Cultura - Música

Johnny Massaro estreia solo A gente mira no amor e acerta na solidão

4 de Setembro de 2026

Com produção artística de Pablo Sanábio, dramaturgia de Júlia Portes e direção de Helena Varvaki, a peça convida o espectador a um mergulho emocionante nas complexidades do amor, da solidão e da condição humana

Créditos: Hudson Rennan

“Podemos ler que o amor contém a solidão em seu interior, pois no coração do amor está sempre a solidão, e por isso quem não suporta a solidão também não suporta o amor” (trecho do livro de Ana Suy)

Com mais de 500 mil cópias vendidas, o best-seller A gente mira no amor e acerta na solidão, da psicanalista e escritora Ana Suy, serviu de inspiração para o espetáculo estrelado e idealizado por Johnny Massaro, com temporada de estreia no Auditório do Sesc Pinheiros, de 24 de setembro a 31 de outubro. A peça tem produção artística de Pablo Sanábio, dramaturgia de Júlia Portes e direção de Helena Varvaki.

Na trama, um guia turístico convida o público a uma visita ao coração humano. Entre a expectativa da chegada da pessoa amada e a elaboração do término dessa relação, ele conduz os visitantes por um passeio existencial e bem-humorado que reflete sobre o amor e a inevitável solidão que atravessa a existência humana.

“Foi um susto delicioso ver a interpretação do Johnny na adaptação do meu livro! Senti um misto de estranheza e de reconhecimento, se aproximando muito do que Freud chamou de ‘infamiliar'. Para ele, o infamiliar contempla o familiar e foi isso que vivi. Trata-se de um texto emocionante, bastante original...ao mesmo tempo em que reconheço minhas ideias, palavras e a centralidade da minha tese em "a gente mira no amor e acerta na solidão". Só uma equipe muito talentosa e com muito cuidado (que talvez seja um bom nome para o que surge quando somamos amor e solidão) poderia construir uma peça tão bonita!”

Ana Suy

Johnny Massaro conta que encontrou o livro em um momento desafiador de um relacionamento, há três anos. “Exigem de nós, e a gente exige de nós mesmos, que saibamos agir no exercício do amor, quando, na verdade, não é algo para o qual fomos educados. É como Ana diz: ‘é porque alguém, em algum momento, nos amou, mesmo que tenha nos amado mal, que a gente aprende a amar’. Eu me via falhando e repetindo os mesmos erros de relação em relação, geralmente culpando o outro pela falta de consciência dos meus próprios padrões e desejos. Estava cansado e curioso. A consciência de que eu precisava aprender de alguma forma aquelas informações do livro foi muito intensa e pareceu inevitável levá-lo ao palco”, revela.

Sobre o convite para produzir a peça, Pablo Sanábio conta: “Acho muito bonita essa coisa da sincronicidade da vida. Quando o Johnny me escreveu falando da ideia de montar a peça, eu estava justamente lendo o livro. Esse projeto tem ainda um significado especial para mim, porque ele nasce também da nossa amizade. Eu e Johnny temos uma relação de muito afeto, troca e admiração. E falar de amor, para mim, é falar também sobre o amor entre amigos. Sobre essas pessoas que a vida coloca no nosso caminho e que acabam se tornando parte da nossa história”. 

Como o livro de Ana Suy é uma obra psicanalítica, sem uma história explícita ou ação dramática, havia um desafio de levá-la ao teatro. “O desafio de transpor qualquer livro para o teatro já é imenso. Tratando-se de um livro de psicanálise, a coisa se intensifica. Levamos essa ideia a muitos dramaturgos e dramaturgas, que foram unânimes em dizer que seria impossível. Quando parecia que havíamos esgotado todas as nossas possibilidades, fui fazer uma série na Netflix, ‘Emergência Radioativa’, e fui apresentado à Júlia Portes, que faria minha esposa. Nos demos superbem e, em dado momento, ela me presenteou com seu livro, ‘O céu no meio da cara’, que havia sido finalista no Prêmio Jabuti. Li, amei e, meses depois, fui ver a adaptação do livro para o teatro. Foi quando pensei em convidá-la. É um felicíssimo encontro da Julia com a Ana, da Julia comigo, da gente com a Helena, nossa diretora, e de todas as pessoas que, organicamente, foram se juntando ao processo”, conta Massaro.

Dramaturgia e encenação

Sobre esse exercício de se inspirar em uma obra sem personagens, a dramaturga Júlia Portes conta: “Gosto de pensar a partir de uma personagem e acredito que os hábitos dos personagens guardam segredos sobre eles. Por isso, a profissão exercida pode ser uma boa pista para esse enigma que é escrever uma dramaturgia. Foi assim que surgiu o Guia Turístico. Um guia que não conhece muito bem o lugar que está apresentando, no entanto quer que as pessoas acreditem que ele domina o que está falando. No amor, também é assim: a gente se apaixona e tenta parecer no controle, mas, na verdade, não estamos”.

“Faço essa analogia e muitas outras se abrem através da figura do Guia Turístico. O livro, para falar das parcerias amorosas, do amor e da nossa solidão, indissociáveis, fala de várias outras parcerias, também amorosas, mas não necessariamente românticas. A dramaturgia está na intersecção entre o percurso íntimo do Guia Turístico e a descoberta do recorte do livro que nos interessava”, acrescenta.

Já a encenação, segundo a diretora Helena Varvaki, “investe no processo de escuta de nós mesmos, que fazemos ao narrar algo pessoal. É no processo de contar o vivido que repensamos o viver. Ao escorregar no que se propôs, fazer uma visita guiada ao coração, nosso guia reinventa a si mesmo. Fazemos a passagem entre teoria e criação ficcional”.

A diretora também revela que no palco, o coração estará presente como objeto: ora instrumento de compreensão anatômica, mapa das câmaras e passagens que nos fazem funcionar; ora elemento plástico nas mãos do ator, capaz de transformar a biologia em poesia.

Segundo ela, a direção privilegia o encontro teatral e a intimidade que ele pode provocar. “A atuação parte de um lugar de vulnerabilidade — aquele que todos reconhecemos quando imersos em nosso desejo de amor. Um personagem que guia e é, ao mesmo tempo, guiado pelos espectadores numa troca sensível e atenta, usufruindo e manejando a química particular que, na arte teatral, se estabelece e se renova a cada novo encontro com o público”, adiciona.

Sobre a experiência de fazer seu primeiro monólogo em vinte e dois anos de carreira, Massaro lembra mais uma passagem do livro: "é fato que nascemos e morremos sozinhos, mas entre uma ponta e outra a nossa vida se dá em relação, com várias pessoas." e conclui “nada nos livra da solidão, mas certas coisas, como os amigos e o teatro, nos lembram que não estamos, sempre, tão sozinhos.”

Ficha Técnica

Baseado no best-seller de Ana Suy 

Idealização e Atuação: Johnny Massaro 

Produtor Artístico: Pablo Sanábio 

Dramaturgia: Júlia Portes

Direção: Helena Varvaki 

Figurino: Sasha Meneghel 

Direção de Produção: Roberta Dias 

Uma produção Johnny Massaro e Pablo Sanábio

Cenografia: Aurora dos Campos 

Iluminação: Nina Balbi

Trilha Sonora: Pedro Sodré e Frederico Santiago 

Programação visual: Ton Zaransa

Preparação Corporal: Esther Weitsman

Produção Executiva: Camila Sequeira 

Fotos: Hudson Rennan

Assistente de direção: Lucas Garbois 

Assistente de Cenografia: Rachel Merlino 

Controller Financeira: Natália Simonete - Estufa de Ideias

Sinopse

Um guia turístico convida o público a uma visita ao coração humano. Entre a expectativa da chegada da pessoa amada e a elaboração do término dessa relação, ele conduz os visitantes por um passeio existencial e bem-humorado que reflete sobre o amor e a inevitável solidão que atravessa a existência humana.

Serviço

A gente mira no amor e acerta na solidão, baseado no best-seller de Ana Suy

Temporada: 24 de setembro a 31 de outubro de 2026

https://www.sescsp.org.br/programacao/a-gente-mira-no-amor-e-acerta-na-solidao/

Sesc Pinheiros - Rua Paes Leme, 195, Pinheiros

Ingressos: R$ 50 (inteira), R$ 25 (meia-entrada) e R$ 15 (credencial plena)

Vendas online em sescsp.org.br ou presencialmente na bilheteria de qualquer unidade do Sesc São Paulo

Classificação: 12 anos

Duração: 60 minutos

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