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Camila Leal defende valorização da Psicologia e mostra como falta de posicionamento limita carreiras

4 de Novembro de 2026

Mentora já impactou mais de 6 mil profissionais e defende que qualidade técnica, ética, comunicação e valorização financeira podem caminhar juntas na construção de uma carreira sustentável na Psicologia

Foto: Divulgação

Antes de orientar milhares de psicólogos sobre posicionamento e desenvolvimento profissional, Camila Leal encontrou na Psicologia apoio para atravessar um período difícil. Entre os 16 e 17 anos, enfrentou um quadro depressivo e recebeu acompanhamento psicológico, psiquiátrico e medicamentoso. A experiência despertou sua escolha profissional.

"Foi um sofrimento muito grande, mas também recebi um apoio imenso da minha psicóloga. E foi ali que decidi: eu queria ser para alguém aquilo que ela estava sendo para mim. Alguém que me ajudou a sair do fundo do poço e a voltar a encontrar sentido na vida", conta.

Durante a faculdade, começou a compartilhar estudos e leituras nas redes sociais. O perfil cresceu de forma orgânica até se aproximar de 300 mil seguidores, atraindo pessoas interessadas em terapia e psicólogos que desejavam aprender a se comunicar. Como ainda não poderia atender, identificou uma oportunidade de aproximar profissionais qualificados de quem buscava acompanhamento.

"Percebi duas demandas acontecendo ao mesmo tempo: pessoas procurando terapia e profissionais precisando chegar até esses pacientes", explica.

A baixa valorização da Psicologia começou a incomodá-la ainda durante a formação

A preocupação com a remuneração surgiu na graduação, quando Camila recebia R$ 300 mensais em um estágio de segunda a sexta e observava profissionais recebendo valores baixos por sessão. Essa realidade a levou a questionar a ideia de que propósito e estabilidade financeira seriam incompatíveis.

"Sempre me incomodou essa ideia de que psicólogo trabalha apenas por amor e não pode pensar em dinheiro. Eu discordava e continuo discordando", afirma. A valorização profissional tornou-se, assim, uma das principais bandeiras de sua atuação.

O desejo de mentorar outros psicólogos nasceu da percepção de que muitos limites haviam sido naturalizados

Ao conversar com psicólogos, Camila percebeu que muitos enxergavam condições de trabalho indesejadas como etapas obrigatórias da carreira.

"Percebi que muitos psicólogos tinham aprendido a aceitar limites que nem sempre precisavam existir. Alguns ouviam que deveriam necessariamente começar atendendo por planos de saúde ou cobrando muito pouco", explica.

A experiência com a própria comunicação digital a incentivou a compartilhar alternativas. "Vi que podia compartilhar caminhos práticos para ajudá-los a se posicionar, atrair pacientes e valorizar seu trabalho", afirma.

Mais de 6 mil profissionais passaram a fazer parte da comunidade construída por Camila

Atualmente, mais de 6 mil alunos integram a comunidade criada por Camila. Para ela, esse crescimento está ligado à clareza de seus posicionamentos.

"Eu sempre defendi com clareza meus valores, mesmo sabendo que nem todo mundo concordaria comigo", explica.

Entre as mudanças que acompanha, destaca profissionais que passaram a cobrar melhor, organizar a carreira e apresentar seus serviços com mais segurança. Mais do que o avanço financeiro, valoriza o reconhecimento que esses psicólogos passam a ter sobre o próprio trabalho.

Culpa, crenças sobre dinheiro e insegurança profissional ainda limitam muitos psicólogos

Camila identifica três dificuldades recorrentes: acreditar que ninguém valoriza o atendimento, sentir culpa ao cobrar e considerar-se permanentemente despreparado. Embora defenda a formação continuada, observa que o estudo pode se tornar uma maneira de adiar decisões.

"Há psicólogos com anos de experiência que continuam adiando decisões porque acham que precisam de mais um curso ou mais uma especialização. O aprendizado é indispensável, mas não pode virar uma justificativa para nunca colocar o conhecimento em prática", explica.

Falar sobre dinheiro ainda parece proibido dentro da Psicologia

Para Camila, desejar uma remuneração justa não diminui o compromisso com o cuidado nem a importância de iniciativas sociais.

"Não sou contra atendimento social, voluntariado ou iniciativas para ampliar o acesso ao cuidado. Acho tudo isso importante. Mas não significa que todo psicólogo tenha a obrigação de trabalhar gratuitamente ou de abrir mão de uma remuneração justa. Psicologia também é profissão", ressalta.

Em sua visão, uma carreira sustentável permite investir em livros, supervisão e aperfeiçoamento profissional.

Foto: Divulgação

Competência técnica precisa encontrar espaço para ser percebida

A mentora considera um erro esperar que diplomas e qualificação gerem reconhecimento espontâneo. Para que o público encontre um profissional, também precisa compreender sua atuação e saber como buscar seus serviços.

"Abrir um consultório não é, por si só, uma estratégia de captação. É preciso construir um caminho para que as pessoas conheçam o profissional, entendam sua atuação e saibam como buscar atendimento", explica. Comunicação, gestão e posicionamento aparecem, portanto, como habilidades complementares à competência técnica.

A metodologia da mentoria parte de quatro pilares

A mentoria de Camila reúne posicionamento, estruturação dos serviços de acompanhamento, conteúdo e vendas. A proposta é ajudar o psicólogo a definir seu público, organizar a atuação e apresentar seus serviços com clareza, respeitando a autonomia dos pacientes e os limites éticos da profissão.

"Conteúdo é o que permite demonstrar conhecimento, construir confiança e ajudar o potencial paciente a compreender por que aquele profissional pode ser uma boa escolha", explica. Para ela, vender envolve comunicar o serviço de maneira responsável, sem pressionar quem procura atendimento.

A trajetória de uma aluna mostra como posicionamento e execução podem caminhar juntos

Entre os exemplos, Camila cita a psicóloga Isadora Loureiro, que atua na área de relacionamentos. Segundo a mentora, a profissional passou de um faturamento aproximado de R$ 7 mil para R$ 25 mil, construiu sua equipe e ultrapassou 20 mil seguidores no Instagram.

"O que mais admiro na Isadora é sua dedicação. Ela é o tipo de profissional que eu chamo de fazedora: alguém que não fica apenas na teoria, mas executa, acompanha e aplica o método", conta.

Comunicar o valor da terapia não significa prometer resultados

Camila defende que a divulgação do trabalho psicológico deve respeitar a singularidade de cada pessoa.

"O psicólogo precisa conseguir explicar, de maneira simples, em que consiste seu trabalho e como ele pode ajudar, sem prometer cura, resultados garantidos ou soluções iguais para todas as pessoas. Cada paciente tem sua história e suas particularidades", afirma.

Em sua avaliação, comunicar com responsabilidade ajuda o público a compreender o acompanhamento e encontrar profissionais qualificados.

A presença digital deixou de ser apenas um diferencial

Na visão da mentora, as redes sociais ampliam as possibilidades de o psicólogo ser encontrado, complementando indicações e contatos presenciais. Essa presença pode ser construída com conteúdo profissional, sem exposição da vida pessoal.

"Não se trata de expor a intimidade, mas de compartilhar conhecimento e construir uma presença coerente com o próprio trabalho", destaca. A visibilidade, para Camila, funciona como uma ponte entre o profissional e as pessoas que ainda não conhecem sua atuação.

O mercado de Psicologia cresceu junto com a abertura das conversas sobre saúde mental

Camila observa com otimismo a maior abertura para falar sobre terapia. "Antigamente, muita gente evitava falar que fazia terapia; hoje, esse assunto aparece com muito mais naturalidade", comenta.

Para ela, esse movimento amplia possibilidades, mas também reforça a necessidade de atualização. "Acredito que existem grandes oportunidades para quem está começando e para quem deseja crescer, especialmente para profissionais que unem qualidade técnica, ética e capacidade de comunicação", explica.

Foto: Divulgação

A maior conquista não está apenas no crescimento da própria carreira

Ao olhar para sua trajetória, Camila destaca as mudanças vividas pelos alunos como sua principal realização.

"Cada vez que recebo uma mensagem de um mentorado dizendo que conseguiu aumentar o valor da sessão, abrir um consultório, comprar a casa própria, conquistar um carro ou fazer uma viagem em família, sinto que tudo vale a pena", conta.

Para ela, a valorização também amplia as condições de o profissional continuar estudando e aprimorando o atendimento.

“Não espere que o reconhecimento aconteça sozinho”

Para psicólogos que desejam crescer, Camila recomenda compartilhar conhecimento e utilizar os canais digitais para tornar seu trabalho conhecido.

"Estar nas redes sociais não significa necessariamente expor sua intimidade ou sua vida pessoal. Significa gerar valor, tornar seu conhecimento acessível e permitir que mais pessoas conheçam seu trabalho", explica.

É nessa combinação entre Psicologia, comunicação e valorização profissional que concentra sua atuação. "Não espere que o reconhecimento aconteça sozinho: faça sua parte para ser visto", conclui.

Para acompanhar o trabalho de Camila Leal e seus conteúdos sobre posicionamento, carreira e valorização profissional na Psicologia, acesse o perfil no Instagram: @camilalealmkt.

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