Em encontro com Joaquim Arena, no dia 14 de outubro, “Debaixo da nossa pele”, obra escolhida pelo público, será ponto de partida para discutir memória, identidade e as marcas da história colonial
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“O passado, na verdade, ainda não passou.” A afirmação do escritor cabo-verdiano Joaquim Arena sintetiza uma das questões centrais de sua literatura e estará no centro da edição de outubro do Clube de Leitura CCBB 2026, que recebe o autor no dia 14 de outubro, às 17h30, no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB RJ). A obra escolhida pelo público para esse debate foi Debaixo da nossa pele, em votação realizada nos dias 02 e 03 de outubro pelo Instagram @ccbbrj.
Com o tema “Romance histórico: onde a realidade encontra a ficção”, o encontro gratuito propõe uma conversa sobre memória, pertencimento, identidade e as marcas do passado colonial que permanecem no presente. A partir da obra de Arena, o Clube de Leitura aproxima experiências históricas e culturais de Cabo Verde e do Brasil, dois países atravessados por deslocamentos populacionais, encontros entre diferentes culturas e pelas relações entre África e Europa.
Para Arena, a escolha de Debaixo da nossa pele pelo público brasileiro foi uma surpresa positiva. O escritor considera o livro especialmente importante em sua trajetória, por representar um projeto literário que o levou a “viajar no tempo e no espaço”.
Em sua obra, memória pessoal e memória coletiva se entrelaçam. E ele diz que escrever sobre o passado é também uma forma de compreender o presente — e a ficção funciona menos como espaço de respostas do que de perguntas.
“Sou daqueles escritores em que a memória é mais importante do que a imaginação. Esta última não existe sem a primeira. A ficção é um espaço de compreensão da condição humana, mais de questionamento do que de dar respostas”, afirma.
Essa perspectiva também aproxima sua literatura do leitor brasileiro. Segundo Arena, apesar das especificidades de cada país, existem experiências compartilhadas que podem criar reconhecimento entre brasileiros e cabo-verdianos.
“Todos nós temos histórias parecidas, pois somos todos humanos, vivendo nesta época e vivenciando experiências muito parecidas”, observa. Para ele, a formação da sociedade brasileira, marcada por imigração, deslocamentos populacionais e pela construção de novas famílias e comunidades, cria pontos de contato com as questões presentes em sua literatura.
Brasil e Cabo Verde: um território afetivo
A relação entre os dois países também passa pela língua e por uma história cultural compartilhada. Para Arena, “o Brasil é uma espécie de síntese de África e Europa, assim como é um pouco Cabo Verde”.
“Para nós que falamos a língua portuguesa é um universo gigante, um território de afetividade muito grande”, afirma o escritor, que vê no público brasileiro a possibilidade de ampliar a circulação de sua literatura e estabelecer novos diálogos com leitores que compartilham referências culturais e históricas.
A presença de Arena no Clube de Leitura CCBB amplia, assim, o contato do público brasileiro com uma literatura ainda pouco difundida no país e fortalece o diálogo entre as literaturas de língua portuguesa.
Para Suzana Vargas, curadora e mediadora do Clube de Leitura CCBB, o encontro representa justamente essa possibilidade de aproximação.
“Apresentar e trazer Joaquim Arena ao Clube de Leitura CCBB significa colocar nossos leitores em contato com a literatura cabo-verdiana contemporânea, raramente divulgada entre nós. Mas, principalmente, ampliar o diálogo entre as literaturas de língua portuguesa e dar visibilidade a essa voz importante, com obra atravessada pela memória, pela experiência da diáspora e pelas relações entre África e Europa, África e Brasil”, afirma Suzana.
Segundo a curadora, Arena ocupa hoje um lugar de destaque entre os poetas e romancistas de Cabo Verde, e sua produção permite pensar o romance histórico como uma forma de acessar realidades que dificilmente poderiam ser recuperadas apenas pela narrativa autobiográfica ou por outras formas de ficção.
“Arena possui um notável poder de fabulação, criando personagens inesquecíveis como Siríaco, um homem dialético que encarna, ao mesmo tempo, o escravo e o nobre. Suas histórias nos levam a refletir sobre ciência, racismo, colonialismo, apagamento histórico e sobre a permanência do passado colonial na contemporaneidade cabo-verdiana e brasileira”, destaca Suzana.
O que o leitor brasileiro devolve ao escritor?
Se Arena chega ao Brasil trazendo questões sobre memória e identidade, ele também espera sair daqui com novas perguntas. Depois do encontro, gostaria de saber como os leitores brasileiros leram Debaixo da nossa pele e que questionamentos a obra provocou.
A questão dialoga diretamente com sua compreensão da literatura como exercício de alteridade:
“No fundo, escrevemos para tentar compreender a vida, seja a nossa ou da nossa sociedade, numa lógica de alteridade, ou seja, de sairmos da nossa pele e colocarmo-nos na pele das personagens.”
É também uma oportunidade de observar o que acontece quando uma obra atravessa o Atlântico e encontra leitores com outras experiências familiares, históricas e culturais. A expectativa é que o encontro não apenas apresente a literatura de Joaquim Arena ao público brasileiro, mas produza novas perguntas sobre as histórias que herdamos, as que ainda precisam ser contadas e a permanência do passado no presente.
Todos os encontros do Clube de Leitura CCBB ficam disponíveis no canal do Banco do Brasil no YouTube, com tradução em Libras, ampliando o acesso para todo o país.
Durante o período do Defeso Eleitoral, de 04/07 a 25/10, os vídeos do Clube de Leitura permanecerão ocultos no canal do YouTube do Banco do Brasil.
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Com mediação de Suzana Vargas, também curadora do evento, e do poeta Ramon Nunes Mello, a edição de 2026 do Clube de Leitura CCBB segue com o propósito de aproximar as pessoas dos livros de forma afetiva, crítica e plural; fortalecendo esse espaço de escuta, troca e reflexão, mostrando que a leitura pode transformar trajetórias e ampliar horizontes. A edição deste ano amplia o diálogo entre literatura, sociedade, educação e pensamento crítico, reúne autores brasileiros e estrangeiros, pesquisadores, artistas e intelectuais para discutir temas como feminismo, diversidade, memória, meio ambiente, ciência, identidade, antirracismo e bem-estar.
Segundo Suzana Vargas, a programação reflete a complexidade do nosso tempo. “Reunimos vozes femininas, negras, indígenas, LGBTQIA+, autores consagrados e pensadores internacionais para criar um panorama vivo da literatura contemporânea”, destaca.
“Iniciamos com muito fôlego o quinto ano do Clube de Leitura CCBB. A programação de 2026 tem elementos para conectar os leitores brasileiros com sua diversidade, estimulando o diálogo, o gosto pela leitura, o desenvolvimento do repertório cultural e aproximando a Biblioteca Banco do Brasil do público. Instalada no 5º andar do CCBB Rio, hoje nosso acervo disponibiliza mais de 250 mil títulos aos leitores. Outro ponto forte do Clube é sua característica híbrida, que conjuga redes sociais e a oportunidade de um contato mais próximo com os escritores nos encontros presenciais. Um de seus objetivos fundamentais é despertar nos mais jovens a atração pela literatura, o que vemos acontecer gradativamente ao longo dos anos e é muito gratificante. A literatura tem tudo para ser pop, no melhor sentido do termo”, afirma Sueli Voltarelli, Gerente Geral do CCBB Rio de Janeiro.
Sobre o livro:
Debaixo da nossa pele: Joaquim Arena revisita a presença negra na Europa, das grandes navegações ao século XX. Entre história, reportagem, ficção e memória, o autor revela uma “Europa negra” apagada das narrativas oficiais. A partir de viagens por Portugal, arquivos e relatos, reconstrói trajetórias de personagens negros pouco conhecidos. Entre eles, estão João de Sá Panasco, Alexandre Dumas e Abram Petrovich Gannibal. A jornada também se cruza à história da migração cabo-verdiana para Lisboa e à trajetória do próprio autor.
Sobre o convidado
Joaquim Arena é um escritor luso-cabo-verdiano, nascido na ilha de São Vicente, em Cabo Verde, em 1964, filho de pai português e mãe cabo-verdiana. Viveu grande parte da sua vida em Lisboa, Portugal, onde se formou em Direito e iniciou uma carreira em jornalismo. É autor de seis romances, traduzidos em várias línguas, e o seu livro Siríaco e Mister Charles venceu o Prémio Oceanos de Literatura Prosa, em 2023. Foi Conselheiro Cultural do presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, entre 2017 e 2021. Atualmente, reside em Cabo Verde, na cidade de Praia.
Sobre o Clube de Leitura CCBB
Os encontros do Clube acontecem no Salão de Leitura da Biblioteca Banco do Brasil, localizada no quinto andar do CCBB Rio, até dezembro, sempre na segunda quarta-feira de cada mês, com entrada gratuita, mediante retirada dos ingressos na bilheteria do CCBB RJ ou pelo site bb.com.br/cultura. A mediação é da curadora Suzana Vargas e do poeta Ramon Nunes Mello e o microfone será aberto para a plateia nos 30 minutos finais dos encontros.
A gravação integral será disponibilizada no canal do Banco do Brasil no YouTube, na semana seguinte ao evento. Mais de 3.500 pessoas participaram presencialmente entre 2022 e 2025 e foram feitos milhares de acessos na playlist do Clube. A edição do ano passado recebeu os escritores Igiaba Scego e Márcia Tiburi ; Ney Matogrosso; Juliana Dal Piva e Marcelo Rubens Paiva ; José Miguel Wisnik ; Carla Madeira ; Márcia Kambeba e Daniel Munduruku ; Arthur Nogueira; Scholastique Mukasonga ; Nei Lopes, Luiz Antonio Simas e Gênesis; Gilda Santos, Geraldo Carneiro e Caetano Galindo ; e Monja Coen e Leonardo Boff.
A Biblioteca Banco do Brasil foi fundada em 1931, voltada para as áreas de Administração, Finanças e Economia. Com a criação do Centro Cultural, em 1989, o acervo foi ampliado para as áreas de Artes, Literatura e Ciências Sociais e hoje possui mais de 250 mil exemplares, em constante atualização, ocupando todo o quinto andar deste prédio centenário.
Sobre os mediadores
Suzana Vargas é poeta, ensaísta, escritora e professora e mestre em Teoria Literária pela UFRJ. Publicou 16 livros, entre os quais Caderno de Outono, finalista do prêmio Jabuti. Tem poemas traduzidos em países como Itália, Estados Unidos, Espanha, Alemanha e França. Fez a curadoria de importantes projetos literários para feiras e eventos nacionais e internacionais como as Bienais do Livro do Amazonas, do Rio de Janeiro e de São Paulo, a Primavera dos Livros, a campanha Paixão de Ler e os Encontros com a Literatura Latino-Americana do Centro Cultural do Banco do Brasil. Assina a coluna mensal “Escrever para Lembrar” no portal Publishnews - 2021. Há 29 anos criou e coordena o espaço de oficinas de criação literária Estação das Letras, único no país.
Ramon Nunes Mello é poeta, escritor e ativista dos direitos humanos. Autor dos livros Vinis mofados, Poemas tirados de notícias de jornal, Há um mar no fundo de cada sonho e A menina que queria ser árvore. Organizou “Tente entender o que tente dizer: poesia + HIV / Aids” (2018), “Ney Matogrosso, Vira-Lata de Raça – memórias” (2018) e “Escolhas, autobiografia intelectual de Heloisa Buarque de Hollanda”. Poeta convidado do Rio Occupation London no Battersea Arts Centre (Londres, 2012) e da Festa Literária Internacional de Paraty (2016).
Sobre o CCBB RJ
Inaugurado em 12 de outubro de 1989, o Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro marca o início do investimento do Banco do Brasil em cultura. Instalado em um edifício histórico, projetado pelo arquiteto do Império, Francisco Joaquim Bethencourt da Silva, é um marco da revitalização do centro histórico da cidade do Rio de Janeiro. São 37 anos ampliando a conexão dos brasileiros com a cultura com uma programação relevante, diversa e regular nas áreas de artes visuais, artes cênicas, cinema, música e ideias. Quando a cultura gera conexão ela inspira, sensibiliza, gera repertório, promove o pensamento crítico e tem o poder de impactar vidas. A cultura transforma o Brasil e os brasileiros e o CCBB promove o acesso às produções culturais nacionais e internacionais de maneira simples, inclusiva, com identificação e representatividade que celebram a pluralidade das manifestações culturais e a inovação que a sociedade manifesta. Acessível, contemporâneo, acolhedor, surpreendente: pra tudo que você imaginar.
Serviço:
Clube de Leitura CCBB – edição outubro de 2026
Tema: Romance histórico: onde a realidade encontra a ficção.
Convidados: Joaquim Arena
Mediação: Suzana Vargas e Ramón Nunes Melo
Encontro presencial: 14 de outubro de 2026
Horário: 17h30
Entrada gratuita: Ingressos disponíveis na bilheteria do CCBB ou pelo site bb.com.br/cultura a partir das 9h do dia do encontro.
Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Primeiro de Março, 66, Centro, Rio de Janeiro/RJ.
Biblioteca Banco do Brasil – 5º andar
Contato: 21 3808-2020 | ccbbrio@bb.com.br
Mais informações em bb.com.br/cultura
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