Colaboradores - Tânia Voss

Grandes estrelas agitam o começo do ano

23 de Janeiro de 2026

Oswaldo Montenegro 70 anos em "A Dança dos Signos"

Um dos maiores fenômenos da década de 80, “A Dança dos Signos”, de Oswaldo Montenegro, volta à cena em 2026, ano em que o autor comemora 70 anos de vida

Foto: Oswaldo Montenegro e Mada | Foto: Divulgação

“A Dança dos Signos” é um fenômeno de sucesso. O que faz com que um espetáculo bata todos os recordes de público? A qualidade das músicas? Textos que vão direto à alma de quem o assiste? Arranjos inspirados? A sensibilidade mesclada ao humor? Alguma coisa que se captou do inconsciente coletivo? Ninguém sabe explicar, mas esses acontecimentos ocorrem muito raramente e têm que ser celebrados.

E para comemorar seus setenta anos de vida, o autor resolveu remontar o espetáculo de maior sucesso de sua carreira e sair em turnê em 2026, com estreia marcada para o dia 14 de março, em São Paulo, no Tokio Marine Hall. Na sequência, a “Dança dos Signos” passa pelo Rio de Janeiro, com apresentações nos dias 27 e 28 de março, seguindo para Curitiba, no dia 23 de maio, Brasília, no dia 30 de maio, Porto Alegre, no dia 8 de agosto, e Belo Horizonte, no dia 29 de agosto, além de novas datas que serão anunciadas em breve, em uma circulação nacional que celebra a longevidade e a força desse fenômeno artístico.

O show começa com o compositor cantando sua música “A Lista” e contando uma história que revela por que escolheu essa canção para abrir a apresentação. Na sequência, ele dá início à “A Dança dos Signos”.

Entre um signo e outro, o artista bate papo com o público, canta alguns de seus sucessos e fala de figuras icônicas de cada signo, tocando canções de alguns deles. “A Palo Seco” do escorpiano Belchior, “Eu não existo sem você” do genial aquariano Tom Jobim, citações instrumentais como “Your Song”, do ariano Elton John e trechos de músicas do libriano John Lennon e dos geminianos Paul McCartney, Bob Dylan e Chico Buarque, se misturam a canções de sua carreira, como “Incompatibilidade”, tudo guiado por um fio condutor emocional extremamente bem costurado.

Com isso, o criador mergulha na sua essência: o Menestrel na sua máxima potência, aquele que percorre cidades cantando e contando histórias, conduzindo o público por lugares mágicos, onde o lúdico e a poesia pedem passagem.

A afiada dupla Oswaldo Montenegro e Madalena Salles (flautista e sua fiel companheira de andanças), numa sintonia fina, “pintam e bordam” no palco, tanto em esquetes bem-humoradas como nos textos inspirados do autor e na trilha sonora acertada, percorrendo cada signo do zodíaco.

Nessa tour comemorativa, Montenegro terá a seu lado um time de peso. No palco, além da flautista Madalena Salles, o multi-instrumentista Alexandre Meu Rei, a violoncelista Janaína Salles e ele próprio na viola de 12 cordas contracenam com inúmeras participações virtuais que acontecem num imenso painel de led, com cenas emocionantes, jogos de sombras criativos e coreografias, já que agora “A Dança dos Signos” virou multimídia, com interatividade absoluta entre palco e telão.

Através da Astrologia, tipos humanos foram retratados, o que faz com que cada pessoa da plateia se identifique com o que está sendo contado. E, mais do que falar de Astrologia, a “Dança dos Signos” propõe, de forma poética, a pacífica convivência das diferenças, porque, na diversidade dos signos, os tipos humanos se misturam no democrático painel do zodíaco.

“A Dança dos Signos” causa um bem-estar inexplicável em quem a assiste. A análise fria de porquê isso acontece não importa. A experiência, sim, de viver essas emoções, é imperdível.

O espetáculo tem concepção, texto, música e direção de Oswaldo Montenegro, direção de fotografia, edição e colorização de Ian Ruas, direção de arte, figurinos e adereços de Teca Fichinski, produção de Oswaldo Montenegro e Kamila Pistori, assistência de direção artística de Madalena Salles e mais de cinquenta profissionais envolvidos para realizar esse emocionante show, cujo criador, aos setenta anos de idade, continua sendo o artista mais surpreendente e criativo do seu tempo.

Serviço: Oswaldo Montenegro em sua nova turnê 2026 - A dança dos signos

São Paulo
Data: 14/03/2026
Local: Tokio Marine Hall
Endereço: R. Bragança Paulista, 1281 – Várzea de Baixo, São Paulo – SP, 04727-002
Horário: 22h
Ingressos: www.ticketmaster.com.br

Rio de Janeiro
Data: 27/03/2026 e 28/03/2026
Local: Vivo Rio
Endereço: Av. Infante Dom Henrique, 85 – Parque do Flamengo, Rio de Janeiro – RJ, 20021-140
Horário: 21h
Ingressos: www.ticket360.com.br

Curitiba
Data: 23/05/2026
Local: Teatro Guaíra
Endereço: R. Conselheiro Laurindo, 175 – Centro, Curitiba – PR, 80060-100
Horário: 21h
Ingressos: www.diskingressos.com.br

Brasília
Data: 30/05/2026
Local: Centro de Convenções Ulysses Guimarães
Endereço: SDC – Eixo Monumental, Brasília – DF, 70655-775
Horário: 21h
Ingressos: www.bilheteriadigital.com

Porto Alegre
Data: 08/08/2026
Local: Teatro Bourbon Country
Endereço: Av. Túlio de Rose, 80 – Passo d’Areia, Porto Alegre – RS, 91340-110
Horário: 21h
Ingressos: www.uhuu.com

Belo Horizonte
Data: 29/08/2026
Local: Palácio das Artes
Endereço: Av. Afonso Pena, 1537 – Centro, Belo Horizonte – MG, 30130-004
Horário: 21h
Ingressos: www.eventim.com.br


Sandami grava audiovisual “San Bar & Love” em Ribeirão Preto, em 29 de janeiro

Projeto resgata a cultura musical eclética dos bares e convida o público para dançar e cantar

Foto: San | Foto: Divulgação

O cantor e compositor Sandami, conhecido por sua energia contagiante e por misturar o samba, o pop e o rock com identidade única, vai gravar o seu novo projeto audiovisual “San Bar & Love” ao vivo no bar Tatu Bola em Ribeirão Preto, na quinta-feira, 29, às 20h.

Mais do que uma gravação, essa será uma noite de celebração da música, da amizade e do amor, com o público participando ativamente desse registro. Será uma roda de samba com banda completa e repertório com sambas tradicionais, adaptações de sucessos internacionais; o resgate da cultura musical eclética dos bares marca este novo projeto.

O Tatu Bola, conhecido pelo clima vibrante, sua gastronomia de boteco premium e drinks assinados será o cenário perfeito para “San Bar & Love”, um projeto que une boa música, boa comida e boas histórias em um mesmo espaço. Durante o evento, Sandami e sua banda apresentarão um repertório repleto de sucessos e momentos especiais, em um show que será registrado em áudio e vídeo. “Quero que todos façam parte desse registro comigo. Vai ser uma noite inesquecível!”, convida Sandami.

Sandami se destacou no cenário musical como vocalista do grupo Sambô, reconhecido em palcos pelo Brasil e exterior, participou de importantes festivais – em 2015 liderou a turnê pelos Estados Unidos com o Sambô, passando por seis cidades e em 2016, já na carreira solo viajou com a Tour “De Tudo Pra Todos” para Doha, Catar, em 2019 se destacou no “Brazilian Fest of Pompano Beach”, onde também se apresentaram a cantora Iza, Di Ferrero e a banda Biquini Cavadão. Levou o samba para a Georgia, se apresentando no Brazilian Samba Fest em 2023.

Atualmente gravou o audiovisual “REISAN”, junto com Reinaldo Meirelles, onde homenageiam clássicos do rock, músicas que fazem parte da sua vida. “San7” é o trabalho solo mais recente, que rendeu turnê por todo o Brasil e no exterior, onde o artista apresentou canções autorais inéditas.

Natural de Bauru e criado em Descalvado (SP), aos dois anos de idade já dava as primeiras batidas no pandeiro e desfilava com os pais em escolas de samba. Aos oito, ganhou seu primeiro cachê fazendo malabarismo com pandeiro acompanhado por nove dançarinas, arte que aprendeu com o pai. Aos 15, já se apresentava em bailes no interior de São Paulo. De lá para cá, não parou mais, se destacando pelo trabalho autoral, releituras, voz potente, carisma e o pandeiro.

Serviço do show – Gravação do audiovisual “San Bar & Love” – 29/01/2026
Local: Tatu Bola Ribeirão Preto
Endereço: Avenida Itatiaia, 1214, Jardim Sumaré, Ribeirão Preto, SP
Data: 29 de janeiro, quinta-feira
Horário: 20h
Show: 3h de música ao vivo + gravação oficial
Comida e bebida: serviço do Tatu Bola
Ingressos: https://oticket.com.br/event/8855/san-bar-love
Redes sociais @sandami e @tatubolaribeirao
Ingressos antecipados: OTicket - Gestão de Eventos


Alcione grava "Marabaixo: Tradição do Amapá"

Convidada pelo Governo do Amapá para lançar um single em parceria com o Estado, Alcione resolveu gravar "Marabaixo: Tradição do Amapá" - um medley com algumas das canções mais representativas da cultura afro-amapaense.

Foto: Alcione | Foto: Divulgação

A escolha da "Marrom" deu-se por sua intensa ligação e intimidade com os estilos musicais do Norte e Nordeste, sempre presentes em sua discografia. A artista já gravou forró, xote, baião, maracatu e inúmeras toadas de bumba-meu-boi entre os tantos ritmos das diversas regiões do País.

Somado a isso, a Escola de Samba Mangueira já anunciou que, em 2026, homenageará o Amapá com o enredo "Mestre Sacaca do Encanto Tucuju: o Guardião da Amazônia Negra", que destaca esse curandeiro popular e símbolo da sabedoria ancestral amazônica. Assim, a "negra voz do amanhã" tornou-se a escolha ideal para difundir a cultura amapaense.

O Marabaixo: Resistência e Identidade
"Marabaixo" é uma manifestação cultural afro-brasileira do Amapá, reconhecida pelo IPHAN como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. É uma celebração que funde conhecimentos tradicionais, dança, música, ritos do catolicismo popular e herança africana. Trazida para a Amazônia por negros escravizados, sua origem remonta ao tempo dos porões, surgindo entre o lamento e a resistência. Segundo as narrativas, o nome deriva de "mar acima, mar abaixo", expressão que evoca o balanço dos navios negreiros na diáspora dos africanos.

Nos barracões do Amapá, o Marabaixo é dançado em rodas que giram no sentido anti-horário, com passos arrastados que interpretam a memória dos pés outrora acorrentados. Esta história é vivida com orgulho pelos descendentes de um povo que ressignificou o sofrimento em marca identitária. Hoje, essa herança é uma força cultural e artística que se renova a cada "Ciclo do Marabaixo" - evento que une o sagrado ao comunitário, consolidando-se como símbolo de resistência e potência na arte contemporânea.

Recentemente, a manifestação ganhou as telas nos canais Bis e Globonews com o documentário intitulado "Amazônia Negra: Expedição Amapá", disponível no Globoplay. A obra conta com a participação de Carlinhos Brown, mestres da cultura afro-amapaense e artistas locais, exibindo o esplendor deste que é o "Patrimônio Cultural do Estado do Amapá".

O single "Marabaixo: Tradição do Amapá"
O pot-pourri reúne obras de compositores renomados e canções de domínio público. Entre os destaques está Joãozinho Gomes (paraense, radicado no Amapá há três décadas, um dos autores do samba-enredo da Mangueira 2026). As faixas que compõem o single são Música incidental - "A beleza da arte que emana" (Enrico Di Miceli/Joãozinho Gomes) e "Mão de Couro" (Val Milhomem/ Joãozinho Gomes): "Ladrões de Marabaixo" - "Aonde tu vai, rapaz?" (Raimundo Ladislau, de domínio público), "Rosa Branca Açucena" (tradicional, domínio público), "Meu sarrilho é dobrador" (tradicional, domínio público), "Vaca Malhada" (tradicional, domínio público), "No Marabaixo é Assim" (Wendel Uchôa/Marcus Paes), "O Meu Quilombo" (Adelson Preto), "Eu Caio, Eu Caio" (tradicional, domínio público).

Com produção musical e arranjos do músico amapaense Alan Gomes, o single traz os efeitos e a percussão autêntica da "caixa de marabaixo" de Nena Silva, legítimo representante do quilombo do Curiaú. A obra, cujos arranjos foram concebidos no Amapá, ganhou a voz de Alcione em sessão realizada no estúdio Play Record, no Rio de Janeiro. A direção musical foi conduzida por Alexandre Menezes em colaboração com Alan Gomes, enquanto a mixagem e a masterização ficaram a cargo de Vanios Marques. O coro dos refrões é composto pela cantora Silmara Lobato e a voz dos herdeiros dessa tradição se fez presente com a participação de Cleane Ramos, Daniela Ramos, Julião do Laguinho e Lorrany Mendes.

Um Tributo à Amazônia Negra
Ancestralidade, religiosidade e uma conexão profunda com a arte do Norte brasileiro guiaram este projeto. Ao aceitar o convite, Alcione reafirma seu amor pela pluralidade de um país miscigenado, ajudando a mostrar que o Amapá é uma referência fundamental da nossa Amazônia Negra - um território de riqueza cultural inesgotável que merece ser reverenciado e celebrado por todos os brasileiros. Este lançamento apresenta-se como um precioso compilado de "ladrões" tradicionais do Amapá.

  • Caixa de Marabaixo - Esse rítmo afro-amapaense é tocado em tambores artesanais, chamados de caixas de Marabaixo.

  • Ladrões de Marabaixo - Como são denominados os versos do Marabaixo. Possui o formato em pergunta e resposta, o versador "rouba" um tema do cotidiano e passa a cantá-lo.


Xande de Pilares lança “Nos Braços do Povo Vol. 2” no dia 29 de janeiro

Foto: Xande de Pilares | Foto: Natan Costa

Xande de Pilares lança, dia 29 de janeiro, a partir das 21h, o audiovisual “Nos Braços do Povo Vol. 2”, em todas as plataformas de áudio. No YouTube, será dia 30/01, às 12h. O trabalho traz a segunda edição do projeto que teve o volume 1 divulgado no dia 2/10 e possui mais de 22,6 milhões de reproduções nos aplicativos de música. Gravado no Bar do Zeca Pagodinho do Vogue Square (RJ), no dia 6/10, o novo álbum conta com participações especiais de Sombrinha, em “Pra Viver Assim” (Adilson Victor / Sombrinha), “Oitava Cor” (Luiz Carlos da Vila / Sombrinha / Sombra) e “É Sempre Assim” (Arlindo Cruz / Sombrinha / Marquinho PQD); de Diogo Nogueira, na regravação de “Espelho” (João Nogueira / Paulo Cesar Pinheiro), clássico de João Nogueira que segue emocionando gerações; e de Ferrugem, nas faixas “Esqueci de Te Esquecer” (Xande de Pilares), “A Paz” (Anderson Ramos Lima / Claudemir Da Silva / Rodrigo Martins Da Silva) e “Degradê” (Thiago Soares / Tiago Alexandre), single disponível desde 20/11 que soma cinco milhões de streams. A grande aposta deste lançamento é “Moro Lá”, composição de Elias José, Ney Carlos e Flávio Moreira, que fez o público vibrar durante a apresentação. Ao todo, são 39 faixas. A foto da capa é de Natan Costa e a arte é de Raul Palmer. A produção musical é de João Carlos Filho.


Teresa Cristina apresenta “Jessé – As Canções de Zeca Pagodinho”

O projeto é um tributo afetivo ao mestre do samba carioca, trazendo composições do bamba em versões especiais

Teresa Cristina | Foto: Divulgação

Teresa Cristina acompanha a carreira de Zeca Pagodinho desde o início. Para a artista, o primeiro álbum dele é "irretocável" e de fato é considerado um clássico do samba com três certificados de platina e mais de um milhão de cópias. A cantora é profunda conhecedora da obra do artista, mas agora, no intuito de reverenciar a carreira de um dos maiores nomes da música brasileira, Teresa lança “Jessé - As Canções de Zeca Pagodinho”, álbum com composições do bamba.

Um dos grandes méritos do álbum está na escolha do repertório. Teresa não foi no óbvio. Ela traz luz a composições lindas, mas não tão conhecidas como "Lente de Contato” e “Falsa Alegria”, também inclui letras de Zeca que ficaram conhecidos em outras vozes como “Vôo de Paz”, com Jorge Aragão, “Vem Pra Ser Meu Refrão”, com Reinaldo, e “Meu Poeta", dueto com o parceiro Arlindo Cruz. Ainda inclui sucessos como “Pisa Como Eu Pisei”“Mutirão de Amor” e “São José de Madureira".

Com “Jessé - As Canções de Zeca Pagodinho”, Teresa Cristina dá mais uma prova da sua capacidade enquanto intérprete. A cantora, que já interpretou Paulinho da Viola, Candeia e Cartola em álbuns bastante celebrados e também fez shows com repertório de pagode, de Maria Bethânia, agora apresenta uma de suas melhores performances vocais.

O desejo de cantar e gravar Zeca Pagodinho vem do anseio de Teresa Cristina de trazer à luz as autorias do sambista: "Eu percebi que o Zeca sempre deixou de gravar suas composições para ajudar seus amigos porque ele sabe da diferença que faz para essas pessoas terem uma música interpretada por ele. Ele está sempre lançando outros compositores, abrindo espaço, e foi então que pensei que alguém precisava mostrar para o mundo as lindas canções que ele já fez, por isso o álbum e o novo show se fazem tão importantes.”

“Jessé – As Canções de Zeca Pagodinho” é o primeiro projeto da FF Entretenimento a ser lançado em parceria com a Virgin Music Group, que passa a cuidar da distribuição musical do selo.


Criolo, Amaro de Freitas e Dino D´Santiago se unem em disco que celebra as raízes da língua portuguesa e união de culturas

Foto: Criolo, Amaro de Freitas e Dino D´Santiago | Foto: Divulgação

Há encontros artísticos que parecem planejados pela própria lógica misteriosa da música. Colaborações que não obedecem a agendas, calendários ou estratégias de carreira, mas que surgem como uma espécie de correção de rota. Criolo, Amaro & Dino pertence a essa rara categoria: um álbum que não nasceu de um plano, mas de um instante. Um “chega aí, estamos no estúdio”, dito de forma inesperada via WhatsApp. Um quase acaso. E, talvez por isso, carrega a força das coisas inevitáveis.

O ponto de partida foi Lisboa. A cidade onde as histórias da diáspora africana se sedimentam em camadas visíveis e invisíveis serviu como território neutro e, ao mesmo tempo, altamente carregado. Ali, enquanto Criolo e Dino d’Santiago desenvolviam um projeto inédito, o pianista brasileiro Amaro Freitas apareceu em estúdio. O encontro levou horas, e dessas horas, emergiu “Esperança”, canção que rapidamente escapou das mãos de seus criadores, ganhou vida própria e foi nomeada ao Latin Grammy. A história poderia ter terminado ali. Não terminou.
Em vez disso, aquele primeiro gesto abriu um portal. E o que poderia ter sido uma faixa isolada se transformou num Álbum com A maiúsculo, uma obra que ultrapassa categorias convencionais — rap, MPB, jazz, morna, funaná — para construir um idioma próprio, enraizado nas tradições afro-atlânticas, mas profundamente contemporâneo em forma, timbre e ambição.

Os três artistas vêm de geografias e linhagens distintas. Criolo, um dos nomes mais importantes do hip-hop brasileiro, traz na voz o peso das ruas de São Paulo, a pedagogia das periferias e uma poética de resistência que se dobra, se expande e se reinventa. Dino d’Santiago, algarvio de ascendência cabo-verdiana, é hoje uma das vozes mais proeminentes da música portuguesa, uma figura que reconfigurou o lugar do batuku e do funaná dentro da esfera pop europeia. Já Amaro Freitas é um dos pianistas mais inovadores do jazz atual, redesenhando o instrumento a partir das tradições rítmicas de Pernambuco: maracatu, frevo, baião e desafiando qualquer hierarquia entre “erudito” e “popular”.

À primeira vista, são universos distintos. Mas ao ouvi-los juntos, percebe-se algo mais profundo: todos eles carregam, cada um à sua maneira, o som da diáspora africana, com suas fraturas, invenções, resiliências e continuidades.

Embora gravado entre Rio de Janeiro, Recife, São Paulo e Lisboa, o álbum soa como se nascesse de um único território. Um país que não existe no mapa, mas sim na memória coletiva de todos os que nele participaram. Para chegar até ele, basta fechar os olhos e seguir os sopros de Henrique Albino, que cruzam o disco como trilhas de vento; deixar o corpo ceder aos beats assinados por Criolo, Holly, Seiji sempre em diálogo com as batidas ancestrais; perceber como o piano de Amaro não apenas ocupa espaços, os reinventa; e ouvir as vozes que se alternam como múltiplas versões de uma mesma consciência.

Há canções que parecem crônicas, como “E Se Livros Fossem Líquidos?”, cujo imaginário literário se derrama em metáforas políticas. Outras funcionam como encontros comunitários, como em “Você Não Me Quis”, com a participação das Clarianas, ou “Menina do Côco de Garipé”, onde rabeca, coro e percussão evocam heranças que antecedem o próprio conceito de Brasil.

Os versos aproximam geografias — Amazonas, Califórnia, o planeta inteiro — lembrando que o colapso climático não reconhece fronteiras. Sem doutrinar, apenas iluminando o óbvio, cada canção nascida desse encontro faz o que a música afro-diaspórica sempre fez: desafia a ideia de “centro cultural”, desloca coordenadas e coloca em circulação mundos historicamente confinados. O disco não reivindica lugar — ele cria um.

Por Kalaf Epalanga
Ouça: https://soundcloud.com/contato-111611956/sets/criolo-amaro-dino/s-i0qfnTOo63y?si=a6c94db2ac234e86b0147b35f9e5f34b&utm_source=clipboard&utm_medium=text&utm_campaign=social_sharing


“Susi, o Musical” chega aos palcos em produção inédita que revisita memórias e debate questões atuais

A boneca Susi em um musical

Foto: Susi | Foto: Gatú Filmes

Com ingressos já à venda, o musical traz de volta a icônica boneca brasileira em uma história inédita que mistura memória afetiva, humor, crítica social e músicas originais, prometendo emocionar e divertir toda a família.

Um dos maiores ícones da infância brasileira está prestes a ganhar nova vida nos palcos. A boneca Susi, lançada pela Estrela em 1966 e responsável por marcar gerações, retorna agora como protagonista de “Susi, o Musical”, idealizado e escrito por Mara Carvalho, com músicas de Thiago Gimenes e concepção e direção de Ulysses Cruz.

Na pele de Susi estará a cantora e atriz Priscilla, artista que iniciou sua trajetória ainda na infância, consolidou uma carreira sólida na música pop brasileira e vem ampliando sua atuação nos palcos e no audiovisual, destacando-se pela versatilidade vocal e cênica. A escolha da intérprete reforça o diálogo entre gerações proposto pelo musical e sublinha a força simbólica da personagem como representação de identidade, transformação e resistência cultural. Outros grandes nomes do elenco — que darão vida às diferentes versões da boneca, aos personagens simbólicos da narrativa e ao universo real da trama — serão revelados em breve.

O musical acompanha a trajetória de Victor, um menino de imaginação fértil, absorvido por um cotidiano mediado por telas que limitam sua percepção do mundo. Em um mergulho onírico que transita entre sonho e pesadelo, ele embarca em uma jornada fantástica na qual se confronta com seus medos e descobre novas perspectivas ao lado de Susi.

Nesse universo simbólico, surge Vênus, personagem que encarna padrões importados, discursos de perfeição e as pressões contemporâneas do consumo e da imagem, atuando como força de oposição e provocação ao longo do percurso do protagonista. Entre aliados e antagonistas, Victor atravessa um verdadeiro rito de passagem, aprendendo a lidar com as transformações e contradições da infância rumo à adolescência.

Entre músicas, humor e emoção, o espetáculo aborda temas universais e contemporâneos, como identidade, autoestima, consumismo, feminismo, redes sociais, globalização e pertencimento. Ao longo dessa jornada, Victor descobre sua vocação e encontra caminhos de reconexão com a própria história, enquanto Susi luta para reafirmar sua relevância diante das novas gerações. Em cena, a personagem se multiplica em diferentes versões — que representam diversas profissões, etnias e possibilidades — refletindo a pluralidade da mulher brasileira e evidenciando sua resistência cultural frente ao brilho importado de padrões estrangeiros.

A ideia de transformar a boneca Susi em um musical surgiu em 2023, a partir de uma conversa entre Mara Carvalho e Ulysses Cruz sobre o impacto cultural recente de produções que revisitam ícones do imaginário coletivo. A provocação inicial deu origem a um projeto que vem sendo desenvolvido desde então, com o objetivo de resgatar memórias afetivas e, ao mesmo tempo, propor uma leitura crítica e contemporânea sobre identidade, pertencimento e consumo cultural.

Para o diretor Ulysses Cruz, o impulso criativo da montagem nasce do desejo de explorar a ousadia artística do teatro musical como linguagem capaz de ir além do entretenimento. Inspirado tanto pelo impacto cultural da boneca quanto por suas próprias memórias de infância ligadas aos brinquedos da Estrela, o diretor construiu uma narrativa que combina humor, fantasia e reflexão, utilizando o teatro musical como território fértil para discutir temas pouco usuais dentro do gênero, equilibrando diversão e pensamento crítico.

A trilha sonora, assinada pelo diretor musical Thiago Gimenes, é parte essencial da dramaturgia. A instrumentação e a orquestração evidenciam a identidade de cada personagem e acompanham o ritmo da narrativa, transitando entre eletrônico e acústico, rock, pop, MPB, rap, trap e referências sonoras dos anos 1970. A música funciona como extensão do texto, revelando subtextos, impulsionando a ação e alternando entre momentos delicados e grandiosos para contar a trajetória atemporal de Susi e Victor.

Além da protagonista e de sua rival simbólica, o musical apresenta personagens icônicos do universo da boneca, inseridos em situações que equilibram humor e crítica. Ao propor uma experiência lúdica e emocional que costura passado e presente, diversão e reflexão, Susi, o Musical convida o público a revisitar memórias, questionar padrões impostos e reafirmar a autenticidade como valor essencial.

Serviço
Local: Teatro Sérgio Cardoso – Sala Paschoal Carlos Magno
Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista – São Paulo/SP
Estreia: 21 de fevereiro, quinta-feira, 20h
Temporada: De 21 de fevereiro a 12 de abril
Sessões: quintas e sextas 20h, sábados e domingos 16h e 20h
Ingressos: Plateia: Inteira: R$ 200,00 | Meia Entrada: R$ 100,00
Plateia Alta: Inteira: R$ 160,00 | Meia Entrada: R$ 80,00
Balcão: Inteira: R$ 50,00 | Meia Entrada: R$ 25,00 |
Vendas: Site da Sympla (https://bileto.sympla.com.br/event/114413) ou bilheteria local - Classificação Etária: Livre

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