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Carlos André transforma falência em recomeço após 14 anos de dívidas

30 de Setembro de 2026

Empresário começou vendendo picolé em Alagoas, enfrentou a quebra de uma transportadora e retomou os negócios durante a pandemia

Foto: Divulgação

A trajetória empresarial de Carlos André Gomes da Silva começou aos 12 anos, quando ele vendia picolés pelas ruas de Arapiraca, no Agreste de Alagoas. Décadas depois, a história passou por uma empresa de transporte de veículos, uma falência em 2005, 14 anos dedicados à quitação de dívidas e um novo negócio criado em meio à pandemia de Covid-19. Aos 50 anos, o empresário comanda o Grupo BRLogis, operador logístico do setor automotivo com sede em São Bernardo do Campo, em São Paulo.

A experiência de vender picolé ainda na infância é lembrada por Carlos André como uma das primeiras lições sobre empreendedorismo. Segundo ele, lidar com recusas e continuar tentando foi uma habilidade que acompanhou as diferentes fases da carreira.

Em 1999, ele fundou a Trans André, empresa voltada ao transporte de veículos. O negócio cresceu rapidamente e, cinco anos depois, chegou ao que o empresário considera seu período de maior expansão. Em 2005, porém, a empresa entrou em processo de falência.

Segundo o relato de Carlos André, a crise foi resultado de uma combinação de contratos que não tiveram o desfecho esperado, conflitos empresariais e processos judiciais. Com a quebra, parte dos ativos da companhia foi vendida e o empresário passou a lidar com as consequências financeiras do negócio.

A quitação das dívidas levou 14 anos. Durante esse período, ele afirma ter mantido o mesmo número de telefone e buscado cumprir os compromissos assumidos. O processo também alterou sua relação com pessoas que faziam parte de seu círculo profissional e pessoal.

Um novo começo durante a pandemia

O recomeço veio em 2020. Em outubro daquele ano, durante a crise sanitária provocada pela pandemia, Carlos André fundou a BRLogis, inicialmente voltada para atender empresas do segmento de locação de veículos.

O novo negócio nasceu com uma estrutura diferente da primeira empresa. De acordo com o empresário, a experiência anterior mostrou a necessidade de acompanhar o crescimento com organização, planejamento e controle da operação.

A BRLogis passou a atuar não apenas no transporte, mas também em atividades relacionadas à preparação de veículos, pátios e tecnologia de rastreamento. A empresa reúne frota própria e de terceiros e ampliou sua atuação para o Brasil e outros países do Mercosul.

A mudança de estratégia também foi acompanhada por uma nova estrutura societária. No início da operação, segundo o relato apresentado, a empresa contava com 75 sócios.

Expansão e novos investimentos

Em julho de 2026, a companhia registrou crescimento de 332% em um único mês, segundo as informações divulgadas pela empresa. O avanço foi associado a um aporte de investidores estrangeiros e abriu espaço para novos contratos com montadoras.

No mesmo período, a BRLogis anunciou investimento de R$ 75 milhões destinado à renovação e ampliação da frota. A medida busca aumentar a capacidade operacional para o transporte de veículos.

Em agosto, a empresa também foi incluída entre as companhias homenageadas pelo ranking EXAME Negócios em Expansão 2026. A edição reuniu 491 empresas entre as 838 inscritas, segundo as informações apresentadas no material.

A direção da BRLogis afirma que o novo aporte permitiu antecipar planos de expansão e ampliar a operação junto a montadoras. O crescimento, porém, ocorreu após um longo período em que o empresário precisou administrar as consequências financeiras da primeira empresa.

A trajetória mostra também a importância do acesso a capital para a expansão empresarial. No caso da BRLogis, parte relevante do investimento que acelerou o crescimento veio de investidores estrangeiros.

Relações comerciais com o Paraguai

Em 2026, Carlos André também passou a atuar em iniciativas voltadas à aproximação entre empresários brasileiros e o Paraguai. Por meio da BRPY Conexão, reuniu cerca de 100 empresários em São Paulo com representantes políticos de Ciudad del Este.

O encontro teve como objetivo apresentar possibilidades de investimentos no país vizinho, incluindo informações sobre a Lei de Maquila, custos de energia e a estrutura da zona industrial paraguaia.

Em maio, durante uma sessão solene na Câmara Municipal de Maceió, Carlos André recebeu a Comenda Vereador Otacílio Holanda pelo trabalho relacionado à aproximação entre empresários dos dois países.

A atuação internacional passou a integrar uma nova etapa da trajetória empresarial, marcada pela busca por oportunidades além do mercado brasileiro e pela conexão entre empresas de diferentes países do Mercosul.

Uma trajetória marcada pelo recomeço

A história de Carlos André reúne diferentes fases do empreendedorismo. O primeiro contato com o comércio ocorreu ainda na infância, em Arapiraca. Na vida adulta, veio a expansão da Trans André, seguida pela falência e por 14 anos de compromissos financeiros até a quitação das dívidas.

O segundo negócio surgiu em um período de crise econômica e sanitária. A BRLogis começou em 2020 e, nos anos seguintes, passou a operar em diferentes frentes da logística automotiva.

O próprio empresário costuma resumir a experiência com uma frase associada ao período em que vendia picolés: “Quem para na primeira não vende picolé. Quem para na primeira não vende nada”.

A trajetória, portanto, não se resume aos resultados registrados em 2026. Ela também envolve o período de recuperação financeira, as mudanças na forma de administrar uma empresa e a tentativa de transformar as experiências da primeira operação em critérios para o segundo negócio.

Aos 50 anos, Carlos André segue à frente da BRLogis enquanto amplia relações comerciais no Brasil e no Mercosul. A história combina crescimento empresarial, dificuldades financeiras e um processo de reconstrução que começou depois de uma falência e levou mais de uma década para ser concluído.

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