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Chuva, trânsito e trabalho presencial: levantamento revela mudanças na ocupação dos escritórios

6 de Outubro de 2026

Com a capital registrando 900 quilômetros de congestionamento e o setembro mais chuvoso de sua série histórica, pesquisa proprietária da Deskbee mostra como a instabilidade climática se relaciona com a presença nos escritórios, a reorganização da jornada presencial e a demanda por estacionamentos

As fortes chuvas que atingiram São Paulo na terça-feira, 22 de setembro, colocaram novamente em evidência os desafios da mobilidade urbana e seus reflexos sobre a rotina de trabalho. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a capital registrou 900 quilômetros de lentidão por volta das 7h30, o maior índice para esse horário nos últimos 30 dias. Às 8h, quando costuma ocorrer o pico de congestionamento matinal, a cidade ainda contabilizava 832 quilômetros de trânsito lento.

O episódio ocorreu em um mês de precipitações excepcionais. De acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE), setembro já havia acumulado 267,1 milímetros de chuva até o dia 22, volume 304,7% superior à média histórica de 66 milímetros. Trata-se do setembro mais chuvoso desde o início da série histórica do órgão, em 1995.

Além dos transtornos no trânsito, esse cenário levanta questões sobre a capacidade das empresas de adaptar suas operações às condições meteorológicas. Como a chuva interfere na decisão de comparecer ao escritório? Os profissionais deixam de trabalhar presencialmente, transferem sua ida para outros dias ou simplesmente modificam a maneira de se deslocar? E como essas mudanças afetam a infraestrutura dos edifícios corporativos?

Um levantamento proprietário da Deskbee, baseado no comportamento de utilização dos escritórios durante setembro, oferece dados para compreender essas questões. A pesquisa identifica dois movimentos associados aos períodos de instabilidade climática: alterações na presença que nem sempre coincidem com o dia da precipitação e aumento da utilização dos estacionamentos corporativos em determinados dias.

O impacto da chuva pode aparecer nos dias seguintes

Embora o congestionamento registrado em 22 de setembro evidencie os transtornos imediatos da chuva, os dados da Deskbee indicam que seus reflexos sobre a ocupação dos escritórios podem se estender para além do dia em que ocorre a precipitação.

Para compreender esse comportamento, a empresa comparou os registros de entrada nos escritórios (check-ins) e as reservas não utilizadas (no-shows) com a média dos mesmos dias da semana nas quatro semanas anteriores.

Em São Paulo, os resultados mostram que a relação entre precipitação e presença não é linear. No dia 1º de setembro, durante um período de forte precipitação, houve redução de 8,6% nos check-ins e aumento de 4,5 pontos percentuais nos no-shows. Já em 4 de setembro, a queda nos registros de entrada chegou a 11,2%, apesar da chuva praticamente inexistente naquele dia. Em 8 de setembro, por outro lado, mesmo diante do cenário de instabilidade climática, o índice de reservas não utilizadas ficou 1,7 ponto percentual abaixo da referência.

As diferenças observadas indicam que a intensidade da chuva, isoladamente, não explica as oscilações na presença. A reorganização da agenda presencial, as condições de deslocamento e as decisões individuais sobre comparecer ao escritório também precisam ser consideradas para compreender esse comportamento.

Isso significa que avaliar apenas a ocupação no dia de um temporal pode oferecer uma visão incompleta de seus possíveis efeitos. Para as empresas que adotam modelos híbridos, o acompanhamento dos dias subsequentes também é relevante para identificar mudanças na utilização dos espaços.

Mais carros, maior pressão sobre os estacionamentos

Se os dados de ocupação revelam oscilações na presença, os registros dos estacionamentos apontam para outra dimensão da rotina corporativa: a mobilidade dos profissionais que continuam frequentando os escritórios.

Nos dias 8 e 9 de setembro, a Deskbee registrou os dois melhores resultados do mês na utilização de vagas. Os check-ins nos estacionamentos ficaram, respectivamente, 4,9% e 5,8% acima da referência, enquanto os no-shows permaneceram cerca de 2,6 pontos percentuais abaixo do padrão.

Os resultados são compatíveis com uma maior procura pelo automóvel em períodos de instabilidade climática, embora os registros de estacionamento, isoladamente, não permitam determinar quantos profissionais efetivamente substituíram outros meios de transporte pelo carro.

O setembro excepcionalmente chuvoso de São Paulo também chama a atenção para a importância de considerar as condições meteorológicas no planejamento do trabalho presencial.

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