![]() |
Os partidos e grupos de esquerda se preparam para manter o poder no Brasil. O presidente em final de mandato acumula uma grande popularidade, reconhecimento eleitoral e deve passar o poder para outro político progressista. É verdade que o atual governo da República é acusado de corrupção, de aumentar os impostos e gastar abusadamente. Nunca o poder público gastou tanto como nos últimos anos, diz a oposição. O presidente justifica que é necessário suportar as despesas que se concentram em Brasília onde estão as cabeças dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Além do alto comando das Forças Armadas. Há um forte apoio por parte de alguns economistas à ideia de que é preciso gastar para gerar empregos e fazer a economia girar. A ala contrária atribui a isso o aumento da inflação e das taxas de juros nas alturas. O veredicto está nas gôndolas dos supermercados e nos carrinhos que cada vez carregam menos produtos com o mesmo orçamento doméstico.
Há pelo menos dez anos o país é governado graças ao apoio dos partidos de esquerda no Congresso, que têm pautas polêmicas. Uma delas é a defesa do subsolo brasileiro que detém minerais importantes para os países industrializados e que precisam ser preservados. Aumentar a estatização das empresas mineradoras, fortalecer a Petrobras e impedir que o minério seja vendido internacionalmente pelo preço oferecido pelos países compradores. Isso, dizem os políticos, é efeito do imperialismo capitalista, liderado por Tio Sam, que se aproveita do Brasil e de outros países latino-americanos para sugar suas receitas e enviá-las para os Estados Unidos. O maior partido de esquerda tem candidato à presidência da República afinado com essa visão de mundo e promete inflar a proposta nacional-desenvolvimentista. Ela deu certo no passado, por que não na próxima eleição?
A direita precisa de um forte candidato para quebrar o ciclo da esquerda e conquistar a presidência da República. Um político carismático, popular, que fale uma linguagem que o povo entenda e que tenha um passado ligado a governos exitosos. O núcleo duro da direita, liderado por Carlos Lacerda, é a UDN, União Democrática Nacional, que se curva à realpolitik. O Partido Democrata Cristão lança o ex-prefeito e ex-governador de São Paulo, Jânio Quadros, à presidência. É um homem imprevisível, mas faz sua carreira com o símbolo da vassourinha, para varrer a corrupção. Os marqueteiros criam uma musiquinha que “cola” na cabeça do eleitor. O candidato da esquerda, liderada pelo PTB, Partido Trabalhista Brasileiro, associado ao nacionalismo, é o militar Henrique Teixeira Lott. Com Jânio o país vira à direita. Mas não por muito tempo. O vice-João Goulart é apoiado pela esquerda.
* Prof. Heródoto Barbeiro âncora do Jornal Nova Brasil, colunista do R7, apresentou o Roda Viva na TV Cultura, Jornal da CBN e Podcast NEH. Tem livros nas áreas de Jornalismo, História. Midia Training e Budismo. Grande prêmio Ayrton Senna, Líbero Badaró, Unesco, APCA, Comunique-se. Mestre em História pela USP e inscrito na OAB. Palestras e mídia training. Canal no Youtube “Por Dentro da Máquina”, www.herodoto.com.br