Colaboradores - Ruvin Singal

Aos 39, Natascha Stransky leva inquietações maternas ao cinema e entra no elenco de ‘Ben-Hur’.

19 de Agosto de 2026

Até que idade uma mulher pode não saber se quer ser mãe? A pergunta, cada vez mais presente na vida de Natascha Stransky, acabou se transformando em cinema.

Natascha Stransky | Foto: Divulgação

Aos 39 anos, a atriz realiza seu primeiro curta-metragem como roteirista, produtora e protagonista com Herança, suspense que parte justamente das dúvidas em torno da maternidade, do tempo e das escolhas que nem sempre encontram uma resposta definitiva.

“A gente sabe que o tempo passa e que algumas escolhas não podem ser adiadas para sempre. E, quando a gente não escolhe, automaticamente já está escolhendo”, reflete.

Para Natascha, a discussão não se limita à maternidade biológica. Durante a criação, ela passou a questionar também o significado de maternar, criar vínculos e assumir a responsabilidade de cuidar de alguém. A própria relação com o tempo e com a idade passou a fazer parte dessas perguntas.

Hoje eu tenho 39 anos e começo a pensar: eu tenho a mesma energia para maternar que teria aos 25? Uma criança pequena exige muita energia, muita disponibilidade. E será que eu tenho essa energia?”, questiona.

Em Herança, essas inquietações ganham a linguagem do suspense. A protagonista é colocada em um cativeiro, recurso usado para materializar a sensação de estar presa diante de uma decisão enquanto o tempo continua avançando. “Existe uma violência muito silenciosa quando sentimos que o tempo está decidindo por nós”, explica.

Apesar da urgência, Natascha decidiu não entregar uma resposta ao público. “Eu não queria fazer um filme que dissesse se é certo ou errado ter filhos, ou se é melhor ser mãe ou não ser mãe. Acho que qualquer uma dessas respostas seria pequena demais para a questão.”

O projeto marca também uma ampliação de sua atuação por trás das câmeras. Gabi DiMello assina com Natascha o argumento e participa da colaboração de roteiro, enquanto Victor Grimoni divide a produção e protagoniza o curta ao lado dela. Recém-formada em Psicologia, a atriz conta que a nova formação aprofundou seu interesse pelas contradições humanas, algo que também atravessa a construção dos personagens.

“Não queria criar personagens para defender uma ideia, mas personagens que estão tentando sobreviver às próprias dúvidas. Acho que é aí que a história deixa de ser apenas sobre maternidade e passa a ser sobre ser humano”, afirma.

Com uma trajetória construída entre televisão, cinema e teatro, Natascha ganhou projeção nacional em Duas Caras e também esteve em produções como Copa Hotel, Somos Tão Jovens, Faroeste Caboclo, A Menina Índigo e Terra e Paixão.

Entre seus próximos trabalhos na televisão está Ben-Hur, produção bíblica da Record, na qual interpreta Joana. Mulher de Cusa, personagem ligado ao círculo de Herodes, Joana começa a história próxima ao poder e cercada pelos privilégios do palácio. É a partir do encontro com João Batista e, posteriormente, com Jesus que sua trajetória toma outro rumo.

“A Joana é uma personagem extremamente humana, e acho que é justamente isso que torna a trajetória dela tão bonita. Ela chega cheia de questões muito humanas: vaidade, inveja, fofoca, ambição, contradições”, conta.

Ao longo da trama, Joana passa a defender João Batista e Jesus dentro do próprio palácio e coloca seus recursos a serviço de Jesus e dos apóstolos. A personagem permanece ao lado dele até os acontecimentos que cercam a crucificação.

Para Natascha, a força de Joana está justamente na coragem de questionar o lugar que ocupa. “Ela é uma mulher muito à frente do seu tempo, que tem a coragem de questionar o lugar que ocupa e de lutar de forma contundente por aquilo em que acredita.”

Enquanto Ben-Hur aguarda sua estreia na Record, Herança apresenta uma outra novidade na trajetória de Natascha. Depois de anos contando histórias como atriz, ela passa a ocupar também o lugar de quem as cria, levando para o primeiro roteiro uma pergunta que nasceu fora da ficção e que, aos 39 anos, ainda faz parte de sua própria vida: até que idade uma mulher pode não saber se quer ser mãe?

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