas após uma ou duas gestações. O especialista destaca que o movimento está ligado tanto à autoestima quanto à qualidade de vida.
“Há um desejo legítimo de retomar a própria identidade corporal após a maternidade. Hoje as pacientes chegam mais informadas, pesquisam dados, conhecem riscos e priorizam segurança. Existe maior consciência sobre a importância de avaliação individualizada e planejamento cirúrgico responsável”, afirma.
O cenário acompanha o posicionamento do Brasil como referência internacional em cirurgia plástica, tanto pelo volume de procedimentos quanto pela formação técnica dos profissionais. Entidades médicas reforçam que qualquer intervenção deve ser indicada após avaliação criteriosa, com profissionais habilitados e membros de sociedades reconhecidas.
Para o Dr. Zanatta, o aumento da procura por cirurgias pós-gestacionais representa a combinação de acesso à informação, avanço técnico e maior autonomia feminina na tomada de decisões sobre o próprio corpo. “Mais do que estética, trata-se de oferecer soluções seguras e personalizadas para mulheres que desejam recuperar conforto, funcionalidade e autoestima após a gestação”, conclui.