Colunistas - Rodolfo Bonventti

Eterna Memória Costinha (25/03/1923 – 15/09/1995) O humorista das caretas e do duplo sentido

9 de Fevereiro de 2021

Filho de um palhaço de circo, o Bocó, que abandonou a família quando Costinha tinha 13 anos, ele foi garçom, vendedor de bilhetes de loteria, apontador de jogo do bicho e engraxate até se jogar de vez na carreira artística, o que aconteceu em 1941, aos 18 anos de idade, quando estreou nos palcos em um pequeno papel no espetáculo “Uma Pulga na Camisola”.

O sucesso chegou quando em um programa de rádio, em 1953, ele imitava o então prefeito de São Paulo, Jânio Quadros, enquanto o humorista Silvino Neto (pai do ator e comediante Paulo Silvino), imitava Juscelino Kubitschek. O programa foi censurado pela Secretaria de Segurança de São Paulo, alguns meses depois, tornando Costinha ainda mais conhecido, justamente por ter sido censurado.

O humor de Costinha era uma eterna gozação e de forte apelo sexual, com os títulos de seus shows e discos sempre usando termos que levavam ao duplo sentido, e ele gostava de se apresentar abusando dos trejeitos, muitos deles afeminados. Na década de 1980, exatamente em 1983/1984, quando o movimento Diretas Já dominava o País, ele fez um espetáculo de teatro de muito sucesso cujo título era “O Presidenciável e seu lema Eretas Já".

Ele foi uma atração na TV brasileira nas décadas de 1970 e 1980, participando de diversos programas humorísticos com sucesso. E seus personagens gays eram os que mais agradavam o público telespectador. Trabalhou na TV Tupi, na TV Excelsior, na TV Rio, na TV Globo e na TV Manchete.

Também foi um bom vendedor de discos nesse período, e um LP em especial, “O Peru da Festa”, foi um recordista de vendagens nos anos 1970. Fez no cinema mais de 30 filmes, alguns deles com excelente bilheteria como “O Dono da Bola”; “Tô na Tua, Ô Bicho”; “O Libertino”; “Costinha, o Rei da Selva”; “As Aventuras de Robinson Crusoé” e “Histórias que Nossas Babás Não Contavam”.

Costinha foi casado duas vezes e deixou quatro filhos, mas quando morreu morava sozinho no Bairro de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro.
Seus problemas de saúde começaram em 1993, quando um exame constatou uma crônica doença pulmonar, provocada por muitos anos como fumante de dois maços de cigarro por dia.

Foram cerca de dez internações para tratar do problema de saúde, até que em 4 de setembro de 1995, sentiu muita falta de ar e tinha muita tosse ao se internar no Hospital Pan-Americano, na Tijuca, onde faleceu 10 dias depois.

Um de seus últimos personagens na TV foi o Mazito da “Escolinha do Professor Raimundo”, comandada por Chico Anysio na TV Globo.
Lírio Mário da Costa, Costinha, é hoje nome de uma viela no Bairro de Perdizes, em São Paulo. 

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