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8 em cada 10 RHs já deixaram de contratar candidato qualificado por falta de perfil comportamental

17 de Agosto de 2026

Pesquisa do Pandapé revela que, apesar do peso crescente das competências comportamentais, a maioria das empresas ainda avalia esse aspecto de forma subjetiva

Foto: Divulgação

Formação, experiência e domínio técnico já não garantem a contratação de um profissional. Pesquisa realizada pelo Pandapé em 2025 mostra que 88% dos profissionais de Recursos Humanos já deixaram de contratar candidatos considerados tecnicamente qualificados por falta de compatibilidade comportamental com a vaga ou com a empresa. 

Do total de entrevistados, 31% afirmaram que isso acontece com frequência, enquanto 57% disseram já ter tomado essa decisão algumas vezes. Apenas 12% responderam que nunca ou raramente recusaram um candidato por esse motivo. 

Os resultados mostram que o conhecimento técnico continua essencial, mas passou a dividir espaço com competências como adaptabilidade, comunicação, autonomia, ética profissional e capacidade de resolver problemas, fatores cada vez mais determinantes para o sucesso no ambiente de trabalho. 

Para Patricia Suzuki, Diretora de Recursos Humanos da Redarbor Brasil, detentora do Pandapé, as transformações tecnológicas e as mudanças nos modelos de trabalho tornaram o comportamento um fator decisivo durante a seleção.

"As competências técnicas continuam indispensáveis, mas deixaram de ser suficientes para prever o desempenho do profissional dentro da empresa. É necessário também demonstrar capacidade de aprender, se adaptar, colaborar, comunicar-se e tomar decisões em contextos que mudam rapidamente."

Adaptabilidade, proatividade e ética estão entre os atributos mais valorizados

Quando perguntados sobre quais competências comportamentais mais valorizam nos candidatos, 63% dos profissionais citaram a adaptabilidade. Na sequência aparecem proatividade e ética profissional (61% cada), responsabilidade e autonomia (60%), comunicação clara (59%), resolução de problemas (58%) e inteligência emocional (53%). Como a pergunta permitia múltiplas respostas, os percentuais não somam 100%.

Segundo Patricia, esse movimento acompanha a necessidade das empresas de formar equipes capazes de responder rapidamente às mudanças do mercado.

"Conhecimento técnico pode ser atualizado por meio de cursos e treinamentos. Já comportamentos relacionados à responsabilidade, à abertura para aprender e à capacidade de trabalhar com outras pessoas exigem uma análise mais profunda durante a seleção e também um trabalho contínuo de desenvolvimento."

Ao mesmo tempo, essas competências estão entre as mais difíceis de encontrar. A comunicação clara foi apontada por 53% dos entrevistados como o comportamento que mais faz falta nos candidatos. Em seguida aparecem responsabilidade e autonomia (42%), pensamento crítico (41%), resolução de problemas (35%) e inteligência emocional (34%).

Para Patricia, a comunicação vai muito além da capacidade de falar bem durante uma entrevista.

"Comunicação envolve saber organizar ideias, fazer perguntas, compreender orientações, adaptar a linguagem a diferentes públicos e vender as ideias. É uma competência diretamente ligada à colaboração, à produtividade e à redução de ruídos dentro das equipes."

Avaliação ainda depende da percepção do entrevistador

Embora as competências comportamentais tenham peso crescente na contratação, a forma de avaliá-las ainda é pouco estruturada em boa parte das empresas.

A pesquisa mostra que 55% avaliam o perfil comportamental de maneira subjetiva, por meio de entrevistas, dinâmicas e observação. Outros 30% utilizam testes estruturados, 9% estão implementando algum modelo de avaliação e apenas 6% afirmam não considerar esse aspecto no processo seletivo.

Além disso, somente 39% das empresas possuem uma metodologia estruturada para mapear as competências comportamentais esperadas para cada função. Em 36% esse mapeamento acontece de maneira informal e 25% não possuem qualquer definição.

Segundo Patricia, a ausência de critérios claros aumenta o risco de decisões baseadas apenas em percepções individuais.

"Quando a empresa procura alguém proativo, adaptável ou com boa comunicação, precisa definir como essas características serão observadas e quais evidências serão consideradas. Sem critérios comuns, cada entrevistador pode entender essas competências de uma maneira diferente."

Ela afirma que entrevistas estruturadas, perguntas baseadas em situações reais, critérios previamente definidos e avaliações compatíveis com cada função tornam a seleção mais consistente e reduzem a subjetividade.

IA deve aumentar a importância das competências humanas

Para 72% dos entrevistados, o avanço da inteligência artificial e da automação tornará as competências comportamentais ainda mais importantes nos processos seletivos. Outros 20% acreditam que o peso permanecerá igual, enquanto apenas 8% esperam uma redução.

Na avaliação de Patricia, à medida que atividades repetitivas passam a ser automatizadas, habilidades humanas tendem a ganhar ainda mais relevância.

"A inteligência artificial pode apoiar a triagem e tornar algumas etapas mais eficientes, mas não elimina a necessidade de avaliar julgamento, ética, colaboração, empatia e capacidade de lidar com situações inesperadas. Na prática, a tecnologia aumenta a necessidade de combinar conhecimento técnico com competências que não podem ser automatizadas."

O levantamento também investigou quais comportamentos seriam considerados inaceitáveis, mesmo em candidatos com excelente currículo técnico. A falta de ética lidera as respostas, mencionada por 37% dos profissionais de RH. Em seguida aparecem comunicação agressiva (18%), arrogância (15%), falta de responsabilidade (13%), dificuldade para trabalhar em equipe (6%) e resistência à mudança (6%).

"A empresa pode oferecer treinamento, desenvolver conhecimentos e ensinar processos, mas comportamentos como confiança, respeito e convivência podem afetar toda a equipe. Por isso, a avaliação precisa considerar não apenas se o candidato consegue executar uma atividade, mas também como ele tende a agir no ambiente de trabalho."

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