Um curso on-line e gratuito criado para preparar profissionais de saúde para atuar em plataformas de óleo e gás vem ganhando destaque por unir educação a distância, telemedicina e capacitação prática para áreas remotas. O projeto, liderado por Renata de Freitas e Silva, foi estruturado com desenho instrucional baseado no modelo ADDIE (Análise, Desenho, Desenvolvimento, Implementação e Avaliação) e tem como público-alvo técnicos de enfermagem, enfermeiros, médicos, nutricionistas, dentistas e estudantes dessas áreas.
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| Foto: Divulgação |
O curso “Introdutório para a Atuação do Profissional de Saúde Embarcado na Plataforma de Óleo e Gás” apresenta o mercado offshore e o perfil do profissional embarcado, com foco em capacitar trabalhadores que já atuam, ou desejam atuar, nesse segmento, oferecendo uma base introdutória alinhada às exigências do ambiente de plataforma, onde decisões precisam ser rápidas, os protocolos são específicos e o preparo para situações críticas é indispensável, especialmente em locais remotos e distantes de centros hospitalares.
A relevância dessa capacitação aparece também na produção acadêmica de Renata. Em sua dissertação no Mestrado Profissional em Telemedicina e Telessaúde da UERJ, ela analisou o perfil e as necessidades de treinamento de profissionais offshore e identificou um alto consenso sobre a importância de formação específica: em entrevistas com 67 profissionais, 98,5% afirmaram haver necessidade de treinamento e 94% informaram que fariam um curso EAD.
Segundo dados do próprio projeto, o curso alcançou escala massiva na plataforma, tornando-se uma referência de entrada para quem busca atuar no offshore.
Na prática, o curso gera benefícios em três níveis: para as empresas, reforça a padronização de rotinas, fortalece protocolos e melhora a prontidão para emergências em ambientes remotos; para os profissionais, oferece capacitação gratuita e especializada, ampliando competências e empregabilidade; e, para o sistema de saúde e a sociedade, democratiza o acesso ao conhecimento e cria um modelo formativo replicável em diferentes regiões e países, especialmente onde a assistência depende de logística complexa.
A experiência brasileira na capacitação de profissionais de saúde para atuação em plataformas de óleo e gás vem chamando atenção não apenas pelos números alcançados, mas sobretudo pelo modelo educacional adotado, que se mostra plenamente replicável em outras esferas institucionais e em diferentes países.
A indústria de óleo e gás opera em escala internacional, com plataformas distribuídas em diversas regiões do mundo, muitas delas em áreas remotas, com acesso limitado a serviços de saúde presenciais. Independentemente do país, os desafios são semelhantes: isolamento geográfico, necessidade de resposta rápida a emergências, limitação de recursos locais e exigência de profissionais altamente preparados para atuar de forma autônoma e integrada a sistemas de apoio remoto.
Nesse contexto, o curso oferece um modelo padronizado de formação introdutória, capaz de alinhar expectativas, práticas e conhecimentos mínimos para profissionais que ingressam ou desejam ingressar nesse mercado. A adoção de um desenho instrucional estruturado, baseado no modelo ADDIE, garante não apenas qualidade pedagógica, mas também flexibilidade para adaptação a diferentes realidades regulatórias, culturais e institucionais. Países com forte presença offshore, Reino Unido, Estados Unidos, países do Oriente Médio, África e Sudeste Asiático, enfrentam desafios semelhantes e poderiam se beneficiar com iniciativas como essa - programa educacional com esse nível de organização e alcance.
A implementação do curso em outras esferas institucionais, como universidades, centros de formação técnica, empresas do setor energético ou órgãos públicos de saúde e trabalho, também amplia seu impacto estratégico.
Outro aspecto relevante é o caráter democrático e escalável da iniciativa, ou seja, o curso rompe barreiras geográficas e econômicas, permitindo que profissionais de diferentes países tenham acesso a conhecimentos especializados que, muitas vezes, estão restritos a treinamentos corporativos ou programas fechados.
O curso “Introdutório para a Atuação do Profissional de Saúde Embarcado em Plataforma de Óleo e Gás”, desenvolvido no âmbito do Telessaúde UERJ, consolidou-se como um exemplo concreto de como educação, tecnologia e saúde ocupacional podem caminhar juntas para atender demandas globais.
Mais do que um curso, a iniciativa se apresenta como um framework educacional internacionalmente aplicável, capaz de conectar educação, telemedicina e saúde ocupacional em ambientes remotos, com benefícios diretos para profissionais, empresas e sociedades em escala global.
Em 2026, Renata figura entre as autoras do livro “Fronteiras da Saúde em áreas remotas: A telemedicina no offshore”, listado em publicações apoiadas pela FAPERJ, com editora Dialética.
Renata é enfermeira com mais de duas décadas de atuação estratégica em gestão de operações de saúde, somando experiência clínica, acadêmica e executiva, com liderança de equipes multidisciplinares e participação em iniciativas de alta complexidade. Seu trabalho conecta execução operacional, formação profissional e produção técnica voltada a ambientes remotos, uma combinação cada vez mais valorizada em mercados offshore ao redor do mundo.