Transtorno alimentar, antes mais associado à adolescência, tem sido observado em adultos; redes sociais e pressão estética ampliam os desafios de diagnóstico e tratamento
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A anorexia nervosa está mudando de perfil. Embora historicamente associada sobretudo a adolescentes e jovens, o transtorno alimentar vem sendo observado também em adultos e pode kpermanecer por mais tempo na vida do paciente, tornando o tratamento mais complexo. No consultório da nutricionista Sara Singer, há 30 anos atendendo pacientes, esse novo cenário tem aparecido com frequência cada vez maior.
Para a especialista, a mudança também está relacionada à forma como as pessoas se relacionam com o próprio corpo em um ambiente marcado pela exposição constante nas redes sociais. “O menor de idade é levado pelo responsável para o tratamento. Já a pessoa adulta tem que ir por vontade própria. Então é muito mais desafiador. O acesso a mídias de todo tipo e às redes sociais leva as pessoas a se compararem o tempo todo. Fica muito evidente essa mudança de panorama do paciente anoréxico”, afirma.
Esse é um dos temas que estarão em discussão no lançamento de Escolhi Viver! – Virei a mesa contra a Anorexia. Hoje, comer me faz muito bem, de Sara Singer, no dia 28 de setembro, às 18h, na Livraria da Travessa do Shopping Iguatemi, em São Paulo. O evento terá uma conversa entre Sara Singer e a jornalista Grace Stelmach Rubinstein, apresentadora do podcast Pod Pratear, que aborda os desafios da maturidade.
A partir da experiência profissional e da própria trajetória, Sara pretende discutir como a anorexia se manifesta hoje, por que pode ser mais difícil tratar o transtorno na vida adulta e quais sinais merecem atenção. A conversa também poderá abordar a influência das redes sociais, a pressão estética e a transformação do comportamento alimentar ao longo do século XXI.
De paciente a nutricionista: uma história vivida dos dois lados
Aos 13 anos, Sara Singer começou uma dieta para chegar magra à festa de 15 anos. O que parecia uma preocupação comum com o corpo evoluiu para anorexia e para uma relação obsessiva com comida, peso e controle.
Vieram a contagem de calorias, as restrições, o medo de engordar e regras cada vez mais rígidas em torno da alimentação. Pouco antes da festa, uma tia percebeu que havia algo errado. Sara estava extremamente magra, sem energia e, segundo a familiar, havia perdido a alegria de viver. A intervenção da família marcou o início de um longo processo de tratamento.
Ao revisitar essa história, hoje como nutricionista especializada em transtornos alimentares, Sara procura entender o que havia por trás da necessidade de controlar o próprio corpo. Ela relaciona o transtorno a características como perfeccionismo, autocrítica e necessidade de controle, além das cobranças que carregava desde criança.
Como filha única mulher, conta ter sentido também uma forte pressão estética para ser magra, bonita e estar sempre bem. Na escola, exigia muito de si academicamente.
Outro episódio ganhou novo significado quando Sara adulta revisitou sua trajetória: aos 12 anos, ela e familiares foram feitos reféns durante um assalto à casa. O livro insere esse trauma no contexto emocional que antecedeu o desenvolvimento da anorexia.
A história, portanto, não é apenas sobre comida ou peso. É sobre como conflitos emocionais podem encontrar no corpo e na alimentação uma forma de expressão e de prisão.
Quando a comida deixa de ser o inimigo
A recuperação levou anos e exigiu acompanhamento profissional. Durante o processo, Sara começou a compreender que sua relação com a comida estava ligada também à maneira como lidava com sentimentos.
A virada veio quando percebeu que aquilo que durante anos havia considerado seu maior inimigo poderia fazer parte de sua reconstrução.
Ela estudou Nutrição, especializou-se em Transtornos Alimentares e outras áreas relacionadas à saúde e passou a trabalhar justamente ajudando outras pessoas a reconstruírem uma relação mais saudável com a alimentação.
“Minha salvação estava justamente naquilo que um dia eu julguei ser meu maior inimigo — a comida”, escreve Sara no livro.
É essa transformação — de paciente a profissional que atua na área que um dia precisou conhecer como paciente — que diferencia Escolhi Viver!.
Mais do que uma autobiografia, a obra reúne memórias, informações e depoimentos de pacientes e familiares para discutir os transtornos alimentares a partir de uma perspectiva que vai além do peso na balança.
Uma conversa sobre anorexia no século XXI
O lançamento também propõe uma discussão que ultrapassa a história pessoal da autora: o que mudou na relação das pessoas com o corpo e a alimentação nas últimas décadas?
Entre os temas que podem entrar na conversa estão a mudança da faixa etária dos pacientes, os desafios do tratamento na vida adulta, a influência das redes sociais, a comparação permanente com padrões de corpo e comportamento e os sinais que podem indicar que uma preocupação com alimentação deixou de ser apenas uma escolha.
A partir de sua experiência de 30 anos de consultório e da própria história, Sara também poderá discutir por que identificar o transtorno precocemente continua sendo fundamental e por que familiares e amigos têm papel importante na busca por ajuda.
“Vivi uma história de doença e sofrimento, mas também (e principalmente) de superação e de autoconhecimento. Eu venci – e ainda estou vencendo – todos os impulsos que me levavam para a autodestruição. Meu desejo maior é que minha história possa inspirar cada um de vocês a trabalhar seus lados mais obscuros e difíceis e, assim, viver de forma plena e consciente os momentos que realmente importam. E que consigam fazer isso se alimentando muito, mas muito bem mesmo, de uma forma ao mesmo tempo saudável e prazerosa”, escreve a autora.
SOBRE SARA SINGER
Sara Singer é nutricionista, formada pela Universidade Santa Úrsula (RJ), com especializações em Nutrição Clínica, Transtornos Alimentares, Nutrição, Saúde e Performance, Medicina do Estilo de Vida e Nutrição aplicada à Gastronomia.
Sua trajetória profissional foi diretamente influenciada pela experiência com a anorexia na adolescência e pelo processo de reconstrução da relação com o corpo e a alimentação. Em Escolhi Viver!, transforma essa experiência em uma história sobre doença, recuperação e mudança de perspectiva — da tentativa de controlar a comida à compreensão de como emoções, comportamento e alimentação estão relacionados.
SERVIÇO
Lançamento de Escolhi Viver! – Virei a mesa contra a Anorexia. Hoje, comer me faz muito bem
Autora: Sara Singer
Editora: Autografia
Data: 28 de setembro de 2026
Local: Livraria da Travessa, Shopping Iguatemi, São Paulo
Horário: 18h
Formato: 14 x 21 cm | 140 páginas
ISBN: 978-85-518-7827-9