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Dia Mundial do Alzheimer: 48% dos casos no Brasil ligados a fatores de risco controláveis

21 de Setembro de 2026

Gerontóloga explica como cuidar de idosos já diagnosticados e como reduzir o próprio risco a partir da meia-idade.

Foto: Divulgação

Em 21 de setembro é celebrado o Dia Mundial e Dia Nacional de Conscientização da Doença de Alzheimer. A ocasião reforça dois alertas urgentes: o de apoiar quem já convive com o diagnóstico na família, e o de que hábitos adotados a partir da meia-idade podem reduzir de forma significativa o risco de desenvolver a doença.

Segundo o Relatório Nacional sobre a Demência 2024, do Ministério da Saúde, o Brasil tinha 2,46 milhões de pessoas vivendo com demência em 2019, número que pode chegar a 8,74 milhões em 2049 com o envelhecimento da população. A doença de Alzheimer responde por até 70% de todos os quadros de demência.

Ainda existe a ideia de que o Alzheimer é uma sentença inevitável ligada à genética ou ao envelhecimento. Mas há um espaço real de atuação, tanto na qualidade de vida de quem já tem o diagnóstico quanto na redução do risco de quem ainda não tem”, afirma Luana Oliveira, gerontóloga, profissional responsável por estudar e acompanhar o processo de envelhecimento humano de forma ampla.

O que os dados mais recentes mostram

Pesquisa da Lancet Commission on Dementia Prevention, Intervention and Care, publicada na revista The Lancet, identificou 14 fatores de risco modificáveis que respondem por cerca de 45% dos casos de demência no mundo, no Brasil, esse índice chega a 48%, segundo o relatório do Ministério da Saúde. Entre os fatores mapeados estão: baixa escolaridade, perda auditiva não tratada, hipertensão arterial, tabagismo, obesidade, depressão, inatividade física, diabetes, consumo excessivo de álcool, traumatismo craniano, poluição do ar, isolamento social, colesterol LDL elevado e perda de visão não tratada.

É importante ser precisa aqui: não existe uma forma comprovada de prevenir o Alzheimer com 100% de garantia, porque também há componente genético envolvido. O que a ciência mostra é que controlar esses fatores reduz o risco e pode atrasar o início dos sintomas, isso já é uma vitória enorme em qualidade de vida”, pontua Luana.

Ela chama atenção especialmente para o isolamento social, apontado pela comissão como um fator de risco tão relevante quanto a hipertensão arterial, e um dos mais negligenciados pelas famílias.

Orientações para quem tem um idoso com o diagnóstico

Para as famílias que já convivem com o Alzheimer em casa, Luana lista cuidados essenciais:

  • Buscar diagnóstico e acompanhamento médico especializado (geriatra ou neurologista) assim que houver sinais de alteração persistente de memória, comportamento ou orientação, o diagnóstico precoce amplia as possibilidades de tratamento e planejamento.
  • Manter rotina e ambiente estáveis, o calendário costuma ajudar bastante, pois preserva a noção de dia da semana e mês, e redução de mudanças bruscas, que costumam gerar confusão e agitação. Já o relógio pede cautela: para alguns idosos, ver as horas reativa ansiedades antigas ligadas à rotina, como "que horas vou trabalhar?" ou "que horas você volta?", então vale avaliar caso a caso antes de deixá-lo visível.
  • Evitar a superproteção que isola o idoso, mantendo, dentro do possível, atividades sociais e físicas compatíveis com a fase da doença.
  • Cuidar de quem cuida: a sobrecarga do cuidador familiar é um risco à saúde física e mental de quem cuida, e buscar rede de apoio (grupos, centros-dia, profissionais) não é "terceirizar o afeto", é sustentar o cuidado a médio prazo.
  • Não corrigir de forma confrontativa memórias ou percepções distorcidas do idoso; validar a emoção por trás da fala costuma reduzir a agitação mais do que insistir na "correção factual".

Orientações para quem quer reduzir o próprio risco

Para adultos de meia-idade e idosos ainda sem diagnóstico, as recomendações baseadas nos fatores de risco modificáveis incluem:

  • Atividade física regular, apontada pela Lancet Commission como uma das intervenções isoladas com mais evidência científica na redução do risco.
  • Controle de pressão arterial, diabetes e colesterol, que preservam a saúde dos vasos cerebrais ao longo das décadas.
  • Tratar perda auditiva e perda visual, em vez de normalizá-las como "coisa da idade", ambas aumentam o isolamento e reduzem o estímulo cognitivo.
  • Manter vida social ativa, dado o peso do isolamento social como fator de risco.
  • Buscar estímulo cognitivo contínuo: leitura, jogos, aprendizado de novas habilidades, convívio intergeracional.
  • Tratar depressão e evitar o abuso de álcool e o tabagismo, fatores relevantes já na meia-idade, não apenas na velhice.

O convívio como ferramenta de cuidado

Segundo a Luana, o convívio social no dia a dia é justamente o que centros de convivência para idosos, modelo conhecido como day care, se propõem a oferecer. “Um centro de convivência não é uma promessa de cura ou de prevenção garantida. Mas, na prática, é um ambiente pensado para atacar todos os dias os fatores de risco que sabemos que pesam: sedentarismo, isolamento e falta de estímulo cognitivo”, explica a gerontóloga.

Um exemplo desse modelo é o Vivrê Day Care, onde os idosos passam o dia em atividades estruturadas que combinam exercícios físicos adaptados, jogos e atividades de estimulação cognitiva, e momentos de socialização com outros frequentadores, os três eixos que a evidência científica associa à redução de risco e à manutenção da qualidade de vida de quem já tem o diagnóstico.

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