Especialista desenvolveu materiais digitais e metodologias inclusivas que apoiam professores diante do avanço da neurodiversidade nas escolas e já impactam educadores em todo o país
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| Luciane Lourenço criou recursos pedagógicos voltados à inclusão | Foto: Divulgação |
A escassez de ferramentas práticas para lidar com a crescente diversidade cognitiva nas salas de aula brasileiras levou a pedagoga Luciane Lourenço, de Ribeirão Preto (SP), a transformar sua vivência profissional em soluções pedagógicas concretas.
Com formação em Pedagogia, Psicopedagogia e especialização em Neurociência Aplicada à Educação, ela inovou ao criar recursos pedagógicos voltados à inclusão, à formação docente e à melhoria do desempenho escolar de crianças típicas e atípicas.
Tais recursos são materiais digitais, livros paradidáticos e metodologias de apoio que hoje já alcançaram mais de 1500 professoras em diferentes regiões do Brasil, especialmente no Nordeste. “Os materiais foram pensados para atender demandas reais da sala de aula, em um contexto no qual professores lidam simultaneamente com alunos com TEA, TDAH, dislexia e outras condições neurodivergentes”, revela a especialista
Segundo ela, a educação precisa de ferramentas aplicáveis à realidade. “Muitas professoras sabem o que precisa ser feito, mas não têm estrutura, tempo ou apoio para adaptar conteúdos”, afirma Luciane. “Meu trabalho nasce dessa lacuna entre teoria e prática.”
A experiência como empreendedora foi um divisor de águas em sua trajetória. Luciane foi cofundadora da ProsperArte, uma escola de educação infantil com proposta humanizada e inclusiva, criada para valorizar a infância, a escuta ativa e o desenvolvimento integral das crianças. Em apenas 30 dias de operação, a escola já atendia cerca de 40 alunos, muitos deles neurodivergentes - realidade que impulsionou sua busca por especializações e aprofundamento técnico.
Foi nesse contexto que surgiram os primeiros materiais pedagógicos autorais, pensados para apoiar professores diante de turmas heterogêneas e com diferentes níveis de aprendizagem. Após sua saída da sociedade, Luciane decidiu direcionar sua atuação para a formação de professores, ampliando o alcance de seu conhecimento para além de uma única escola.
Os materiais criados por Luciane permitem que o professor avalie o estágio de desenvolvimento do aluno e escolha o conteúdo mais adequado, independentemente da série formal em que a criança esteja matriculada.
“Nem sempre a dificuldade está na criança, mas no modelo de ensino que não conversa com ela”, explica. “Quando a professora tem acesso ao recurso certo, o aprendizado acontece, e a família percebe o resultado.”
Os feedbacks recebidos apontam avanços no desempenho escolar, maior engajamento dos alunos e melhoria na relação entre escola e família — um dos pilares do trabalho da pedagoga.
Hoje, Luciane atua de forma estruturada, oferecendo formações presenciais e online, encontros colaborativos e mentorias pedagógicas, muitas vezes realizados de forma independente ou em parceria com escolas e redes de ensino. Para ela, a educação também precisa ser vista sob a ótica da eficiência e do valor gerado.“Pequenas soluções, quando bem pensadas, geram grandes impactos”, acredita.