Viver - Saúde

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20 de Setembro de 2021

Pro Criança Cardíaca faz 25 anos no Mês do Coração e comemora o sucesso de vidas salvas e milhares de lições de esperança

Maria das Graças de Medeiros Costa deu à luz ao filho Ramon e recebeu o prognóstico de que se em seis meses o bebê não passasse por uma cirurgia para correção de uma cardiopatia congênita ele não sobreviveria. Quem conta esta história, 25 anos depois, é o próprio Ramon, que enfrentou ainda uma segunda intervenção cirúrgica para colocar uma prótese metálica. Deu tudo certo, o sorriso está no rosto tão escancarado como a cicatriz testemunha de sua história. Hoje, graduado em Psicologia, tem o propósito de fazer a diferença na vida das pessoas tanto quanto o Pro Criança Cardíaca, que também comemora 25 anos em setembro, no Mês do Coração, fez diferença na sua.

“Quando minha mãe conheceu a instituição tinha apenas esperança”, conta Ramon, um dos 15 mil pacientes assistidos pelo Pro Criança Cardíaca nessas duas décadas e meia de vida.

De consultas mensais para trimestrais, semestrais e anuais, com rotina intensa de cuidados, atenção a ajustes de medicação e uma série de cuidados que tornaram a vida do jovem fluida, Ramon se prepara para “deixar” o lugar que o acolheu e cuidou dele a vida toda. A certeza de que quer entregar para a sociedade o mesmo bem que recebeu é uma constante. Enquanto encara essa transição, que ele chama de desmame, na manutenção do cuidado cardiológico, assume a gratidão por ter recebido, gratuitamente, durante toda a sua vida e a vida do Pro Criança Cardíaca tudo o que precisou. “Eu vi de perto toda a evolução de um sonho da Dra. Rosa Celia, sem o qual eu, por exemplo, poderia não estar aqui para contar”, alegra-se Ramon ao mencionar a incorporação ao Sistema Único de Saúde, a construção do hospital [hoje incorporado pela Rede D’Or], a chegada de empresários importantes nas doações.

A equipe de Dra. Rosa é a responsável também pelo alívio de Simone dos Anjos, mãe de Matheus dos Anjos, de 4 anos, que nasceu com Tetralogia de Fallot, e encontrou o Pro Criança Cardíaca seis meses após o nascimento do bebê. A má formação foi descoberta durante o pré-natal e trouxe muita angústia para a família. “Sabia-se que o problema estava associado a alguma síndrome e o medo tomou conta de mim, afinal não eram poucas as possibilidades, mas quando meu filho nasceu só importava o que fazer para que ele continuasse conosco”, relembra Simone ao falar da Síndrome de Down de Matheus (50% dos downs nascem com problema cardiológico), que segue todo o tratamento com os médicos da instituição.

“Vi meu filho ter todos os cuidados de forma indistinta, dentro de um hospital de alto nível, e sem gastar nada. Lidar com tanta vulnerabilidade é muito complicado, mas aprendemos muito também. “Assim que conheci Dra. Rosa ouvi que nem banho devia dar no meu filho todos os dias para preservá-lo. Tive que aceitar que, apesar da Down e toda necessidade de estímulo, não deveria puxar demais por ele, as fisioterapias seriam menos aceleradas. Conheci o que significam as prioridades e sigo assim”, resigna-se Simone.

Simone e o marido, Nielton dos Anjos, são hoje elo dessa corrente do bem que conheceram no Pro Criança. Quando Matheus deixou de tomar o leite especial que recebi da instituição, eles doaram tudo o que tinham em casa para outras crianças com a mesma necessidade e compram e divulgam firmemente todos os produtos que estão disponíveis pelo site da instituição.

Além de histórias tão encorajadoras de personagens da vida real, 32.000 consultas cardiológicas e 1.500 procedimentos invasivos para salvar vidas realizados,
há mais motivos para comemorar: o Pro Criança é hoje uma das 100 melhores ONGs do Brasil; é uma instituição sem fins lucrativos profissionalizada, com governança humanizada, administração transparente, com um Código de Ética e Conduta que os leva a ter destaque no Terceiro Setor, quanto à implantação, treinamento e cumprimento das normas e diretrizes de compliance. Se tem uma coisa que a instituição faz é não parar.

Como tudo começou e toda história está no livro Rosa Celia e o Coração da Criança. O desafio para os próximos 25 anos, segundo a direção do Projeto, é expandir a equipe e demais recursos para atender mais crianças e jovens, primeiro ampliando os serviços no Rio de Janeiro, depois chegando a outras localidades.

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