Cultura - Música

CARU lança “Longe da Bahia”, primeiro single de “AURORA”

23 de Setembro de 2026

Canção de Teago Oliveira ganha nova versão produzida por Jan Santoro, com percussão de Japa System

Ouça aqui: https://youtu.be/9NSf_iGr8Lc

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Quando CARU cantou “Longe da Bahia” pela primeira vez para o público, estava diante de uma câmera. Do outro lado da transmissão, em Salvador, estavam seus pais e sua avó, Dona Shirley. Era 2020, durante a pandemia, e a cantora, isolada no Rio de Janeiro, encontrou na música de Teago Oliveira, da banda Maglore, uma maneira de encurtar a distância que naquele momento parecia ainda maior.

Convidada para participar de uma edição online do Festival Faro, CARU incluiu a faixa no repertório e a cantou como se estivesse diante da família. A experiência marcou a artista e transformou a música em algo íntimo dentro de sua trajetória. Agora, “Longe da Bahia” ganha uma nova versão e abre o caminho para “AURORA”, seu primeiro álbum de estúdio, previsto para março de 2027, depois de quase uma década de experimentações entre singles e EPs.

“É a música do meu retorno pós-pandêmico. Virou o aviso de que eu estava voltando, para a Bahia, para minhas raízes, para mim mesma. Não é a chegada de quem chega de novo: é a chegada de quem nunca esqueceu o caminho”, conta CARU.

Natural de Feira de Santana, a cantora vive no Rio de Janeiro há quase dez anos. A experiência de estar entre lugares diferentes atravessa “Longe da Bahia”, uma canção sobre distância, pertencimento e a saudade daquilo que continua próximo mesmo quando existe um oceano - ou uma cidade - no caminho.

A história de “AURORA” também começa dentro da família. O avanço da perda de memória de Dona Shirley foi um dos impulsos para CARU transformar em música as histórias e os ensinamentos compartilhados entre as duas. O disco nasce, assim, do desejo de registrar e elaborar esse universo afetivo enquanto ele ainda pode ser revisitado pela memória da própria artista.

Para traduzir essa geografia afetiva na gravação, CARU convidou Japa System, também nascido em Feira de Santana e com trajetória ligada a BaianaSystem e Timbalada, para conduzir a percussão. A escolha aproxima a faixa da Bahia que a cantora carrega consigo, especialmente de Salvador e da Gamboa, lugar ligado às suas memórias.

Na produção de Jan Santoro, a música ganha ainda uma perspectiva carioca, com o cavaquinho da instrumentista Laila Aurore. O encontro entre a percussão e o cavaquinho dá à faixa um caráter mais dançante, que CARU associa ao mar de Salvador.

“A música, se tivesse cheiro, teria cheiro de mar de manhãzinha.”

Para ela, a saudade presente na faixa não é necessariamente triste.

“É uma saudade que quando você lembra, você sorri levemente. Saudade de algo ou alguém que te faz suspirar”, define.

O lançamento também apresenta um dos personagens que fazem parte do universo visual de “AURORA”: uma papagaia inspirada no animal de estimação de Dona Shirley. A ave aprendeu a falar como a avó de CARU e acabou se tornando parte importante das memórias da cantora. Criada pela designer Caren Cê a partir de uma ideia da própria artista, a personagem aparecerá nos conteúdos visuais relacionados às faixas do projeto.

“AURORA” nasce dessa relação entre avó e neta e do desejo de CARU de transformar em música histórias, lembranças e ensinamentos que fazem parte de sua trajetória. A partir desse universo familiar, o álbum também atravessa temas como território, pertencimento e identidade. O título vem da cidade cearense onde Dona Shirley nasceu.

Antes, “Longe da Bahia” abre esse caminho a partir de uma história específica: a de quem precisou estar longe de casa e encontrou na música uma maneira de voltar.

FICHA TÉCNICA 

Letra: Teago Oliveira

Intérprete (Voz): CARU

Produção/Arranjo: Jan Santoro

Co-produção: CARU

Base / Beat: Japa System

Cavaquinho: Laila Aurore

Guitarra pica pau, violão de nylon levada/acordes, guitarra acordes: Jan Santoro

Baixo: Nathanne Rodrigues

Engenheiro áudio: Iuri Nascimento

Mixagem: Rafaela Prestes

Masterização: Edu Lopes

LETRA 

De onde essa gente vem?

Que eu quero seguir também

Pra onde essa gente vai?

Me leva pra onde sai

Havia uma roda ali

Caminho de búzio aqui

De um povo ancestral

Da reza em nosso quintal

Ai antes eu não sofria

Agora dói até pensamento

Eu já não sei viver tão longe de você, Bahia

Eu quero muito ir pra casa

Eu quero ver mãinha

Eu vou e volto mas se desse eu nem voltaria

Eu trago a fita de lembrança pra você

Bahia terra sem lei

Bahia terra sem rei

Do canto dos orixás

Coronéis e capataz

De onde essa gente vem?

Magia por lá também

Pra onde essa gente vai?

Me leva pra onde sai

Ai antes eu não sofria

Agora dói até pensamento

Eu já não sei viver tão longe de você, Bahia

Eu quero muito ir pra casa

Eu quero ver mãinha

Eu vou e volto mas se desse eu nem voltaria

Eu trago a fita de lembrança pra você

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