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Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 30 milhões de mulheres vivem atualmente no Brasil a fase da menopausa, um período natural da vida feminina que envolve profundas mudanças hormonais e impactos diretos na saúde, no bem-estar e na qualidade de vida.
A menopausa não é apenas o fim do ciclo reprodutivo. Trata-se de uma transição biológica marcada por alterações hormonais importantes, que exigem atenção médica e acompanhamento especializado. Para esclarecer o que acontece no organismo feminino nesse período, conversamos com a Dra. Maria Christina Dias, médica especialista em saúde hormonal da mulher.
Quais hormônios entram em queda na menopausa?
De acordo com a Dra. Maria Christina, a menopausa é caracterizada principalmente pela deficiência de estrogênio, mas não apenas dele. Há também queda significativa de progesterona e testosterona, hormônios fundamentais para o equilíbrio do organismo feminino.
“A deficiência desses hormônios não impacta apenas o bem-estar, mas principalmente a saúde da mulher”, explica a médica. Segundo ela, a redução hormonal está associada ao aumento do risco de osteoporose, sarcopenia (perda de massa muscular), alterações do sono, mudanças de humor, além de maior predisposição a doenças crônicas como hipertensão e diabetes.
Impactos físicos, emocionais e na vida sexual
As alterações hormonais da menopausa vão muito além dos conhecidos fogachos. A médica destaca que a queda hormonal pode provocar cansaço excessivo, indisposição, perda da libido, alterações emocionais e dificuldades no sono, afetando diretamente a produtividade, a autoestima e os relacionamentos.
“Muitas mulheres chegam ao consultório se sentindo tristes, chorosas e sem energia. Em alguns casos, esses sintomas são confundidos com depressão, quando, na verdade, o problema central é a deficiência hormonal”, alerta a especialista.
Segundo a Dra. Maria Christina, quando essas alterações não são corretamente identificadas, há um risco maior de uso inadequado de medicamentos como antidepressivos e remédios para insônia, sem tratar a causa real do problema.
A importância do acompanhamento desde a transição menopausal
Um ponto fundamental destacado na entrevista é que o cuidado não deve começar apenas após a menopausa instalada. Existe um período chamado de transição menopausal, que geralmente se inicia por volta dos 40 anos, quando os níveis hormonais já começam a cair.
“Nessa fase, muitas mulheres já apresentam sintomas que comprometem a qualidade de vida. Quanto mais cedo houver acompanhamento médico, melhores serão os resultados”, explica a médica.
Reposição hormonal: como funciona na prática
A terapia de reposição hormonal tem como objetivo repor de forma segura aquilo que o organismo deixou de produzir. Atualmente, são utilizados principalmente os chamados hormônios bioidênticos, que possuem estrutura molecular semelhante aos hormônios naturais do corpo humano.
Antes de iniciar qualquer tratamento, é indispensável uma avaliação clínica completa, com exames laboratoriais, exames hormonais e exames de imagem, como mamografia e ultrassonografia. “A terapia não é igual para todas. Ela precisa ser individualizada e baseada na saúde e nas necessidades de cada paciente”, reforça a Dra. Maria Christina.
A reposição pode ser feita por diferentes vias, como géis, comprimidos ou implantes hormonais, que liberam os hormônios gradualmente na corrente sanguínea e exigem acompanhamento periódico.
Menopausa, longevidade e qualidade de vida
Para a especialista, tratar adequadamente a menopausa é uma estratégia de promoção da saúde e da longevidade. O equilíbrio hormonal contribui para a prevenção de doenças crônicas, melhora da disposição, da saúde óssea, da função muscular e da qualidade de vida como um todo.
“A menopausa não deve ser encarada como o fim, mas como uma nova fase da vida que pode ser vivida com saúde, energia e bem-estar, desde que haja acompanhamento médico adequado”, conclui a Dra. Maria Christina Dias.
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Dra. Maria Christina Dias é ginecologista formada pela FAMERP em 1988, com residência e título em Ginecologia e Obstetrícia. Possui pós-graduação em Cirurgia do Prolapso Genital e Medicina Integrativa. É criadora do Método Golden Slim para emagrecimento e do Protocolo Lipoless para tratamento do lipedema. Estudiosa de hormonologia e longevidade, atua com foco em saúde integral da mulher.
Fonte: Dra. Maria Christina Dias – Ginecologista | @dra.christina