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Creator Economy descentralizada: creators de cidades pequenas avançam no mercado de influência

4 de Fevereiro de 2026

Com 1 em cada 6 creators vivendo fora dos grandes centros, regiões menores revelam novos talentos, dores próprias e grande desejo de profissionalização

Rapha Avellar, fundador e CEO da BrandLovers | Foto: Divulgação

A Creator Economy é um mercado em expansão não só econômica, mas geográfica. Longe de ser uma dinâmica restrita às capitais e aos grandes centros urbanos, esse modelo de negócio tem ganhado força em regiões menores — e o mapa dos criadores brasileiros deixa isso evidente. Prova disso é que 1 a cada 6 creators respondentes da pesquisa Creator POV 2025, da BrandLovers, reside hoje em uma zona rural ou em cidades com até 100 mil habitantes.

Apesar de 46% já terem uma experiência de, pelo menos, três anos na área, é interessante notar o movimento de novos entrantes: quase 20% dos pesquisados começaram a desempenhar esse papel há menos de 1 ano. “Se, por um lado, podemos ler esse dado como um sinal de que o mercado é menos maduro fora dos grandes centros, por outro, enxergamos uma oportunidade de fortalecer a expansão e oxigenação do próprio mercado. Ou seja, ao que tudo indica, o interior pode se tornar a nova porta de entrada para o crescimento da Creator Economy”, analisa Rapha Avellar, fundador e CEO da BrandLovers.

Quando observamos em quais plataformas esses creators têm mais seguidores, o retrato reforça a maturidade digital do grupo. Mesmo vivendo longe dos grandes centros, eles seguem a dinâmica nacional da Creator Economy: o Instagram lidera com ampla vantagem, reunindo 70% dos perfis, seguido pelo TikTok, presente em 26% dos casos. YouTube, Kwai e Facebook aparecem de forma residual — um indicativo de que, independentemente do tamanho da cidade, os creators brasileiros operam dentro dos mesmos ecossistemas de influência que moldam tendências no país.

Já na investigação das principais dores e desafios, surge um quadro que se diferencia do cenário nacional. Embora questões comuns à Creator Economy apareçam — como lidar com algoritmos (tema citado por 65% deles) e encontrar parcerias relevantes (58%) —, chama a atenção uma dificuldade diretamente ligada à realidade local. Para os criadores residentes de zonas rurais ou cidades pequenas, o acesso a equipamentos, softwares e infraestrutura técnica é o 4º maior obstáculo. No cenário nacional, esse desafio aparece na 5ª posição.

As maiores dores e desafios de quem cria conteúdo no interior:

1º — Lidar com os algoritmos das plataformas
2º — Encontrar parcerias relevantes
3º — Concorrência acirrada com outros criadores de conteúdo
4º — Dificuldades técnicas na produção de conteúdo (equipamentos, software, infraestrutura)
5º — Manter uma rotina consistente de criação 
6º — Falta de tempo para produzir conteúdo
7º — Burnout ou sobrecarga
8º — Dificuldade em diversificar o tipo de conteúdo

Por outro lado, o ranking nacional apresenta o desafio de manter uma rotina consistente de criação como a 3ª grande barreira, algo que surge apenas na 5ª posição da lista dos creators do interior. “As dificuldades são influenciadas também por fatores geográficos, estruturais e socioeconômicos, que moldam de forma muito diferente a dinâmica e as condições de trabalho de quem vive fora dos grandes centros”, comenta Avellar.

Independentemente das dificuldades, esses creators demonstram forte compromisso com o futuro da profissão: 91% afirmam que pretendem seguir criando nos próximos três anos. Na hora de escolher marcas para fechar parceria, as prioridades também ajudam a revelar o que guia esse grupo. A qualidade dos produtos e a relevância para o seu público ocupam as duas primeiras posições do ranking, enquanto a afinidade com os valores e o propósito da marca aparece logo em seguida — à frente de fatores como remuneração justa, reputação ou liberdade criativa. 

Esse movimento contrasta com o ranking nacional, no qual a remuneração figura entre os três principais fatores de decisão, indicando que, no interior, identificação e alinhamento cultural têm peso ainda maior nas relações entre creators e marcas.

Ao refletir sobre o papel crescente desse grupo dentro da Creator Economy brasileira, Avellar entende que estamos vendo o surgimento de uma força descentralizada, com perspectiva de longo prazo e alto potencial de impacto cultural. “Eles representam uma nova fronteira de crescimento para marcas, plataformas e para o próprio ecossistema de influência no país."

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