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Serra Negra sedia Integra.T, jornada de transformação para o turismo regional

28 de Setembro de 2026

Encontros promovem formação, diagnóstico e atividades práticas para que municípios paulistas identifiquem desafios, valorizem suas características e construam estratégias conjuntas para o turismo

Identificar o que diferencia cada território, reconhecer desafios que precisam ser enfrentados em conjunto e transformar essas descobertas em estratégias para o turismo. Esse foi o exercício realizado por representantes de diferentes regiões turísticas de São Paulo durante a etapa presencial do Integra.T, realizada nos dias 21 e 22 de setembro, em Serra Negra, no Circuito das Águas Paulista.

Promovida pela Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP), em parceria com Aprecesp, Amitesp, Sebrae-SP e Senac-SP, a jornada reúne gestores públicos, empresários e profissionais do turismo em uma programação que combina formação, diagnóstico, trabalho de campo e construção coletiva.

No primeiro dia, cerca de 50 participantes estiveram no workshop do Valoriza SP, conduzido pela consultora de turismo Luciana Sagi. Representantes de diversas regiões turísticas trabalharam em grupos na elaboração de um plano regional, a partir da identificação dos desafios enfrentados pelos próprios territórios.

Entre os gargalos apontados estavam a curta permanência dos visitantes, a falta de comunicação entre diferentes setores do turismo, a necessidade de uma estratégia coletiva de promoção e a preparação da mão de obra. A discussão também abordou como a experiência turística ultrapassa o negócio individual e depende da articulação entre os diferentes atores que formam um destino.

No período da tarde, participantes pré-inscritos participaram da formação do Sebrae-SP “Transforme sua Reunião em Algo que Valha a Pena”, voltada a empresários e gestores públicos. A atividade abordou procedimentos, comportamentos e ferramentas para tornar as reuniões mais produtivas e estimular o comprometimento dos participantes com os resultados.

No segundo dia, o encontro reuniu cerca de 130 pessoas, com representantes de 28 Regiões Turísticas do Estado. Entre elas estavam Circuito das Águas Paulista, Mogiana, Raízes do Campo, Cavernas da Mata Atlântica, Encantos da Anhanguera, Circuito das Frutas, Entre Rios, Serras e Cafés, Paranapanema, Costa da Mata Atlântica e Serra do Itaqueri.

Para quem acompanha o Integra.T desde o início, a participação presencial amplia o intercâmbio entre municípios e regiões. É o caso de Camila Assoni, secretária de Turismo de Analândia, na Região Turística Serra do Itaqueri.

“Estou participando do Integra.T desde o início. Nesta etapa, fiz questão de participar de maneira presencial porque a pauta é muito importante, tanto para o município quanto para a região turística, porque conseguimos trocar ideias e experiências e identificar onde podemos melhorar”, afirmou.

A programação começou com a apresentação do relatório-diagnóstico do Circuito das Águas, elaborado no âmbito da Setur-SP e apresentado pela consultora Luciana Sagi. O material serviu como ponto de partida para a discussão sobre identidade territorial e posicionamento turístico.

A abertura também contou com a participação do prefeito de Serra Negra, Elmir Chedid, que destacou a necessidade de aproximação entre os diferentes setores.

“O turismo tem que ser a base de tudo nas Estâncias e nos Municípios de Interesse Turístico do Estado, e, para isso, o público e o privado precisam andar juntos”, afirmou.

A secretária de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo, Ana Biselli, ressaltou a dimensão do mercado turístico paulista e destacou o engajamento dos gestores públicos e privados no Integra.T, fortalecendo a relação entre os municípios e a Secretaria.

“São Paulo tem dimensões de um país e muitos diferenciais competitivos, a começar pela forte demanda, infraestrutura de acesso, assim como pela diversificação da oferta. Para isso, é fundamental que cada município conheça e reconheça sua vocação, sua identidade, assuma um posicionamento claro e busque integração ao território ao qual pertence”, afirmou.

Com o tema “Posicionamento e Identidade Territorial”, o segundo dia colocou os participantes diante de uma questão central: o que faz um território ser reconhecido e escolhido pelo visitante?

Em uma das dinâmicas, os representantes foram convidados a olhar para o próprio território a partir de seus elementos genuínos, diferenciais e potencialidades. O exercício buscou ir além da simples relação de atrativos turísticos e identificar quais características podem formar uma identidade regional capaz de ser comunicada ao mercado.

Para Almir Marcelino, guia de turismo de Praia Grande, na Região Turística Costa da Mata Atlântica, a troca proporcionada pelas atividades amplia o olhar sobre os diferentes territórios paulistas.

“Eu vejo as dinâmicas ofertadas no Integra.T como uma forma de conhecer um pouco da expertise de outras regiões do estado, o que elas têm a oferecer e também o que existe na minha localidade que pode servir de exemplo para outras regiões. É praticamente um intercâmbio entre regiões”, afirmou.

Garimpo Territorial

A oficina conduzida pelo Senac-SP e pela Aprecesp também propôs um “garimpo territorial”. Os participantes levantaram recursos e características de seus municípios e registraram os principais achados em um mapa colaborativo. A ferramenta permitiu visualizar conexões, complementaridades, singularidades e oportunidades entre os municípios de uma mesma Região Turística.

O trabalho terminou com a apresentação das descobertas de cada grupo, transformadas em narrativas sobre as regiões. A proposta foi levar os participantes da identificação dos elementos do território a uma reflexão sobre como esses atributos podem contribuir para o posicionamento turístico.

O conceito trabalhado durante a oficina foi resumido em quatro movimentos: garimpar, conectar, narrar e posicionar. A partir deles, cada Região Turística começou a estruturar elementos que poderão compor seus planos de ação, desenvolvidos ao longo da jornada.

Para Márcia Azeredo, gerente de relações institucionais da Aprecesp, a programação foi construída a partir das necessidades identificadas nos municípios turísticos.

“O conteúdo para a programação dos quatro blocos do Integra.T foi pensado com base no dia a dia e nas dores dos municípios turísticos do estado. Estamos tendo um retorno muito positivo. Durante os eventos, eu gosto muito de vê-los debatendo os temas; isso demonstra que estamos atendendo às demandas e que a escuta ativa que realizamos foi importante”, afirmou.

Integra.T

O Integra.T segue até março de 2027, combinando encontros virtuais, imersões presenciais, estudos de caso, ferramentas de planejamento, atividades coletivas e mentorias. As atividades presenciais estão organizadas em quatro áreas estratégicas do Estado: Registro, Serra Negra, São José do Rio Preto e Presidente Prudente.

A iniciativa reúne competências complementares. A Setur-SP contribui com a perspectiva da política pública estadual; Aprecesp e Amitesp representam as Estâncias Turísticas e os Municípios de Interesse Turístico; o Sebrae-SP atua com conhecimento em empreendedorismo e desenvolvimento local; e o Senac-SP participa com sua experiência em formação profissional, turismo e hospitalidade.

A proposta é que o processo deixe não apenas conteúdos, mas também instrumentos produzidos a partir da realidade dos próprios territórios. Os diagnósticos, mapas, narrativas e planos de ação construídos durante a jornada poderão apoiar decisões municipais e regionais e subsidiar futuras ações de capacitação, parcerias, investimentos e políticas públicas.

Em Serra Negra, a discussão mostrou que trabalhar regionalmente não significa apagar as características de cada município. Ao contrário: parte da estratégia é reconhecer o que cada território tem de próprio, identificar como esses elementos se complementam e construir, a partir deles, uma narrativa capaz de apresentar a região como um conjunto de experiências ao visitante.

Mais do que uma sequência de encontros, o Integra.T propõe uma jornada de formação, articulação e aplicação prática, aproximando a política estadual das diferentes realidades encontradas nos territórios paulistas e estimulando municípios, empresas e instituições a construírem conjuntamente os próximos passos do turismo regional.

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