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Dra Gabriela Martins explica por que doenças invisíveis ainda desafiam o acesso a benefícios do INSS

9 de Outubro de 2026

Com mais de 14 anos de atuação no Direito Previdenciário e milhares de benefícios acompanhados, a advogada explica como depressão, fibromialgia, dores crônicas e outras condições podem afetar adultos, idosos, crianças e adolescentes, mesmo quando suas limitações não são facilmente percebidas

Foto: Divulgação

Existem doenças que alteram profundamente a rotina de uma pessoa sem necessariamente produzir sinais visíveis para quem está ao redor. Depressão, fibromialgia, dores crônicas e outras condições podem comprometer o trabalho, a autonomia e até a participação na vida social, mas ainda encontram obstáculos quando chega o momento de demonstrar essas limitações perante o INSS.

É justamente nesse universo que a Dra. Gabriela Martins concentrou parte importante de sua atuação ao longo de mais de 14 anos trabalhando com aposentadorias e benefícios. Depois de acompanhar milhares de casos, percebeu que pessoas com condições pouco visíveis enfrentavam uma dificuldade adicional: além de conviverem com a doença, precisavam demonstrar juridicamente algo que nem sempre pode ser percebido externamente.

Foto: Divulgação

“São pessoas que muitas vezes convivem com dores ou limitações profundas e têm dificuldade até para explicar o quanto aquela condição interfere na própria vida. Por isso, escutar, compreender a história e orientar adequadamente cada caso faz tanta diferença”, explica a advogada.

Para a Dra. Gabriela, a atuação nesses processos exige mais do que reunir documentos. É preciso entender a doença, a atividade profissional exercida, a realidade familiar, o histórico de tratamento e a maneira concreta pela qual aquela condição repercute na vida da pessoa. Em muitos casos, compreender o contexto é justamente o que permite identificar qual benefício pode ser aplicável e quais elementos precisarão ser demonstrados ao longo do processo.

Ter uma doença não significa automaticamente ter direito a um benefício

Uma das principais dúvidas de quem recebe o diagnóstico de uma doença incapacitante é se a própria condição já seria suficiente para garantir algum benefício.

Segundo a advogada, a resposta depende de uma análise muito mais ampla.

“Não basta simplesmente existir um diagnóstico. É necessário demonstrar qual impedimento aquela condição provoca e de que maneira ela prejudica a pessoa no trabalho ou, dependendo do benefício analisado, em sua participação na vida social”, explica.

Isso significa que duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem apresentar situações completamente diferentes. A profissão exercida, a intensidade dos sintomas, o histórico médico, a duração da incapacidade, as contribuições previdenciárias e até a realidade socioeconômica podem interferir na análise.

É por esse motivo que a Dra. Gabriela evita tratar os pedidos de forma padronizada. “Cada situação é única e pede um caminho próprio. Precisamos saber se a pessoa contribui para o INSS, há quanto tempo enfrenta aquela condição, qual atividade exerce, de que forma a doença interfere nessa atividade e, em determinados casos, qual é a realidade do grupo familiar”, destaca.

Dependendo da situação, a análise pode envolver benefícios por incapacidade temporária ou permanente, além de benefícios assistenciais quando os requisitos específicos forem preenchidos. A definição depende do histórico de contribuições, do impedimento apresentado, da duração do quadro e, em algumas situações, da condição socioeconômica da família.

Para a advogada, é justamente essa análise mais profunda que evita que o pedido seja formulado de maneira genérica. Em vez de olhar apenas para o nome da doença, é necessário compreender quais consequências ela trouxe para aquela pessoa e quais critérios precisam ser preenchidos de acordo com o benefício pretendido.

Foto: Divulgação

O diagnóstico é apenas o começo da análise

Entre ter uma doença diagnosticada e conseguir demonstrar juridicamente uma incapacidade existe uma distância importante.

Na prática, o diagnóstico identifica a condição de saúde. Já a análise previdenciária precisa compreender quais limitações ela provoca naquela pessoa específica, especialmente diante da atividade profissional exercida e das exigências presentes em sua rotina.

A Dra. Gabriela utiliza o exemplo de trabalhadores que dependem diretamente do esforço físico para exercer a profissão. “Pense em um trabalhador rural cuja vida profissional sempre esteve ligada à atividade braçal. Uma doença de coluna que limite esforços físicos pode ter um impacto muito diferente para ele do que teria para alguém cuja atividade profissional não exige o mesmo esforço”, explica.

Por isso, relatórios e laudos médicos detalhados assumem um papel importante. Mais do que apresentar apenas o nome da doença, esses documentos podem demonstrar sintomas, limitações, tratamento realizado, evolução clínica e repercussões funcionais.

“O diagnóstico é o primeiro passo. Depois disso, precisamos compreender o que aquela doença efetivamente impede aquela pessoa de fazer”, ressalta.

Segundo a advogada, essa análise precisa considerar não apenas a condição clínica, mas também a rotina do paciente, as exigências da profissão, o tratamento realizado e a maneira como os sintomas interferem em tarefas que antes faziam parte do cotidiano. É justamente essa combinação de informações que permite apresentar um caso de forma mais completa, sem reduzir a situação apenas a um código de doença ou a um laudo isolado.

A falta de documentação ainda é um dos grandes obstáculos

Para quem convive com doenças invisíveis, um dos maiores desafios pode surgir antes mesmo da perícia.

Muitas dessas condições exigem acompanhamento contínuo e, em determinados casos, avaliação por profissionais de diferentes especialidades. Conseguir reunir toda essa documentação nem sempre é simples, especialmente para pessoas que dependem exclusivamente da rede pública de saúde.

A Dra. Gabriela conta que frequentemente recebe pessoas que possuem uma condição incapacitante, mas chegam ao pedido sem documentos suficientemente detalhados sobre suas limitações.

“A maioria das pessoas não consegue custear várias consultas particulares ou um atendimento multidisciplinar. Quando chega o momento de fazer o requerimento, muitas vezes ela possui o diagnóstico, mas não tem documentos que expliquem com profundidade como aquela doença interfere na sua vida”, comenta.

Segundo a advogada, esse é um dos pontos que ainda precisam evoluir no país. O acesso ao direito, na prática, também depende do acesso a profissionais de saúde capazes de acompanhar o quadro e registrar adequadamente suas consequências.

“Vejo pessoas se desdobrando para conseguir uma consulta justamente porque sabem que precisarão daquele documento. Existe uma dificuldade anterior ao próprio pedido do benefício”, observa.

Em casos como fibromialgia, depressão e dores crônicas, essa dificuldade pode se tornar ainda maior quando o quadro demanda acompanhamento prolongado, diferentes avaliações e uma documentação capaz de demonstrar a continuidade dos sintomas. Para a Dra. Gabriela, não basta afirmar que a pessoa sofre com determinada condição. É preciso mostrar de que forma essa realidade se mantém e afeta sua vida ao longo do tempo.

Doenças invisíveis também podem atingir crianças e adolescentes

Embora muitas pessoas associem benefícios do INSS e direitos relacionados à incapacidade apenas a trabalhadores adultos ou idosos, a advogada chama atenção para outro público que passou a aparecer com maior frequência em sua atuação: crianças e adolescentes.

Condições de saúde mental, transtornos e outras deficiências podem gerar limitações significativas desde os primeiros anos de vida. Nos casos envolvendo crianças, porém, existe uma dificuldade adicional: nem sempre elas conseguem identificar ou explicar claramente aquilo que estão sentindo.

“Às vezes a criança ainda não possui recursos para comunicar a própria dor, explicar um sintoma ou demonstrar tudo aquilo que determinada condição causa na sua rotina”, explica a Dra. Gabriela.

Nessas situações, a documentação médica e a avaliação da realidade social podem ajudar a demonstrar de que forma aquela condição interfere na participação da criança em igualdade de condições com outras pessoas.

A advogada ressalta que, nesses casos, a análise pode envolver benefícios de natureza assistencial, de acordo com os requisitos previstos para cada situação. Por isso, o fato de uma criança nunca ter contribuído para o INSS não significa, por si só, que não exista possibilidade de proteção.

É necessário verificar a condição de saúde, as limitações apresentadas, a participação social, a realidade familiar e os critérios específicos exigidos para aquele benefício. Para a Dra. Gabriela, esse é justamente um dos pontos que ainda geram muita confusão entre as famílias, principalmente quando buscam informações fragmentadas nas redes sociais.

Informação nas redes sociais ajuda, mas também pode confundir

Ao longo dos 14 anos de atuação, a Dra. Gabriela percebeu uma mudança clara no perfil das pessoas que procuram o escritório.

Hoje, muitos clientes chegam à consulta depois de assistir a vídeos, ler publicações e pesquisar sobre benefícios nas redes sociais. Para ela, o acesso à informação representa um avanço, mas trouxe também um novo problema: a quantidade de orientações generalizadas ou incorretas circulando na internet.

“Hoje as pessoas chegam muito mais informadas, e isso é positivo. Ao mesmo tempo, encontramos muitas informações que não correspondem à realidade de todos os casos. Uma orientação equivocada pode levar a pessoa a formular um pedido errado ou apresentar documentos que não demonstram aquilo que realmente precisa ser comprovado”, alerta.

Outro movimento observado pela advogada é a mudança na idade de quem busca determinados benefícios. Se no início da carreira a procura estava muito associada a pessoas mais velhas, atualmente ela acompanha situações envolvendo adultos jovens e até crianças.

“Os benefícios não estão restritos à velhice. Existem situações de incapacidade e deficiência em diferentes fases da vida”, destaca.

Para a Dra. Gabriela, o crescimento do acesso à informação também fez com que muitas pessoas passassem a procurar orientação mais cedo. Ainda assim, essa busca precisa vir acompanhada de uma análise individual, porque uma orientação válida para um caso pode não se aplicar a outro.

Falta de preparação pode prejudicar o pedido

Depois de acompanhar milhares de requerimentos, a advogada identifica um erro recorrente entre pessoas que procuram um benefício por incapacidade: iniciar o pedido sem compreender previamente o que precisará ser demonstrado.

Documentos genéricos, laudos incompletos e informações desconectadas da atividade profissional podem dificultar a análise. A preparação para a perícia também é um ponto que merece atenção, principalmente porque muitas pessoas chegam nervosas, fragilizadas ou sem conseguir organizar tudo aquilo que viveram ao longo dos últimos meses ou anos.

“O mais importante é contar a própria história com verdade e detalhes. A pessoa precisa conseguir explicar como aquela doença interfere concretamente em sua rotina e no trabalho. Alterar informações ou imaginar que exagerar determinada situação ajudará pode produzir justamente o efeito contrário”, alerta a Dra. Gabriela.

Para a advogada, preparar-se para uma perícia não significa decorar respostas, mas organizar informações, documentos e acontecimentos relevantes para que a realidade seja apresentada de maneira clara.

“Existe uma história por trás de cada pedido. Quanto melhor conseguimos compreender e documentar essa história, mais consistente se torna a análise daquele caso”, explica.

Essa preparação também pode ajudar a evitar contradições e a identificar previamente lacunas na documentação, especialmente quando existe um histórico longo de consultas, afastamentos, tratamentos e limitações que precisam ser compreendidos em conjunto.

Uma negativa do INSS nem sempre encerra a discussão

Receber uma resposta negativa costuma ser frustrante, principalmente para quem já enfrenta dificuldades financeiras e problemas de saúde.

Mas a Dra. Gabriela explica que o indeferimento administrativo, por si só, não significa necessariamente inexistência do direito.

Dependendo das circunstâncias, o caso pode ser novamente analisado e também chegar ao Poder Judiciário, onde pode haver uma nova avaliação pericial.

“Existem situações em que o benefício é negado administrativamente e posteriormente reconhecido judicialmente. Por isso, a negativa precisa ser analisada. É necessário entender por que aquele pedido foi indeferido e se existem fundamentos e documentos para seguir por outro caminho”, explica.

Isso também demonstra por que pedidos previdenciários não deveriam ser tratados apenas como preenchimento de formulários. Por trás de cada requerimento existe uma combinação de informações médicas, profissionais, previdenciárias e, em alguns casos, sociais.

Quando esses elementos não são analisados em conjunto, existe o risco de a pessoa formular um pedido que não corresponde exatamente à sua realidade ou deixar de apresentar documentos importantes para a compreensão do caso. Por isso, a estratégia escolhida antes, durante e depois do requerimento pode modificar completamente a condução do processo.

Experiência também muda a forma de enxergar uma perícia

Depois de mais de uma década acompanhando pessoas em processos previdenciários, a Dra. Gabriela conta que a prática trouxe um tipo de conhecimento que vai além da legislação.

O contato constante com perícias, documentos médicos, diferentes doenças e perfis profissionais permitiu identificar quais aspectos costumam exigir maior atenção em cada situação.

“Os anos de experiência fazem com que você compreenda melhor como uma perícia costuma acontecer, quais perguntas aparecem com frequência e quais informações precisam estar muito bem esclarecidas”, conta.

Para ela, esse conhecimento permite preparar cada processo de maneira mais individualizada. Não se trata de tentar prever uma decisão, mas de reduzir falhas que poderiam ter sido identificadas antes do pedido.

“Quando analisamos o caso com antecedência, conseguimos perceber documentos que estão faltando, pontos que precisam ser esclarecidos e até qual caminho faz mais sentido para aquela pessoa”, explica a advogada.

Essa leitura prévia também ajuda o cliente a chegar mais consciente às etapas seguintes, compreendendo melhor o próprio processo e evitando decisões baseadas apenas em informações genéricas encontradas na internet.

Atendimento à distância ampliou o acesso à orientação previdenciária

Com a digitalização de procedimentos e atendimentos, a atuação da Dra. Gabriela deixou de se restringir à região onde está fisicamente localizada.

Hoje, o escritório atende pessoas em diferentes estados brasileiros e também brasileiros que estão fora do país, de acordo com a situação apresentada.

Para a advogada, a distância deixou de ser uma barreira tão significativa para quem busca orientação especializada, especialmente porque boa parte dos documentos e etapas iniciais de análise já pode ser realizada de maneira remota.

“Independentemente do lugar onde a pessoa esteja, ela procura segurança, honestidade e qualidade técnica. O desafio é manter esse padrão de atendimento mesmo à distância e fazer com que cada cliente perceba que aquele processo está sendo analisado individualmente”, explica.

Essa possibilidade também ampliou o contato da Dra. Gabriela com realidades distintas dentro do próprio país. Ainda que os contextos sociais e econômicos mudem de uma região para outra, ela percebe uma preocupação comum entre os clientes: saber se estão tomando a decisão correta antes de apresentar o pedido.

Segundo a advogada, é justamente nessa etapa que a análise individual se torna mais importante. O atendimento remoto pode encurtar distâncias, mas não elimina a necessidade de compreender profundamente cada história e cada documento.

O maior desafio ainda é tornar visível aquilo que os outros não conseguem enxergar

Para a Dra. Gabriela Martins, os casos relacionados às chamadas doenças invisíveis representam um desafio justamente porque o processo exige transformar limitações vividas diariamente em informações capazes de serem compreendidas também por quem fará a análise administrativa ou judicial.

Uma pessoa pode aparentar estar bem durante alguns minutos e ainda assim conviver com sintomas que tornam difícil manter uma jornada de trabalho, cumprir determinadas atividades ou participar plenamente da vida cotidiana.

É essa distância entre aquilo que os outros enxergam e aquilo que o paciente realmente vive que torna a documentação e a análise individual tão importantes.

“Essas pessoas precisam ser ouvidas. Muitas vezes existe uma dor enorme por trás de uma aparência que não demonstra tudo aquilo que elas enfrentam”, explica a advogada.

Por isso, a principal orientação da Dra. Gabriela para quem acredita possuir algum direito é evitar iniciar um pedido sem entender exatamente qual benefício pode se aplicar à própria situação e quais requisitos precisarão ser demonstrados.

“Uma análise criteriosa antes do requerimento pode fazer toda a diferença. Muitas vezes a pessoa tem o direito, mas formula o pedido de maneira equivocada ou apresenta documentos que não são adequados àquele caso”, destaca.

Com mais de 14 anos de atuação na área de aposentadorias e benefícios e milhares de casos acompanhados, a advogada Gabriela Martins concentra seu trabalho na análise individual das situações previdenciárias, especialmente naquelas em que as limitações não são imediatamente percebidas por quem está de fora.

Para a Dra. Gabriela, compreender um pedido de benefício começa antes dos documentos. Começa por entender a realidade de quem precisa dele, o que mudou na vida daquela pessoa depois da doença, quais atividades deixaram de ser possíveis e quais obstáculos ela enfrenta para continuar trabalhando ou participando da vida cotidiana.

É a partir dessa história que os documentos passam a ter sentido e que a estratégia jurídica pode ser construída de forma realmente individualizada.

Para acompanhar o trabalho da Dra. Gabriela Martins e seus conteúdos sobre aposentadorias, benefícios previdenciários e direitos de pessoas que convivem com doenças invisíveis, siga @gabrielamartinsadvogada no Instagram.

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