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Como transformar potencial em liderança desde o início da carreira

11 de Setembro de 2026

Por João Vitor Marinho, diretor de Atração e Desenvolvimento de Pessoas da Ambev

Créditos: Ambev

Minha carreira começou longe da área de pessoas. Aos 16 anos, movido pela admiração que sempre tive pela frieza e objetividade dos números, escolhi cursar Engenharia de Petróleo, até que, um dia, recebi uma ligação da Ambev com um convite inesperado: uma vaga na área de Gente & Gestão.

Sem saber na época o que significava exatamente “Gente & Gestão” e qual seria o meu papel nessa área, eu aceitei o desafio, em grande parte, por ser a Ambev, empresa que sempre sonhei trabalhar e cuja cultura me encantava.

Foi nesse momento que meu caminho profissional mudou completamente. Descobri uma nova paixão: desenvolver pessoas e negócios e, principalmente, o incrível poder da combinação entre essas duas frentes. Entendi que, antes de pensar no “o quê”, é preciso olhar para o “quem”: quem são as pessoas, quais são seus potenciais e do que precisam para transformar esse potencial em resultados.

Essa experiência me ensinou uma primeira lição sobre potencial: ele nem sempre aparece onde esperamos. Muitas vezes, está em pessoas que ainda não tiveram a chance de mostrar do que são capazes.

Essa percepção ganha ainda mais relevância quando olhamos para quem está começando a carreira. Uma pesquisa conduzida pelo Instituto Nexus, publicada em novembro de 2025, mostra que 21% dos jovens consideram que oportunidades de crescimento e desenvolvimento é o principal fator a se considerar na hora de escolher uma vaga de emprego.

Se a experiência e a possibilidade de crescimento são tão importantes para quem está começando, cabe às empresas criarem espaços para que esse desenvolvimento aconteça na prática. E cabe também aos jovens aproveitar esses espaços de forma intencional: buscando desafios, pedindo feedback, entendendo o negócio e assumindo responsabilidade antes mesmo de ter um cargo de liderança.

Potencial precisa de oportunidade

Aos 23 anos, assumi minha primeira posição de liderança, inclusive liderando pessoas muito mais experientes do que eu. Eu não tinha todas as respostas, e aprendi rapidamente que não precisava ter.

Potencial não é estar pronto. É ter capacidade de aprender, evoluir e assumir desafios cada vez mais complexos, buscando sempre uma melhor versão de si mesmo. Na prática, vejo alguns comportamentos que ajudam a transformar potencial em performance: fazer perguntas em vez de esperar todas as respostas, pedir feedback mesmo quando ele é desconfortável, entender o impacto do próprio trabalho no resultado do negócio, buscar conhecimentos para além do seu próprio escopo de trabalho e se voluntariar para resolver problemas extremamente complexos ou que ainda não têm um dono claro.

É por isso que programas de entrada têm um papel estratégico na formação de futuras lideranças. Na Ambev, Global Trainee e Estágio combinam desafios reais de negócio, desenvolvimento e diferentes experiências para ampliar repertório e autonomia. Mais do que preparar alguém para uma função, é criar condições para que a pessoa desenvolva sentimento de dono: entenda o impacto do que faz, assuma responsabilidade pelos resultados e tenha espaço para construir soluções.

Grande parte do que aprendi sobre liderança não veio de treinamentos. Veio de projetos complexos, decisões difíceis, erros e conversas que exigiram escuta. Aprender na prática, acertando e errando, é fundamental nessa jornada.

Uma liderança que assume responsabilidade também precisa entender o negócio: o consumidor, os clientes, as comunidades onde estamos presentes e o impacto de cada decisão.

É nesse ponto que considero importante uma característica cada vez mais necessária na liderança de hoje em dia: ser ambidestro. Para mim, isso significa conseguir entregar o resultado de hoje sem deixar de olhar para frente e transformar, construir as bases que serão necessárias para o resultado de amanhã.

A Inteligência Artificial torna essa característica da liderança ainda mais relevante. Segundo estudo da McKinsey, 72% das empresas já haviam adotado inteligência artificial em 2024, enquanto 65% afirmavam utilizar IA generativa regularmente. A tecnologia já deixou de ser uma discussão sobre o futuro.

Na Ambev, a jornada de IA busca potencializar indivíduos, equipes e a organização, ampliando o letramento em IA e conectando a tecnologia a problemas reais do negócio. Usar IA não significa simplesmente aprender a operar uma nova ferramenta, o diferencial está em saber fazer as perguntas certas, avaliar criticamente as respostas e transformar o que a tecnologia entrega em uma decisão ou ação melhor, que gere resultados para o negócio.

Ao longo de mais de 11 anos de carreira, uma das coisas que mais mudou minha visão foi entender que liderança não depende de posição hierárquica.

Ela começa quando alguém assume um projeto, propõe uma solução, ajuda um colega ou se responsabiliza por um resultado.

Formar líderes desde o início da carreira é, portanto, uma escolha de longo prazo. É atrair e desenvolver os futuros talentos, dando a elas experiências que as preparem para desafios cada vez maiores.

Também significa formar profissionais que não esperem ter todas as respostas para começar, que liderem pelo exemplo, assumam responsabilidade e mantenham a disciplina necessária para entregar resultados excepcionais.

Para quem está começando, meu conselho é simples: não espere um cargo para começar a liderar. Busque impacto onde você está. Assuma responsabilidades, faça perguntas, aprenda com quem tem mais experiência e use a tecnologia a seu favor.

E, para quem já lidera, fica uma pergunta: estamos esperando que as pessoas estejam prontas para oferecer oportunidades ou estamos criando as experiências que vão ajudá-las a se preparar?

Potencial precisa de oportunidade. Liderança precisa de prática. E o desenvolvimento acontece quando transformamos desafios reais em oportunidades de aprendizado, dando espaço para que as pessoas sonhem grande, assumam responsabilidade e construam resultados que vão além de hoje.

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