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Dra. Amanda Abou explica por que uma defesa no Júri começa muito antes do plenário

9 de Outubro de 2026

Advogada criminalista construiu sua trajetória atuando em diferentes fases do processo penal, com destaque para o Tribunal do Júri e Habeas Corpus, defendendo uma atuação baseada em técnica, posicionamento e preparação

Foto: Divulgação

Existem áreas do Direito em que o conhecimento técnico é indispensável. No Tribunal do Júri, porém, ele precisa dividir espaço com preparo emocional, leitura de ambiente, estratégia e capacidade de comunicação. É nesse cenário que a Dra. Amanda Abou construiu grande parte de sua atuação como advogada criminalista, acompanhando processos desde a prisão em flagrante até instâncias superiores e encontrando no plenário uma das áreas pelas quais desenvolveu maior identificação profissional.

Para ela, a escolha pelo Direito Criminal nasceu da percepção de que muitas pessoas envolvidas em processos penais não tinham acesso a uma defesa especializada e tecnicamente preparada.

"Parece clichê, mas não fui eu quem escolheu o Criminal. Foi ele que me escolheu. Quando percebi que era uma área em que muitas pessoas mais humildes não tinham condições de contar com um advogado capacitado, decidi que queria ser esse tipo de profissional e entregar excelência mesmo para quem possui menos recursos", conta a Dra. Amanda.

Dentro dessa trajetória, o Tribunal do Júri acabou se tornando uma de suas maiores paixões justamente por reunir técnica, estratégia e a responsabilidade de construir uma defesa diante de pessoas que terão participação direta na decisão.

"Eu escolhi atuar em todas as fases do processo criminal. O Tribunal do Júri se encaixa nesse amor por fazer justiça e garantir que o cliente tenha uma defesa grandiosa", explica a advogada. Para ela, essa atuação exige uma leitura completa do processo e uma preparação que começa muito antes do momento de entrar em plenário.

Uma mulher em um ambiente ainda predominantemente masculino

Embora a presença feminina tenha crescido na advocacia criminal, a Dra. Amanda observa que o Tribunal do Júri ainda permanece como um espaço predominantemente masculino. Em sua experiência profissional, essa realidade aparece não apenas entre os advogados, mas também em diferentes funções presentes no plenário, desde integrantes do Ministério Público e magistrados até servidores e, em muitos casos, os próprios jurados.

"É uma das áreas mais masculinas dentro do Criminal. Em muitos processos, encontramos uma presença predominantemente masculina entre advogados, membros do Ministério Público, magistrados, servidores e até jurados", relata. Para a Dra. Amanda, essa realidade exige que a profissional esteja ainda mais preparada para demonstrar segurança, domínio técnico e firmeza desde o primeiro contato com o cliente.

Ela reconhece que situações explícitas de preconceito não representam a maioria de suas experiências, mas acredita que mulheres ainda precisam demonstrar competência constantemente em espaços historicamente ocupados por homens.

"Muitas vezes precisamos provar primeiro que sabemos, mostrar que temos conteúdo jurídico e que vamos atuar com garra. Depois disso vem a confiança", comenta. Segundo ela, a postura profissional, o conhecimento do processo e a forma como a advogada se apresenta acabam sendo determinantes para romper essa primeira barreira.

Foto: Divulgação

O plenário também construiu sua autoridade profissional

A atuação no Tribunal do Júri trouxe para a Dra. Amanda algo que dificilmente poderia ser demonstrado apenas por meio de currículo ou redes sociais: a possibilidade de ser observada exercendo a profissão em tempo real. Clientes, familiares e outras pessoas presentes conseguem acompanhar sua forma de argumentar, reagir e conduzir uma defesa, o que acabou contribuindo também para a construção de sua autoridade profissional.

"Estar em plenário me abriu muitas portas porque as pessoas conseguem me ver atuando e compreender a minha capacidade de defesa", conta. Essa exposição, entretanto, também aumenta a responsabilidade, especialmente quando o processo possui maior repercussão pública. Para a advogada, atuar em casos que despertam atenção faz com que as expectativas sobre seu trabalho também cresçam e, consequentemente, exige ainda mais preparação para as próximas atuações.

"Quando você atua em um caso de grande repercussão, isso naturalmente traz visibilidade e as pessoas passam a esperar cada vez mais do seu trabalho. Essa expectativa exige ainda mais preparação", destaca a Dra. Amanda, que considera o plenário um espaço em que a reputação profissional é construída a cada atuação.

Posicionamento, ética e garra dentro do Tribunal do Júri

Quando questionada sobre quais características considera fundamentais para um advogado que deseja atuar no Júri, a Dra. Amanda aponta três pilares: posicionamento, ética e garra. Para ela, o posicionamento aparece na maneira de falar, agir e se comportar diante dos diferentes momentos de um julgamento, enquanto a ética está diretamente relacionada à forma como o profissional orienta o cliente e seus familiares, principalmente porque nenhum advogado pode prometer previamente o resultado de um processo

Já a garra surge da responsabilidade assumida no momento em que uma pessoa confia sua defesa ao profissional.

"Posicionamento é saber como se portar, falar e agir. Ética é saber passar as informações para o cliente e para a família, entendendo que não podemos prever ou garantir resultado. E garra é lembrar que aquela pessoa confiou a defesa dela a você e, naquele momento, você precisa lutar com todas as possibilidades existentes", explica.

Para a criminalista, o Tribunal do Júri exige justamente essa combinação entre domínio técnico, capacidade de comunicação e segurança para tomar decisões sob pressão. "Tribunal do Júri não é um ambiente para quem tem medo", resume.

No Júri, conhecer a lei não é suficiente

Uma das principais diferenças do Tribunal do Júri em relação a outras etapas do processo criminal está no público responsável pela decisão. Os jurados não precisam possuir formação jurídica, o que significa que o advogado não pode depender exclusivamente de termos técnicos ou de uma argumentação construída apenas para profissionais do Direito.

"Júri não é só tese e conhecimento jurídico. Também é sensibilidade. Precisamos saber conversar com os jurados e encontrar a maneira certa de apresentar aquela história", explica a Dra. Amanda. Para ela, o profissional precisa transformar um processo muitas vezes extenso e tecnicamente complexo em uma narrativa compreensível, sem perder a precisão jurídica ou simplificar aquilo que é essencial à defesa.

"Muitas das pessoas que estão ali não conhecem a lei profundamente. Elas precisam compreender o lado do cliente, o contexto daquela situação e o que está sendo defendido. Isso vai muito além de palavras técnicas ou do juridiquês utilizado em outros processos", afirma. Segundo a advogada, essa capacidade de comunicação não substitui o conhecimento jurídico, mas só funciona quando existe uma preparação profunda por trás do que será apresentado.

Um julgamento começa muito antes de entrar no plenário

Para a Dra. Amanda, uma das partes mais importantes da atuação no Tribunal do Júri acontece longe do plenário. É durante a preparação que o advogado precisa conhecer integralmente o processo, entender as provas, revisar os depoimentos, acompanhar manifestações do Ministério Público, analisar decisões judiciais e antecipar os pontos que poderão surgir durante o julgamento.

"Júri é conhecimento. Na preparação eu preciso saber exatamente tudo o que existe naquele processo. Não há espaço para entrar sem conhecer profundamente o caso", explica. Embora nenhum julgamento seja completamente previsível, a preparação permite ao profissional reagir de maneira mais segura quando surge uma situação inesperada.

A Dra. Amanda conta que seu estudo envolve desde as provas juntadas ao processo até os depoimentos e decisões produzidas ao longo do caso.

"É necessário saber tudo o que aconteceu. As provas, os depoimentos, as manifestações, as decisões. É isso que permite uma defesa plena e diminui a possibilidade de ser surpreendido sem saber como agir diante de uma adversidade", observa. Para ela, uma estratégia consistente não começa no discurso final, mas na leitura minuciosa de cada detalhe desde o primeiro contato com o processo.

Cada processo criminal exige conhecimento específico

A especialização é um dos pontos que a Dra. Amanda considera mais importantes dentro da advocacia criminal. Segundo ela, um problema recorrente está na atuação de profissionais que ingressam em processos penais sem conhecer suficientemente as particularidades daquela área, o que pode comprometer escolhas importantes ao longo da defesa.

"Cada processo, cada área e cada lei possuem especificidades. O advogado tem obrigação de conhecer aquilo em que está atuando", afirma. Isso se torna ainda mais relevante porque o Direito Criminal reúne diferentes momentos e estratégias. Uma prisão em flagrante exige uma atuação diferente de uma ação penal já em andamento, assim como o Tribunal do Júri demanda preparação distinta de uma medida levada aos tribunais superiores.

Para a advogada, isso não significa que exista uma única maneira correta de atuar, mas que o profissional precisa compreender profundamente os instrumentos jurídicos que decide utilizar. "A técnica e a estratégia fazem diferença. Não é simplesmente fazer. É saber o que pedir, como pedir e quando fazer", destaca.

Habeas Corpus exige análise e estratégia

Entre os instrumentos presentes em sua atuação, o Habeas Corpus ocupa espaço importante. A Dra. Amanda explica que ele pode ser utilizado em situações envolvendo constrangimento ilegal relacionado à liberdade de locomoção, mas ressalta que seu uso precisa estar diretamente ligado às circunstâncias concretas do processo.

"O Habeas Corpus é uma ferramenta muito importante quando identificamos uma ilegalidade e precisamos buscar o reconhecimento daquele direito. Mas ele precisa ser utilizado de forma estratégica", explica. Segundo a criminalista, uma das utilizações mais conhecidas está relacionada a pedidos que podem resultar na liberdade do cliente, mas a análise não pode ser reduzida apenas à ideia de “soltar alguém”.

"Ele pode ser utilizado para combater um constrangimento ilegal e, dependendo do caso concreto, a consequência pode ser a liberdade. Por isso é preciso entender exatamente qual é o problema jurídico que está sendo discutido", esclarece. É justamente nesse ponto que, para a Dra. Amanda, técnica e estratégia voltam a caminhar juntas, porque não basta escolher o instrumento jurídico correto sem saber fundamentá-lo e utilizá-lo no momento adequado.

"Não é simplesmente entrar com uma medida. A forma como você fundamenta, aquilo que pede e o momento em que apresenta fazem diferença", reforça.

Estratégia não significa aplicar a mesma tese a todos os clientes

Apesar de existirem procedimentos jurídicos comuns, a Dra. Amanda rejeita a ideia de conduzir processos criminais por meio de fórmulas prontas. Cada caso, segundo ela, precisa ser analisado de maneira independente, levando em consideração as provas existentes, os depoimentos, os riscos e os elementos que podem favorecer ou prejudicar a defesa.

"Eu analiso cada detalhe, cada depoimento e cada ponto que pode ser utilizado contra ou a favor do cliente. Avalio o que pode ser falado, o que precisa ser trabalhado e quais são os riscos daquela situação", conta. A partir dessa leitura, os principais cenários são apresentados ao cliente e a estratégia passa a ser construída de acordo com as particularidades daquele processo.

"Colocamos os pontos principais para o cliente e avaliamos qual é o melhor caminho, qual tese pode ser utilizada e como essa defesa deve ser conduzida desde o primeiro momento", explica. Para a advogada, individualizar a defesa também significa compreender que cada pessoa chega ao escritório com uma história diferente e que, por trás dos autos, existe uma família vivendo as consequências daquele processo.

Uma carreira construída sem atalhos

A trajetória profissional da Dra. Amanda também ocupa um espaço importante na maneira como ela enxerga a própria atuação. Ela conta que começou a construir sua carreira sem depender de grandes escritórios, indicações ou estruturas que abrissem portas automaticamente. Nesse caminho, teve ao lado a mãe, Dra. Edna, também advogada, com quem passou a atuar e compartilhar os primeiros passos da vida profissional.

"Trago comigo a trajetória de uma menina que precisou construir sua carreira sem indicações ou escritório parceiro. Comecei atuando junto com a minha mãe, a Dra. Edna, e a partir daí fui construindo meu espaço exclusivamente na área que amo, que é o Criminal", relembra.

Essa origem influencia diretamente a forma como deseja ser reconhecida profissionalmente. Mais do que ser lembrada apenas pelos processos em que atuou, ela busca construir uma trajetória ligada à maneira como trata clientes, familiares e cada caso que chega ao escritório.

"Quero ser lembrada exatamente pela forma como trabalho, de onde vim e até onde quero chegar. Quero que as pessoas possam olhar para a minha trajetória e entender que é possível construir o próprio caminho", afirma. A criminalista resume essa visão em dois valores que procura carregar tanto na vida profissional quanto pessoal: humildade para reconhecer a própria origem e sabedoria para compreender que ainda existe muito a construir.

Foto: Divulgação

Uma advocacia criminal baseada em técnica, presença e responsabilidade

A experiência no Tribunal do Júri ensinou à Dra. Amanda Abou que uma defesa não se resume ao momento em que o advogado se levanta para falar diante dos jurados. Ela começa no estudo do processo, passa pela compreensão das provas, pela escolha da estratégia, pela relação construída com o cliente e pela capacidade de reagir quando aquilo que estava planejado toma um rumo diferente.

Da mesma forma, instrumentos como o Habeas Corpus precisam ser utilizados dentro de uma leitura cuidadosa do processo, sem fórmulas automáticas ou promessas de resultado. Para a Dra. Amanda, é justamente esse conjunto que sustenta sua forma de exercer a advocacia criminal e permite que cada caso seja tratado de acordo com suas próprias particularidades.

"Cada cliente, cada família e cada processo são únicos. Eu quero atuar sempre com respeito e determinação, sabendo da responsabilidade que existe quando alguém coloca a própria defesa em nossas mãos", conclui.

Para acompanhar o trabalho da Dra. Amanda Abou e acessar conteúdos sobre Tribunal do Júri, Direito Criminal e Habeas Corpus, acesse o perfil no Instagram: @amandaabou.adv.

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