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Lucas Neves transforma conexões internacionais em uma rede de negócios presente em mais de 17 países

21 de Agosto de 2026

Fundador da BlackMid aposta em relacionamento, credibilidade e inteligência artificial para aproximar compradores, fornecedores e investidores de diferentes partes do mundo

Foto: Divulgação

Em um mercado no qual uma boa oportunidade pode surgir a milhares de quilômetros de distância, ter o produto certo nem sempre é suficiente. Muitas empresas possuem capacidade de produção, experiência e interesse em expandir, mas ainda enfrentam dificuldades para encontrar compradores confiáveis, compreender outras culturas e acessar pessoas realmente preparadas para fechar uma negociação.

Foi observando essa distância entre quem procura uma oportunidade e quem pode oferecê-la que Lucas Neves construiu sua atuação como intermediador de negócios internacionais. Empresário e fundador da BlackMid, ele lidera uma rede presente em mais de 17 países, conectando compradores, vendedores, investidores, fornecedores e parceiros em segmentos que vão de investimentos e comércio exterior a recursos humanos, marketing e intermediação esportiva.

A trajetória começou em 2015, quando Lucas criou uma agência de publicidade voltada para tráfego e gestão de redes sociais. A BlackMid nasceu oficialmente em 2015 e, ao longo dos anos, passou a atender clientes no Brasil, na Europa e na América do Norte.

Durante esse processo, Lucas percebeu que o principal ativo construído por ele não era apenas o serviço prestado, mas a rede de relacionamentos formada ao redor da empresa.

“Eu tinha, por exemplo, um cliente dono de uma fábrica de cosméticos e, do outro lado, um cliente que queria criar a própria marca. Sozinhos, esses dois talvez nunca se encontrassem ou levariam muito tempo para isso acontecer. Eu conhecia os dois e fiz a conexão”, relembra.

Ao ver a negociação acontecer, compreendeu que aquele movimento poderia ser transformado em um modelo de negócio. A partir daí, começou a estruturar sua atuação como middleman, profissional responsável por identificar oportunidades, aproximar as partes certas e facilitar negociações.

Mais do que apresentar compradores e vendedores

Para Lucas, a intermediação de negócios vai muito além de simplesmente apresentar duas pessoas interessadas em comprar ou vender. Antes de realizar qualquer aproximação, é necessário verificar se as duas partes possuem condições reais de cumprir aquilo que estão propondo.

Do lado do vendedor, ele analisa a capacidade de entrega, a qualidade do produto e a credibilidade da empresa. Do lado do comprador, observa o histórico de negociação, a capacidade de pagamento e a seriedade do interesse apresentado.

“O meu trabalho não é apenas colocar quem compra na frente de quem vende. Eu preciso garantir os dois lados. É esse cuidado que muda o jogo”, explica.

Essa validação prévia reduz riscos e encurta um processo que, sem uma rede consolidada, poderia levar meses. Segundo Lucas, uma empresa que tenta encontrar sozinha o parceiro certo pode gastar entre seis e oito meses até concluir a primeira negociação. Por meio da intermediação, esse período pode cair para uma ou duas semanas.

“Eu entrego um comprador validado para um vendedor validado. O caminho já vem encurtado.”

O empresário afirma que a velocidade não vem de atalhos improvisados, mas de anos dedicados à construção de relacionamentos e ao conhecimento das pessoas que fazem parte da rede. Para ele, é justamente a confiança acumulada que permite acelerar uma negociação sem comprometer a segurança das partes.

O potencial brasileiro ainda distante do mercado global

Ao ampliar sua atuação internacional, Lucas identificou uma oportunidade específica entre os falantes de português. Embora o Brasil seja um importante exportador e tenha empresários preparados para negociar, muitas empresas ainda permanecem distantes do mercado global devido à barreira do idioma e à falta de contatos internacionais.

“O Brasil é um grande exportador e um grande negociador, mas ainda está a um passo do mundo. Existe uma dificuldade de comunicação com outras línguas e, principalmente, uma falta de acesso às pessoas certas”, avalia.

Na Europa, segundo ele, a proximidade entre os países facilita o contato com diferentes idiomas, mercados e culturas. Um curto deslocamento pode colocar o empreendedor diante de uma nova rede comercial. Para muitos brasileiros, entretanto, essa aproximação ainda exige um processo mais complexo.

Foi nessa lacuna entre o potencial existente no Brasil e o acesso às oportunidades internacionais que Lucas encontrou espaço para desenvolver seu trabalho.

“A minha missão é ser a principal ponte de negócios para quem fala português. Quero construir uma rede verdadeiramente global, capaz de conectar essas pessoas ao mundo.”

Uma operação internacional movida por uma ampla rede de contatos

Embora esteja à frente da BlackMid, Lucas não trabalha sozinho. A operação reúne parceiros e intermediadores que possuem suas próprias redes de relacionamento. Quando essas conexões são ativadas em conjunto, uma demanda pode encontrar resposta em diferentes partes do mundo.

Na prática, uma oportunidade identificada no Japão pode ser conectada, por meio de poucas mensagens, a um fornecedor no Brasil, na África ou na América do Norte.

“Cada parceiro carrega sua própria rede de contatos. Quando ativamos essa rede, tudo acontece rapidamente. A operação funciona independentemente de fuso horário e de idioma”, explica.

Essa capilaridade permite que a empresa avalie oportunidades em mercados bastante distintos. No entanto, atuar em tantos países também exige capacidade de adaptação. Lucas afirma que um dos maiores desafios de seu trabalho é compreender que cada cultura possui hábitos de consumo, estilos de comunicação e maneiras específicas de negociar.

Inspirado em uma conhecida reflexão de Bruce Lee, ele afirma que o intermediador precisa ser como a água, adaptando-se aos diferentes ambientes sem perder sua essência.

“Respeito à cultura é inegociável no meu trabalho. Antes de fazer uma conexão, estudo o negócio e até o estilo de vida da pessoa. Você pode ter o melhor produto do mundo e, ainda assim, travar a negociação porque não entendeu com quem estava falando.”

Foto: Divulgação

Investimentos lideram as oportunidades intermediadas

Embora a intermediação internacional seja frequentemente associada à importação e à exportação, esse não é atualmente o principal segmento da BlackMid. A maior parte das demandas atendidas está relacionada a investimentos, compra e venda de empresas e negociação de ativos.

Um investidor pode procurar Lucas informando, por exemplo, que deseja aplicar 20 milhões de euros no setor de turismo. A partir dessa demanda, a equipe busca oportunidades que correspondam ao perfil apresentado, como hotéis, pousadas ou resorts disponíveis para negociação, e conecta o investidor a compradores, vendedores ou profissionais já validados.

“Eu não atuo como corretor. O meu papel é conectar as pessoas certas e receber uma comissão pela intermediação”, esclarece.

A importação e a exportação aparecem em seguida, envolvendo commodities e produtos variados. A empresa também trabalha com recursos humanos, aproximando organizações que precisam contratar de profissionais interessados em novas oportunidades ou em processos de migração.

O marketing, atividade que deu origem à BlackMid, continua presente e funciona como parte importante da inteligência da operação. Lucas também atua na intermediação esportiva, com demandas relacionadas à compra e venda de clubes de futebol, comercialização de espaços publicitários e assessoria de imagem para empresas, marcas e atletas.

Expandir sozinho pode custar anos a uma empresa

Lucas não considera um erro uma empresa tentar ingressar em outro país sem contar inicialmente com uma rede internacional. Na sua visão, todo negócio com potencial deve buscar novos mercados. O problema está no tempo e nos custos necessários para aprender sozinho.

Uma marca desconhecida pode levar entre um ano e meio e cinco anos para entrar de forma consistente em um novo mercado. Nesse período, precisará compreender a cultura local, conhecer a regulamentação, adaptar a apresentação do produto e identificar parceiros confiáveis.

“Ela consegue tentar sozinha? Provavelmente sim. Mas a proposta da intermediação é acelerar o resultado e evitar que a empresa gaste anos aprendendo aquilo que uma boa rede já consegue resolver em semanas.”

Para o empresário, comprar acesso não significa ignorar o processo de aprendizagem. Significa reconhecer que alguém já percorreu aquele caminho e pode reduzir os riscos, os erros e o tempo necessário para alcançar o resultado.

Esse entendimento também influencia o conselho que oferece a empresários interessados em internacionalizar seus produtos ou serviços.

“Um empresário precisa fazer uma escolha: ou aprende, ou compra o acesso de quem já sabe fazer. Não faz sentido permanecer travado tentando descobrir tudo sozinho.”

Credibilidade é o que mantém o telefone tocando

Em um setor baseado em conexões, a reputação de quem aproxima as partes pode definir o sucesso ou o fracasso de uma negociação. Lucas resume seu negócio em dois fundamentos: relacionamento e credibilidade.

“Esse business é 100% relacionamento e credibilidade. Não existe outra forma.”

Segundo ele, quando um profissional constrói um nome confiável entre compradores e vendedores, cria uma porta que dificilmente volta a se fechar. Clientes retornam, fazem indicações e apresentam novas oportunidades.

“É um ciclo. Uma vez iniciado, ele não para. As pessoas voltam, indicam e confiam. Nesse mercado, confiança é o que faz o telefone tocar.”

A mesma lógica orienta as características que Lucas considera essenciais para quem deseja criar conexões de alto valor. A primeira delas é a simpatia. Para ele, a arrogância afasta oportunidades, especialmente em um ambiente formado por profissionais experientes e empresas de diferentes culturas.

“Não adianta alguém se achar o melhor do mundo, porque o mundo está cheio de gente incrível. É preciso ser bom e mostrar que é bom, mas sempre de maneira ética.”

Outro princípio indispensável é o compromisso com a própria palavra. Em uma negociação, prometer apenas aquilo que pode ser cumprido e entregar o que foi combinado são atitudes que sustentam relações de longo prazo.

“A única coisa que um homem realmente tem é a palavra dele. Você precisa cumprir o que promete e entregar aquilo que se propôs a fazer. É isso que mantém uma conexão de alto valor.”

Os primeiros negócios que deram origem ao modelo

Mesmo após anos atuando em negociações internacionais, Lucas afirma que os primeiros projetos continuam sendo os mais marcantes de sua trajetória.

O primeiro deles foi a conexão entre uma fábrica de cosméticos e uma pessoa interessada em desenvolver a própria marca. O segundo aconteceu ao lado de seu mentor, profissional que Lucas descreve como extremamente habilidoso em vendas. Na ocasião, acompanhou a intermediação entre uma empresa de energia renovável e o proprietário de um terreno destinado à construção de uma fazenda de placas solares.

“Foram os dois negócios que abriram a minha cabeça. Passados quase dez anos, ainda utilizo conceitos, falas e estruturas de apresentação que aprendi ali, naturalmente adaptados ao mercado atual.”

Essas experiências mostraram que a conexão certa não gera impacto apenas para as partes envolvidas. Ela também pode criar empregos, movimentar setores e abrir caminhos para novas negociações.

Inteligência artificial transforma uma experiência de anos em uma startup

Com o crescimento da rede, surgiu um novo problema. Lucas passou a receber diariamente entre 20 e 40 oportunidades envolvendo pessoas interessadas em comprar, vender, contratar ou investir. Sem estrutura para analisar manualmente todos os projetos, ele acabava recusando aproximadamente 90% das demandas.

A dificuldade deu origem a uma startup apoiada em inteligência artificial. A plataforma utiliza o banco de dados formado por parceiros, clientes e novos assinantes para cruzar informações e identificar possíveis combinações entre as oportunidades cadastradas.

Uma análise que anteriormente poderia levar uma semana passou a ser realizada em segundos.

“A inteligência artificial faz o match, como se encontrasse a combinação certa entre as partes. Isso aumentou muito a produtividade de quem quer vender, de quem quer comprar e da nossa própria empresa.”

Lucas conta que desenvolveu o projeto sozinho. Para transformar a ideia em realidade, decidiu estudar as ferramentas necessárias e construir a primeira estrutura da plataforma.

“Eu sentei, aprendi a fazer e coloquei de pé. O projeto ainda está no começo, mas é extremamente promissor.”

Além de aumentar a velocidade, a tecnologia também contribui para reduzir falhas humanas. Antes, a análise do potencial de uma negociação, da situação financeira e do histórico das partes dependia de um cruzamento manual de informações. Agora, os dados disponíveis na plataforma ajudam a identificar de maneira mais rápida qual fornecedor pode atender melhor a cada comprador.

O empresário cita como exemplo a chegada de uma demanda por commodities, como diesel, café, soja, açaí, sucos ou frutas. Em poucos segundos, o sistema pode cruzar as características do pedido com os fornecedores disponíveis no banco de dados e apontar as conexões mais compatíveis.

“É um processo infinitamente mais curto e mais seguro, porque reduz o erro humano.”

Tecnologia não substitui confiança, mas muda a velocidade dos negócios

Para Lucas, a transformação provocada pela inteligência artificial já não pertence ao futuro. Ela acontece no presente e começa a separar os profissionais que incorporaram as novas ferramentas daqueles que ainda insistem em trabalhar exclusivamente pelos métodos antigos.

“Quem acredita que continuará fazendo negócios apenas do jeito antigo será ultrapassado, às vezes até por pessoas com menos experiência, mas que dominam as ferramentas.”

Ele compara esse momento à transição das cartas para o telefone. Durante muito tempo, a correspondência foi uma das principais formas de comunicação à distância. Quando o telefone surgiu, quem aprendeu a utilizá-lo ganhou velocidade e ampliou suas possibilidades.

A inteligência artificial, na visão do empresário, não substituirá completamente o relacionamento humano. Confiança, leitura de contexto, compromisso e capacidade de negociação continuam sendo fundamentais. A tecnologia, entretanto, pode reduzir para horas ou poucos dias processos que antes se estendiam por meses.

“Ela adianta negociação, apresentação de propostas, cruzamento de dados e fechamento. Quem não dominar pelo menos o básico dessas ferramentas terá muita dificuldade no mundo dos negócios.”

A missão de criar uma ponte global para quem fala português

Nascido em Anchieta, no litoral sul do Espírito Santo, Lucas cresceu em uma família de classe média. Ele atribui ao pai valores como esforço, resiliência e busca pelo conhecimento. À esposa, reconhece o direcionamento e o propósito que ajudaram a dar forma à sua trajetória.

Empresário, casado e pai, vive há alguns anos no exterior, de onde comanda a BlackMid e o desenvolvimento da nova startup. Como CEO e sócio majoritário de suas empresas, ele busca ampliar a presença internacional da operação e construir uma rede global voltada especialmente aos falantes de português.

“O brasileiro tem um potencial gigantesco. Temos criatividade, jogo de cintura e capacidade de encantamento. Sabemos sentar à mesa e negociar com qualquer nacionalidade.”

Apesar desse potencial, Lucas acredita que o Brasil ainda é visto internacionalmente de maneira limitada, muitas vezes associado apenas ao futebol, ao carnaval e a outros símbolos populares. Sua intenção é ajudar a ampliar essa percepção, mostrando também a capacidade do país de participar de negociações globais com ética, profissionalismo e rentabilidade.

“Minha missão para os próximos anos é ajudar a construir um Brasil glorioso, mostrando que estamos no cenário internacional e que podemos fazer negócios de todos os tipos de maneira profissional, ética e lucrativa.”

A própria trajetória, segundo ele, representa parte dessa mensagem.

“Quero mostrar que um rapaz do interior do Espírito Santo foi para o mundo e venceu com esforço e ética.”

Esforço, bons parceiros e resiliência

Ao falar com empresários que desejam levar seus negócios para outros países, Lucas reforça que nenhuma expansão consistente é construída de forma isolada.

Desde o início de sua carreira, procurou estar cercado de bons parceiros, contratar profissionais qualificados e reconhecer o valor das pessoas que contribuíam para a empresa.

“Eu sempre fui muito esforçado, mas também sempre soube que não chegaria a lugar nenhum sozinho. Por isso, priorizei contratar bem e valorizar quem estava comigo.”

Na visão do empresário, gerar empregos, pagar corretamente, oferecer objetivos claros e fazer com que a equipe compreenda o propósito do negócio são responsabilidades de quem deseja crescer de maneira sustentável.

“É preciso vender a ideia do negócio para as pessoas que estão ao seu lado, para que todos possam crescer juntos.”

Além do esforço e da capacidade de delegar, a resiliência aparece como uma característica indispensável para quem deseja atuar internacionalmente. Obstáculos, recusas e negociações frustradas fazem parte do processo e não devem ser interpretados automaticamente como sinais de que o projeto não funcionará.

“As qualidades que considero indispensáveis são ser esforçado, saber terceirizar e não desistir no primeiro baque, porque o baque vai acontecer. Se você quer levar seu produto ou serviço para o mundo, resiliência é obrigatória.”

Depois de mais de uma década construindo relacionamentos, conectando oportunidades e atuando em diferentes mercados, Lucas Neves acredita que o futuro dos negócios internacionais será definido pela união entre tecnologia e confiança.

A inteligência artificial pode identificar combinações em segundos, analisar grandes volumes de dados e reduzir caminhos que antes levavam anos. Ainda assim, é a credibilidade construída entre as pessoas que transforma uma possibilidade em uma negociação real.

Ao unir esses dois elementos, Lucas pretende ampliar a atuação da BlackMid e permitir que mais empresários de língua portuguesa encontrem compradores, fornecedores, parceiros e investidores ao redor do mundo.

Em uma economia cada vez mais conectada, sua proposta é simples: diminuir a distância entre as pessoas certas e fazer com que boas oportunidades deixem de depender do acaso.

Para Lucas, cada conexão pode representar o início de uma nova oportunidade, desde que seja construída com confiança, estratégia e propósito. Em seu perfil no Instagram, @lucasneves_real, ele compartilha experiências e reflexões sobre o universo da intermediação e dos negócios internacionais.

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