Trilogia teatral celebra os 70 anos do clássico de João Guimarães Rosa com três montagens protagonizadas por Gilson de Barros e dirigidas por Amir Haddad em curta temporada no Teatro Sérgio Cardoso
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| O Julgamento do Zé Bebelo |
| Créditos: Renato Mangolin |
Em celebração aos 70 anos do lançamento de Grande Sertão: Veredas, o ator e dramaturgo Gilson de Barros apresenta a Trilogia Grande Sertão: Veredas – 70 Anos de Travessia, reunindo recortes fundamentais da obra-prima de João Guimarães Rosa, traduzidos para a linguagem do teatro. O trabalho foi indicado ao Prêmio Shell (Rio 2023) nas categorias Melhor Dramaturgia e Melhor Ator, e recebeu o Prêmio Arcanjo – Especial 2024 – Melhor Projeto, pelo conjunto da obra.
De 15 a 31 de maio, o público poderá assistir às três montagens no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, sob a direção de Amir Haddad, referência histórica do teatro brasileiro.
A programação acontece da seguinte forma: sextas-feiras, Riobaldo – recorte dos amores na obra; sábados, No Meio do Redemunho – recorte da dialética bem/mal, Deus/diabo; e domingos, O Julgamento de Zé Bebelo – panorama do sistema de jagunços no sertão mineiro.
No hall do Teatro acontecerá a exposição Grande Sertão, da artista plástica Graça Craidy, propondo um diálogo sensível e imagético com o universo de João Guimarães Rosa, traduzindo para as artes visuais a força poética e simbólica de Grande Sertão: Veredas. Por meio de cores, texturas e composições que evocam a paisagem, a travessia e os conflitos interiores do sertão rosiano, a artista constrói uma experiência que amplia a leitura da obra literária, convidando o público a percorrer, com o olhar, caminhos de memória, imaginação e pertencimento.
Trajetória e circulação
O projeto teve início em 2020, com a estreia de Riobaldo, indicado ao Prêmio Shell 2022 (Melhor Ator e Melhor Dramaturgia). Em 2022, estreou No Meio do Redemunho, aprofundando a investigação filosófica da obra rosiana. Já em 2024, O Julgamento de Zé Bebelo completou a trilogia, com estreia no Teatro Sérgio Cardoso. No mesmo ano, o conjunto das três montagens foi reconhecido com o Prêmio Arcanjo Especial.
No Brasil, a trilogia realizou 647 apresentações em 68 cidades, alcançando aproximadamente 14 mil espectadores. A circulação passou por diversos estados, incluindo São Paulo (capital e interior), Minas Gerais (Belo Horizonte e várias cidades do interior), Rio de Janeiro (capital e municípios como Macaé, Campos, Duque de Caxias, Niterói, Nova Iguaçu e Valença), além de Brasília, Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba.
Na circulação internacional, foram realizados 10 espetáculos: 6 em Portugal — sendo 5 em Lisboa e 1 no Porto, com público aproximado de 600 espectadores — e 4 na Colômbia, em Bogotá, durante a FILBO, alcançando cerca de 2 mil espectadores. As apresentações consolidam o projeto como um importante vetor de difusão da literatura brasileira no exterior.
“A montagem preserva a especificidade da linguagem poética de Guimarães Rosa, utilizando técnicas de interpretação narrativa que permitem uma imersão profunda na história, respeitando a riqueza linguística do autor”, afirma Gilson de Barros.
“O espaço cênico minimalista, com poucos elementos visuais e sonoros, foi concebido para não sobrecarregar a narrativa, criando um ambiente propício para que o espectador se entregue à força da história e às questões universais que permeiam a obra”, completa Amir Haddad.
Guimarães Rosa pelo olhar de Amir Haddad e Gilson de Barros
Amir Haddad
Diretor e ator brasileiro, cofundador do Teatro Oficina (Uzyna Uzona) e criador do grupo Tá na Rua, Amir Haddad construiu uma trajetória marcada pela pesquisa de uma linguagem teatral popular, política e profundamente brasileira. Seu encontro com Grande Sertão: Veredas é também um encontro com a língua e a identidade do Brasil.
Gilson de Barros
Ator, dramaturgo e gestor cultural, Gilson de Barros dedica-se há anos ao estudo da obra de Guimarães Rosa, especialmente à personagem Riobaldo. Indicado ao Prêmio Shell 2023 (Melhor Ator e Melhor Dramaturgia), constrói um trabalho de fôlego que alia rigor literário, presença cênica e investigação contínua da palavra rosiana no palco.
Trecho da crítica – Furio Lonza
“Riobaldo é teatro na veia, um Guimarães pocket, algo de novo na dramaturgia nacional; sem adereços, sem cenografia e sem figurinos, mas com uma luz abrasiva pilotada pelo experiente Aurélio de Simoni. Em cena, Gilson de Barros administra o tempo e o espaço como um demiurgo regendo o sol do sertão…”
SINOPSES:
Riobaldo - Personagem central de Grande Sertão: Veredas, Riobaldo revisita seus três grandes amores — Diadorim, Nhorinhá e Otacília — e reflete sobre desejo, culpa, redenção e destino, em um mergulho poético na memória e na palavra.
No Meio do Redemunho - Já velho fazendeiro, Riobaldo dialoga com o público e revisita passagens de sua juventude como jagunço, refletindo sobre as forças do bem e do mal, Deus e o diabo, e questionando a própria existência do demônio.
O Julgamento de Zé Bebelo - A peça encena um dos episódios mais emblemáticos do romance: o julgamento de Zé Bebelo, que desafia as leis da violência no sertão ao exigir justiça em um mundo regido pela força.
MINI BIOS
Amir Haddad (direção) – Diretor e ator brasileiro, fundador de grupos fundamentais do teatro nacional, como A Comunidade e Tá na Rua. Reconhecido por sua contribuição à cena brasileira, mantém intensa atividade artística e pedagógica.
Gilson de Barros (ator e dramaturgo) – Formado em Artes Cênicas pela UNIRIO, soma mais de 25 espetáculos no currículo. Trabalhou com diretores como Augusto Boal, Domingos Oliveira e Amir Haddad, com quem desenvolveu a Trilogia Grande Sertão: Veredas. Premiado e indicado em importantes festivais e premiações nacionais.
Ficha Técnica:
Riobaldo
Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa
Recorte e atuação: Gilson de Barros
Direção: Amir Haddad
Cenário e direção de arte: José Dias
Figurinos: Karlla de Luca
Iluminação: Aurélio de Simoni
Programação visual: Guilherme Rocha e Pedro Azamor
Fotos e vídeos: Renato Mangolin
Produção local e assessoria de imprensa: Fabio Camara
No Meio do Redemunho
Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa
Recorte e atuação: Gilson de Barros
Direção: Amir Haddad
Cenário e direção de arte: José Dias
Figurinos: Karlla de Luca
Iluminação: Aurélio de Simoni
Programação visual: Guilherme Rocha e Pedro Azamor
Fotos e vídeos: Renato Mangolin
Produção local e assessoria de imprensa: Fabio Camara
O Julgamento de Zé Bebelo
Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa
Recorte e atuação: Gilson de Barros
Direção: Amir Haddad
Cenário e direção de arte: José Dias
Figurinos: Karlla de Luca
Iluminação: Aurélio de Simoni
Programação visual: Guilherme Rocha e Pedro Azamor
Fotos e vídeos: Renato Mangolin
Produção local e assessoria de imprensa: Fabio Camara
Realização: Barros Produções Artísticas
Serviço:
Grande Sertão: Veredas - 70 Anos de Travessia
Data: De 15 a 31 de maio de 2026. Sexta a domingo.
Sexta - 19h - Riobaldo – recorte dos amores na obra (Riobaldo e Diadorim).
https://bileto.sympla.com.br/
Sábado – 19h - No Meio do Redemunho – recorte da dialética bem/mal, Deus/diabo.
https://bileto.sympla.com.br/
Domingo – 19h - O Julgamento de Zé Bebelo – panorama do sistema de jagunços no sertão mineiro.
https://bileto.sympla.com.br/
Local: Teatro Sérgio Cardoso – Sala Pascoal Carlos Magno Av. Rui Barbosa, 153 – Bela Vista – São Paulo - SP
Informações: 3882-8080
Ingressos: R$ 50,00 (meia) e R$ 100,00 (inteira)
Capacidade: 143 lugares
Duração: 70 minutos
Classificação etária: 16 anos
Pacote promocional: 20% de desconto na compra de ingressos para as três peças na mesma semana
Sobre o Teatro Sérgio Cardoso
Localizado no boêmio bairro paulistano do Bixiga, o Teatro Sérgio Cardoso mantém a tradição e a relevância conquistada em 45 anos de atuação na capital paulista. Palco de espetáculos musicais, dança e peças de teatro, o equipamento é um dos últimos grandes teatros de rua da capital.
Composto por duas salas de espetáculo, quatro dedicadas a ensaios, além de uma sala de captação e transmissão, o Teatro tem capacidade para abrigar 827 pessoas na sala Nydia Licia, 149 na sala Paschoal Carlos Magno, além de apresentações de dança no hall do teatro.
Sobre a Amigos da Arte
A Associação Paulista dos Amigos da Arte, Organização Social de Cultura responsável pela gestão de chamadas públicas, do Teatro Sérgio Cardoso, e do Teatro de Araras, além do Mundo do Circo SP, trabalha em parceria com o Governo do Estado de São Paulo e a iniciativa privada desde 2004.
Música, literatura, dança, teatro, circo e atividades de artes integradas fazem parte da atuação da Amigos da Arte, que tem como objetivo fomentar a produção cultural por meio de festivais, programas continuados e da gestão de equipamentos culturais públicos. Em seus 19 anos de atuação, a Organização desenvolveu cerca de 70 mil ações que impactaram mais de 30 milhões de pessoas.