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Da norma ISO 26262 aos algoritmos: a rota pouco óbvia de um gestor de produtos de IA

29 de Setembro de 2026

Antes de liderar produtos de inteligência artificial usados ​​por mais de 50 mil escritórios de advocacia, Patricia Tirachi passou por normas de segurança automotiva, gestão de PMOs e migração de dados corporativos.

DIRETO AO PONTO

▸ De 2016 a 2018, atuou em engenharia automotiva sob normas de segurança funcional (ISO 26262) e qualidade de processo (ASPICE).

▸ Entre 2019 e 2022, criou do zero o primeiro PMO da L4B Software, alemã de software embarcado, dobrando o quadro de funcionários da empresa.

▸ Hoje lidera produtos de IA na Thomson Reuters, aplicando à IA jurídica a mesma lógica de qualidade formal aprendida na indústria automotiva.

Da pista de provas ao escritório de projetos

Formada em engenharia elétrica com foco em sistemas eletrônicos, Patricia iniciou uma carreira técnica na indústria automotiva alemã, passando por empresas como Bertrandt e Altran (hoje parte da Capgemini Engineering) entre 2016 e 2017. Trabalhou no desenvolvimento de sistemas avançados de assistência ao motorista (ADAS), sob normas como a ISO 26262, de segurança funcional, chegando a atuar como engenheira residente junto a montadoras europeias.

Essa vivência com sistemas de missão crítica, em que uma falha de software pode ter consequência física real, viraria, anos depois, um diferencial pouco comum entre gestores de produtos de IA: familiaridade prévia com processos formais de qualidade, rastreabilidade e auditorias.

Foto: Divulgação
 

De 75 para 150 funcionários

Entre 2019 e 2022, na L4B Software, empresa alemã de software embarcada para os setores automotivo, médico e de eletrônicos de consumo, Patricia estruturou desde a base o primeiro PMO da companhia. Sob a sua gestão, o quadro de funcionários dobrou, de 75 para 150 pessoas, e a empresa obteve a sua primeira certificação TISAX, selo de segurança da informação exigida por montadoras.

Depois de dois anos como consultora independente, gerenciando programas de transformação de dados para clientes dos setores farmacêuticos, de consultoria estratégica e de turismo de luxo, ela migrou para a área de produto de inteligência artificial.

A regra de qualidade aplicada à IA

Hoje à frente de equipes de IA/ML na Thomson Reuters, Patrícia diz aplicar a mesma lógica que orientou sua formação técnica: definir critérios objetivos de qualidade antes de colocar um sistema em produção. Segundo dados de seu currículo profissional, sob sua gestão a proporção de pull requests de inteligência artificial revisados ​​automaticamente na área de P&D Jurídico da empresa saltou de 10% para 51% em dois meses, e a taxa de alucinação dos modelos usados ​​na plataforma jurídica Westlaw caiu 35% entre o quarto trimestre de 2025 e o segundo de 2026.

" Trabalhar com sistemas automotivos me ensinou que confiabilidade não é um bônus, é pré-requisito. É esse padrão que tentar aplicar os produtos de IA, mesmo em um setor tão diferente como o jurídico .", ressalta a especialista Patricia Tirachi

É esse trânsito entre disciplinas, da engenharia de hardware embarcado à gestão de portfólio de produtos de IA generativa, que hoje diferencia sua atuação dentro da tecnologia jurídica, mercado ainda em busca de profissionais capazes de unir rigor técnico e visão de produto.

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Colaboração / Conteúdo produzido e fornecido para o Cartão de Visita News por Anderson Souza Araújo
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