Informes - GERAIS

Dra. Mayna Zupelli fala sobre como romper ciclos emocionais transforma mulheres e gerações

9 de Outubro de 2026

Psicóloga e psicanalista analisa a origem de dores que atravessam histórias familiares, orientando como o autoconhecimento, a consciência e a imposição de limites saudáveis ajudam mulheres a construir uma vida mais leve e inteira

Foto: Divulgação

Existem dores que não começam no presente. Muitas vezes, elas atravessam histórias familiares, influenciam escolhas, moldam relacionamentos e permanecem ativas mesmo quando a pessoa acredita que já deixou determinadas experiências para trás. Para a psicóloga e psicanalista Dra. Mayna Zupelli Ferreira, compreender esses padrões é um dos caminhos para que mulheres deixem de apenas sobreviver emocionalmente e passem a construir uma vida mais consciente, saudável e inteira.

Psicóloga, psicanalista, mentora e palestrante, a Dra. Mayna construiu sua atuação a partir de 19 anos de experiência clínica e também de sua própria trajetória pessoal. Seu trabalho é direcionado especialmente às mulheres e aborda identidade, feridas emocionais, relacionamentos, limites, maternidade, padrões familiares, autoconhecimento e transformação.

Desde a infância, ela conta que observava atentamente as relações ao seu redor. Algumas experiências familiares despertaram nela o desejo de compreender por que determinados comportamentos se repetiam e, principalmente, se seria possível construir uma história diferente.

"Eu olhava para algumas situações que vivia e pensava: ‘Quando eu crescer, quero construir uma história diferente’. Queria ter um casamento diferente, viver relações mais saudáveis e compreender por que as pessoas agiam daquela forma", relembra. A inquietação se transformou em busca e, posteriormente, em profissão. "Eu não queria apenas enxergar o que estava acontecendo. Queria compreender o que existia por trás. De alguma forma, isso foi me conduzindo para aquilo que faço hoje."

Compreender a própria história pode ser o início da mudança

Ao longo de sua trajetória profissional e de seu próprio processo de análise, a Dra. Mayna percebeu que muitos comportamentos aparentemente isolados estão relacionados a experiências anteriores, crenças, medos e mecanismos de proteção desenvolvidos ao longo da vida.

"Trazer à consciência o que antes estava oculto despertou ainda mais a minha busca por uma vida mais harmoniosa comigo mesma e com o outro. Eu nunca me satisfiz com o pouco quando sabia que poderia viver de maneira mais inteira, consciente e saudável", afirma.

Para a psicóloga, olhar para o passado não significa permanecer preso a ele. O objetivo é compreender de que maneira experiências antigas continuam influenciando escolhas, relacionamentos e reações no presente. Foi nesse processo que uma ideia ganhou força em sua atuação: padrões aprendidos ou normalizados dentro de uma família não precisam necessariamente continuar sendo reproduzidos.

"Eu observava famílias que viviam com mais harmonia e comparava com dificuldades que eu mesma havia vivido. Foi crescendo dentro de mim uma certeza: podemos quebrar ciclos que nos adoecem", explica.

Essas repetições podem aparecer de diferentes formas. Algumas mulheres escolhem relacionamentos semelhantes aos que as machucaram anteriormente, têm dificuldade em estabelecer limites, convivem constantemente com culpa ou passam a enxergar a si mesmas a partir das experiências dolorosas que viveram.

Romper um ciclo começa pela consciência

Na visão da Dra. Mayna, a mudança geralmente começa quando a pessoa percebe que não deseja continuar vivendo da mesma forma.

"A pessoa chega a um momento em que percebe que não suporta mais viver com as mesmas dores, os mesmos pensamentos e os mesmos padrões. A partir daí, começa um processo de consciência", afirma.

Esse caminho envolve reconhecer feridas, compreender as crenças construídas a partir delas e diferenciar aquilo que faz parte da identidade da mulher daquilo que foi desenvolvido como uma forma de sobrevivência emocional. Muitas vezes, explica a psicóloga, uma experiência de abandono, rejeição, insegurança ou medo produz conclusões internas que permanecem por anos. A pessoa pode acreditar que precisa aceitar determinadas relações, que deve agradar constantemente ou que demonstrar vulnerabilidade é perigoso.

"É preciso compreender quem essa mulher realmente é e o que foi sendo construído a partir daquilo que ela viveu. Quando existe consciência, começam a surgir novas possibilidades de escolha", explica. A partir desse entendimento, a transformação também começa a aparecer nas atitudes: na forma de se relacionar, de estabelecer limites, de lidar com conflitos e de escolher aquilo que aceita ou não para a própria vida.

Quando a força também pode ser uma forma de proteção

Um dos pontos observados pela Dra. Mayna em sua atuação é que nem sempre uma mulher aparentemente forte está emocionalmente bem. Algumas aprenderam a lidar com experiências difíceis tornando-se extremamente independentes e evitando qualquer situação que possa colocá-las em posição de vulnerabilidade. Isso não significa que independência seja um problema; a questão surge quando a necessidade de não precisar de ninguém se transforma em um mecanismo para evitar novas dores.

"Muitas mulheres se escondem atrás da força, da independência e da imagem de que são muito bem resolvidas. Em alguns casos, existe uma mensagem interna parecida com: ‘Se eu não precisar de ninguém, ninguém poderá me ferir novamente’", explica.

Por fora, elas podem continuar desempenhando suas funções normalmente: trabalham, cuidam dos filhos, administram a casa, mantêm relacionamentos e assumem inúmeras responsabilidades. Internamente, porém, podem conviver com angústia, insegurança, medo, tristeza e culpa.

"São mulheres que chegam se sentindo perdidas. Muitas vezes, nem conseguem identificar de onde vem a angústia. Carregam tristeza, medo, insegurança e, em muitos casos, uma maternidade marcada pela culpa", relata. Por isso, aprender a reconhecer e nomear aquilo que está sendo sentido pode ser parte importante do processo.

Foto: Divulgação

Vulnerabilidade não é sinônimo de fraqueza

Para a Dra. Mayna, fortalecimento emocional não significa suportar tudo sozinha. Uma mulher que desenvolve maior consciência sobre si mesma também pode reconhecer limites, pedir ajuda e permitir-se ser cuidada.

"Uma mulher emocionalmente fortalecida não precisa provar o tempo todo que é forte. Ela não tem medo de ser vulnerável, porque entende que vulnerabilidade não é fraqueza. É ter segurança suficiente para reconhecer o que sente e pedir ajuda quando precisa", afirma.

Ela compara o processo terapêutico ao cuidado com uma ferida física. Antes de cicatrizar, o machucado precisa ser visto e tratado. Com as experiências emocionais, ocorre algo semelhante.

"Cuidar pode doer. Tocar pode ser desconfortável. Mas depois fica a cicatriz. A história continua existindo, só que já não precisa controlar a sua vida da mesma forma", explica. Nesse sentido, terapia não significa apagar aquilo que aconteceu. O objetivo é elaborar experiências e reduzir o poder que elas continuam exercendo sobre o presente.

Por que olhar para si mesma pode ser tão difícil

A Dra. Mayna observa que muitas pessoas conseguem identificar rapidamente aquilo que o outro deveria mudar, mas encontram resistência quando precisam olhar para dentro de si. Para ela, isso acontece porque autoconhecimento também implica responsabilidade.

"É muito mais fácil dizer o que o outro precisa fazer. Às vezes, quando alguém diz ‘eu não tenho problema nenhum, não preciso de terapia’, pode existir também o medo de acessar algo que ficou guardado durante muitos anos. Porque acessar significa reconhecer, e reconhecer pode trazer a necessidade de mudar", explica.

A psicóloga ressalta que assumir responsabilidade sobre a própria vida não significa assumir culpa pelo que aconteceu. Há experiências que não foram escolhidas e dores provocadas por outras pessoas. A responsabilidade está naquilo que será feito a partir do momento em que esses padrões são reconhecidos.

Terapia e mentoria cumprem funções diferentes

Além da clínica, a Dra. Mayna também atua com mentorias direcionadas ao desenvolvimento feminino. Ela ressalta, porém, que as duas propostas têm objetivos diferentes:

"No processo terapêutico, vamos para um lugar mais profundo e individual. Buscamos compreender a história daquela mulher, suas feridas, padrões, comportamentos e conteúdos que muitas vezes estão ocultos, mas continuam influenciando sua vida", explica. Já na mentoria, o direcionamento está mais relacionado ao desenvolvimento, às ferramentas e às estratégias necessárias para alcançar determinado objetivo.

"A terapia trabalha profundamente aquilo que precisa ser compreendido e elaborado. A mentoria oferece direcionamento e ferramentas para aquilo que a mulher deseja desenvolver", resume. Para Mayna, deixar clara essa diferença é também uma forma de respeitar a finalidade e os limites de cada trabalho.

19 anos de consultório construíram uma forma própria de escuta

Ao longo de quase duas décadas de atuação clínica, a Dra. Mayna afirma ter desenvolvido uma forma de conduzir seus atendimentos que combina conhecimento técnico, experiência e atenção à individualidade de cada pessoa.

"Sou psicóloga com formação em Psicanálise e acredito profundamente que grande parte do processo acontece na relação entre paciente e psicólogo, na troca, no vínculo, no acolhimento e na maneira como abordamos aquilo que dói", afirma. Para ela, a formação profissional é indispensável, mas a dimensão humana também ocupa um lugar central no cuidado. "Existe algo que nenhuma formação ensina: é preciso amar muito o que se faz. Amar pessoas, respeitar histórias e acreditar que sempre existe algo que pode ser compreendido e transformado."

Essa experiência construída no consultório também passou a influenciar sua atuação como palestrante e comunicadora.

Da clínica para as palestras e redes sociais

Ao ampliar sua atuação para palestras, a Dra. Mayna encontrou uma forma de levar reflexões que antes aconteciam individualmente no consultório para grupos maiores de mulheres.

"Consigo falar com muitas mulheres ao mesmo tempo, mas gosto de fazer com que cada uma sinta que estou falando diretamente com ela", diz. Segundo a psicóloga, a experiência clínica contribuiu para desenvolver uma escuta mais sensível às dores que nem sempre são facilmente expressadas. "Muitas vezes, enquanto estou falando, consigo perceber dores que aquela mulher ainda nem conseguiu nomear. Uma palestra faz sentido para mim quando ela sai dali enxergando algo que não enxergava quando chegou", afirma.

Nas redes sociais, a proposta segue a mesma direção: a psicóloga busca transformar conhecimentos relacionados à saúde emocional em uma linguagem acessível, ajudando mulheres a reconhecer comportamentos e questionar padrões que podem estar afetando suas vidas.

A mudança de uma mulher também pode alcançar suas relações

Um dos pilares da atuação da Dra. Mayna é a compreensão de que uma transformação emocional não acontece de maneira isolada. Mudanças internas também interferem na forma como a mulher se relaciona com os filhos, com o parceiro, com a família e consigo mesma.

"Quando uma mulher está emocionalmente bem, isso se reflete na maneira como ela se relaciona, cuida, ama e influencia o ambiente ao seu redor", afirma. É dessa visão que surge uma das mensagens presentes em seu trabalho: “Mulheres curadas, gerações transformadas.”

Ao utilizar a palavra “cura”, Mayna se refere a um processo de consciência, elaboração e transformação emocional, e não a uma promessa de ausência definitiva de dor.

"Uma mulher ferida, muitas vezes, fere. Mas uma mulher que cuida das próprias feridas começa a se posicionar de outra forma. Aprende a colocar limites sem precisar machucar o outro, reconhece seu valor e deixa de se contentar com relações rasas", explica. A mudança também pode gerar novos referenciais dentro da família: filhos que convivem com formas mais saudáveis de comunicação, limites e resolução de conflitos passam a ter contato com modelos diferentes daqueles que talvez tenham atravessado gerações anteriores.

Fé e Psicologia podem caminhar juntas respeitando seus espaços

Cristã, a Dra. Mayna também compartilha sua fé e considera a espiritualidade uma dimensão importante de sua própria vida. Ao mesmo tempo, ressalta a responsabilidade de diferenciar suas crenças pessoais de sua atuação profissional.

"A minha fé faz parte de quem eu sou. Naturalmente, ela está presente na maneira como enxergo a vida e o ser humano. Ao mesmo tempo, tenho muita clareza e responsabilidade sobre o meu lugar como psicóloga", afirma. Segundo ela, cada paciente precisa ser respeitado em sua individualidade, incluindo suas crenças e valores. "A minha fé não é algo que imponho. Ela é um fundamento que sustenta os meus próprios valores e também a maneira como acolho e cuido do outro."

Na visão da psicóloga, compreender o indivíduo de forma integral também envolve reconhecer que diferentes dimensões podem ter importância na vida de cada pessoa. "Para mim, fé e conhecimento não precisam competir. Eles podem caminhar juntos, cada um ocupando o seu devido lugar."

Mais consciência também muda a forma como a mulher se enxerga

Entre as transformações observadas pela Dra. Mayna ao longo dos acompanhamentos está uma mudança na percepção que a mulher desenvolve sobre si própria. Com maior consciência de sua história e de seus padrões, ela pode aprender a estabelecer limites com menos culpa, desenvolver segurança para se posicionar e fazer escolhas menos guiadas pelo medo.

"Ela começa a se enxergar de verdade. Aprende a colocar limites sem culpa, se posiciona com mais segurança e deixa de aceitar o raso", afirma. Para a psicóloga, um dos sinais mais significativos dessa transformação é quando a mulher recupera a possibilidade de viver com mais leveza. "Ela se torna mais leve, segura e inteira. Não precisa provar nada o tempo todo. E essa transformação interna muda também aquilo que ela transmite para as pessoas ao redor."

Conhecimento, testemunho e transformação

Ao longo dos anos, a Dra. Mayna ampliou sua atuação para além do consultório por meio das palestras, mentorias e redes sociais. Seu objetivo é fazer com que o conhecimento alcance também mulheres que talvez ainda não consigam identificar aquilo que estão vivendo.

"O conhecimento é libertador. Hoje, consigo alcançar milhares de mulheres que muitas vezes estão presas dentro de si mesmas, carregando dores, feridas e padrões que ainda não conseguem reconhecer ou nomear", afirma. Mayna também relaciona esse propósito à própria fé e àquilo que entende como parte de sua missão: ser um canal de transformação por meio do conhecimento e de seu testemunho. Seu desejo é mostrar que uma história difícil não precisa determinar todos os capítulos seguintes.

"Quero mostrar a essas mulheres que existe outro caminho. Que elas podem compreender a própria história, trazer consciência para aquilo que as aprisiona e começar a fazer escolhas diferentes."

Para a Dra. Mayna, esse é o legado que ela já está construindo como psicóloga. "Quando uma mulher compreende que não precisa continuar vivendo presa àquilo que viveu, ela deixa de apenas sobreviver e começa a viver de maneira mais inteira. Quero ser canal para que milhares de mulheres encontrem um caminho de liberdade e transformação."

Com 19 anos de experiência clínica e uma atuação que hoje também alcança palestras, mentorias e redes sociais, a Dra. Mayna Zupelli Ferreira tem ampliado o diálogo sobre saúde emocional, identidade, relacionamentos e padrões familiares, conectando sua experiência profissional a uma comunicação voltada especialmente às mulheres que desejam compreender a própria história e construir novas possibilidades para o futuro.

Para acompanhar o trabalho da Dra. Mayna Zupelli Ferreira, suas reflexões e conteúdos sobre saúde emocional, identidade feminina, relacionamentos, família e desenvolvimento pessoal, acesse o perfil no Instagram: @maynazupelliferreira.

Comentários
Assista ao vídeo