Gerontóloga explica como cuidar de idosos já diagnosticados e como reduzir o próprio risco a partir da meia-idade.
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| Foto: Divulgação |
Em 21 de setembro é celebrado o Dia Mundial e Dia Nacional de Conscientização da Doença de Alzheimer. A ocasião reforça dois alertas urgentes: o de apoiar quem já convive com o diagnóstico na família, e o de que hábitos adotados a partir da meia-idade podem reduzir de forma significativa o risco de desenvolver a doença.
Segundo o Relatório Nacional sobre a Demência 2024, do Ministério da Saúde, o Brasil tinha 2,46 milhões de pessoas vivendo com demência em 2019, número que pode chegar a 8,74 milhões em 2049 com o envelhecimento da população. A doença de Alzheimer responde por até 70% de todos os quadros de demência.
“Ainda existe a ideia de que o Alzheimer é uma sentença inevitável ligada à genética ou ao envelhecimento. Mas há um espaço real de atuação, tanto na qualidade de vida de quem já tem o diagnóstico quanto na redução do risco de quem ainda não tem”, afirma Luana Oliveira, gerontóloga, profissional responsável por estudar e acompanhar o processo de envelhecimento humano de forma ampla.
O que os dados mais recentes mostram
Pesquisa da Lancet Commission on Dementia Prevention, Intervention and Care, publicada na revista The Lancet, identificou 14 fatores de risco modificáveis que respondem por cerca de 45% dos casos de demência no mundo, no Brasil, esse índice chega a 48%, segundo o relatório do Ministério da Saúde. Entre os fatores mapeados estão: baixa escolaridade, perda auditiva não tratada, hipertensão arterial, tabagismo, obesidade, depressão, inatividade física, diabetes, consumo excessivo de álcool, traumatismo craniano, poluição do ar, isolamento social, colesterol LDL elevado e perda de visão não tratada.
“É importante ser precisa aqui: não existe uma forma comprovada de prevenir o Alzheimer com 100% de garantia, porque também há componente genético envolvido. O que a ciência mostra é que controlar esses fatores reduz o risco e pode atrasar o início dos sintomas, isso já é uma vitória enorme em qualidade de vida”, pontua Luana.
Ela chama atenção especialmente para o isolamento social, apontado pela comissão como um fator de risco tão relevante quanto a hipertensão arterial, e um dos mais negligenciados pelas famílias.
Orientações para quem tem um idoso com o diagnóstico
Para as famílias que já convivem com o Alzheimer em casa, Luana lista cuidados essenciais:
Orientações para quem quer reduzir o próprio risco
Para adultos de meia-idade e idosos ainda sem diagnóstico, as recomendações baseadas nos fatores de risco modificáveis incluem:
O convívio como ferramenta de cuidado
Segundo a Luana, o convívio social no dia a dia é justamente o que centros de convivência para idosos, modelo conhecido como day care, se propõem a oferecer. “Um centro de convivência não é uma promessa de cura ou de prevenção garantida. Mas, na prática, é um ambiente pensado para atacar todos os dias os fatores de risco que sabemos que pesam: sedentarismo, isolamento e falta de estímulo cognitivo”, explica a gerontóloga.
Um exemplo desse modelo é o Vivrê Day Care, onde os idosos passam o dia em atividades estruturadas que combinam exercícios físicos adaptados, jogos e atividades de estimulação cognitiva, e momentos de socialização com outros frequentadores, os três eixos que a evidência científica associa à redução de risco e à manutenção da qualidade de vida de quem já tem o diagnóstico.