Projeto aproxima a marca de novos mercados por meio de curadoria, relacionamento e uma vivência cuidadosamente construída
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As marcas de luxo estão, cada vez mais, olhando para consumidores fora do eixo Rio-SP. Em mercados de alta exigência, a aproximação pode acontecer por meio de uma experiência cuidadosamente construída, capaz de preservar a herança e a singularidade da marca ao mesmo tempo em que estabelece uma relação próxima com novos públicos.
Foi a partir dessa perspectiva que a Lorenzoni and Co., sob a direção de Tamara Lorenzoni, estrategista de marcas com atuação internacional e especialista no mercado de luxo, desenvolveu e produziu uma Private Experience para a Dolce & Gabbana no interior do Rio Grande do Sul. Formada em Gestão de Marcas de Luxo pela Domus Academy Milano, na Itália, e pela Regent´s University, em Londres, além de mestre e bacharel em Relações Internacionais, Tamara tem vivência entre Milão e Inglaterra e atua no Brasil conectando marcas, empresas e profissionais aos pilares do luxo em produtos, serviços e experiências.
O projeto reuniu curadoria de convidados, atmosfera, atendimento consultivo e um ecossistema de parceiros locais, criando uma vivência pensada para aproximar a marca de um mercado que não está nas capitais, sem diluir seus códigos. A proposta parte da compreensão de que presença não significa simplesmente estar em determinado lugar, mas fazer-se notar pela relevância daquilo que se constrói. Nesse contexto, cada escolha dos convidados à ambientação e ao atendimento, contribui para uma narrativa coerente com a identidade da Dolce & Gabbana. “Uma experiência de marca não se constrói apenas pelo que se vê, mas pela forma como cada escolha conduz percepção, relacionamento e desejo. Para uma marca de luxo, entender sobre o mercado exige compreender o território sem perder sua singularidade. Para a DG propusemos uma experiência através estratégia de curadoria, que traduzisse os códigos da marca com sutileza, excelência e consistência”, explica Tamara.
No mercado de luxo, a experiência começa antes do encontro. A seleção de quem participa, o ambiente, a forma de receber e até a escolha dos parceiros fazem parte da narrativa que antecede o produto. Por isso, a curadoria teve papel central no projeto realizado para a Dolce & Gabbana. A proposta foi construída a partir de uma seleção intencional de convidados e de uma atmosfera capaz de criar proximidade e reconhecimento. A exclusividade, nesse contexto, está na capacidade de fazer com que cada pessoa perceba atenção, repertório e cuidado em cada detalhe. “Exclusividade não é simplesmente fechar portas. É criar uma experiência em que o indivíduo percebe atenção, repertório e cuidado em cada detalhe. Quando existe curadoria, o encontro deixa de ser apenas uma ação de marca e passa a construir relacionamento”, afirma a estrategista. Esse olhar se relaciona diretamente ao conceito de desejo, um dos pilares do mercado de luxo. Para Tamara, ele não nasce da urgência, mas de uma narrativa consistente, de referências e de uma experiência capaz de permanecer na memória.
A realização de uma experiência no interior do Rio Grande do Sul também evidencia como marcas de luxo podem pensar sua expansão para além dos grandes centros. O território deixa de ser apenas localização e passa a integrar a construção da experiência. A presença de parceiros locais permite incorporar repertório e referências daquele contexto sem comprometer a identidade da marca. É uma relação entre capital cultural, curadoria e herança, na qual o universo global da marca encontra uma realidade local. “Uma marca internacional não precisa se tornar local para ser relevante em um novo território. Ela precisa compreender o contexto em que está entrando. O equilíbrio está em preservar sua herança e, ao mesmo tempo, criar uma experiência que dialogue com o capital cultural daquele lugar”, pontua Tamara. Com vivência profissional entre Milão e Inglaterra, a estrategista leva para seus projetos uma visão global aliada a uma leitura culturalmente sensível dos mercados. Segundo ela, essa combinação é fundamental para evitar que a expansão de uma marca resulte apenas na reprodução de um formato já existente.
A experiência de marca ganha relevância porque trabalha uma dimensão que vai além do momento da compra: a memória. No luxo, a construção de valor está relacionada à capacidade de gerar desejo e permanência, e não apenas atenção imediata. Uma experiência bem curada pode aprofundar relacionamentos e criar associações que continuam presentes mesmo depois que o encontro termina. Nesse sentido, a experiência se transforma em uma ferramenta de construção de presença e legado, especialmente para marcas que precisam preservar seus códigos enquanto dialogam com novos públicos. “No luxo, não buscamos apenas ser lembrados. Buscamos construir uma percepção que permaneça. A experiência precisa deixar uma impressão coerente com aquilo que a marca representa, porque é essa consistência que sustenta prestígio, desejo e legado ao longo do tempo”, conclui Tamara.
A experiência desenvolvida para a Dolce & Gabbana reforça, assim, uma visão de mercado em que expansão não significa diluição, mas a capacidade de encontrar novos territórios preservando a singularidade, a herança e a consistência da marca.