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A nova economia da saúde: mercado bilionário de emagrecedores impulsiona startups e acende alerta da

25 de Julho de 2026

Febre dos medicamentos da classe do Ozempic e Mounjaro faz setor de manipulação injetável movimentar R$ 10 bilhões; empresas criam "hubs" para conectar médicos e laboratórios autorizados

 O mercado brasileiro de medicamentos voltados para o tratamento da obesidade e do diabetes está passando por uma revolução sem precedentes. Impulsionado pela febre dos emagrecedores da classe dos agonistas de GLP-1 (que inclui substâncias como a semaglutida e a tirzepatida), o setor movimentou R$ 14,6 bilhões no mercado formal no acumulado de 12 meses até abril de 2026. O número representa um salto impressionante de 110% em comparação com o período anterior, segundo dados da IQVIA compilados pelo Itaú BBA.

A projeção de analistas de mercado aponta que o segmento deve atingir R$ 20 bilhões até o fim deste ano e saltar para R$ 61 bilhões até 2030. O impacto é tão avassalador que esses medicamentos já representam 5,7% de todo o varejo farmacêutico nacional, gerando reflexos em setores que vão muito além da saúde, como a indústria de alimentos, vestuário e até na aviação.

No entanto, o alto custo e a falta dos produtos de marca nas prateleiras abriram espaço para outro fenômeno: o avanço do mercado magistral (as farmácias de manipulação). Nos últimos 12 meses, o mercado de GLP-1 manipulado movimentou sozinho R$ 10 bilhões. Mas um alerta importante do setor médico e regulatório acompanha essa expansão: o processo de produção exige cuidados extremos.

O cerco à informalidade e o risco à saúde

Embora o Brasil conte com cerca de 8.700 farmácias de manipulação ativas, apenas um grupo restrito de aproximadamente 20 estabelecimentos no país possui a infraestrutura de alta tecnologia exigida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para produzir medicamentos estéreis e injetáveis.

A explosão da demanda fez com que o mercado paralelo e informal de GLP-1 disparasse, movimentando cerca de R$ 12,5 bilhões nos últimos 12 meses — um volume 1,7 vez maior do que as vendas formais do principal medicamento de referência da categoria.

Para tentar conter o mercado clandestino e garantir a segurança dos pacientes, a Anvisa endureceu as regras para a classe de medicamentos. Desde o ano passado, foram implementadas novas regulamentações que exigem a retenção obrigatória da receita médica e o rastreamento completo de toda a cadeia de insumos pelo Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC). Além disso, a queda da patente da semaglutida, ocorrida em março de 2026, aumentou ainda mais a busca por alternativas legalizadas.

Conexão segura: surgem os hubs de saúde

É justamente nesse cenário de forte pressão regulatória e necessidade de formalização que começam a surgir novos modelos de negócios. Um dos destaques é a startup brasileira M7 Group, que se tornou pioneira ao criar um "hub de soluções de saúde". A empresa estruturou uma força de vendas para conectar diretamente os laboratórios de manipulação autorizados aos médicos prescritores e clínicas, organizando um fluxo que antes funcionava de forma fragmentada.

Em apenas 14 meses de operação, a startup expandiu sua equipe de 10 para mais de 70 consultores especializados, com presença ativa em 21 estados brasileiros e cobertura nacional. O objetivo é garantir que os médicos saibam exatamente de onde vem o medicamento que estão receitando, isolando o mercado informal.

"O mercado de saúde não perdoa atalhos. Construímos a estrutura para que o médico tenha na nossa operação a mesma segurança que ele exige de um laboratório de grande porte. Quando marketing, vendas e operação falam a mesma língua, o resultado é confiança", explica Vinicius de Paula, cofundador e CMO da M7 Group.

O avanço desse mercado também reflete uma mudança de preferência no topo da pirâmide de consumo. De acordo com dados da InfoPrice de junho de 2026, a tirzepatida já concentra 57% de participação no mercado total de GLP-1, consolidando-se como o princípio ativo mais procurado em clínicas de alta renda.

Para Gabriela Moreira, cofundadora da startup, o modelo de negócios ganhou tração ao identificar que laboratórios, médicos e pacientes tentavam resolver o mesmo problema de acesso ao tratamento, mas sem um canal de comunicação unificado. Marcos Alves, fundador e CEO da M7 Group, reforça o papel social da profissionalização do setor: "A saúde só evolui quando todos os elos da cadeia evoluem juntos.

Nosso papel é garantir que o médico cuide melhor e o paciente tenha acesso a tratamentos seguros e de qualidade".

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