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Churrascada 2026: uma viagem pelo fogo, pela carne e pelos sabores das Américas

11 de Agosto de 2026

Em sua 11ª edição, o festival ocupou a histórica Casa das Retortas, no Brás, em São Paulo, e me surpreendeu pela variedade de carnes, acompanhamentos, bebidas e experiências gastronômicas

Por Paula Oliveira

Eu já sabia que a Churrascada era um evento conhecido por reunir grandes nomes do churrasco, mas estar ali pessoalmente foi uma experiência bem diferente de simplesmente ouvir falar. Na edição deste ano, com o tema “Fogo Sem Fronteiras”, o festival reuniu diferentes culturas e técnicas gastronômicas das Américas em dezenas de estações espalhadas pela histórica Casa das Retortas, no Brás, em São Paulo.

Logo na chegada, uma das coisas que mais me chamou a atenção foi o próprio espaço. A construção de tijolos aparentes, com arquitetura industrial e grandes áreas abertas, criou um cenário que combinou perfeitamente com a proposta do festival. O local é histórico e foi ligado à antiga usina a gás de São Paulo, o que deixou a experiência ainda mais interessante.

Estrutura e chegada ao evento
 

Casa das Retortas recebeu a Churrascada 2026 e ganhou um clima de grande festa gastronômica.

O espaço era realmente grande e havia muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Eram diversos churrasqueiros, restaurantes e estações, com preparos que iam muito além do tradicional churrasco brasileiro.

E aqui já faço uma confissão: não consegui experimentar tudo. Eram tantas barracas e tantas opções que, mesmo passando bastante tempo por ali, seria impossível provar tudo em uma única visita. E talvez essa seja uma das melhores desculpas para voltar no próximo ano.

O churrasco texano que me conquistou

Entre tantas opções, um dos momentos que mais marcou minha experiência foi conhecer o trabalho do chef Tony Vedia.

Tony Vedia na estação
 

Tony Vedia durante o preparo das carnes na Churrascada.

Tony trabalha com uma técnica muito associada ao barbecue texano: o preparo low and slow, em que a carne é submetida a temperaturas relativamente baixas por várias horas dentro do defumador. No caso do smoked chuck roast, o corte pode ser preparado à maneira de um brisket, desenvolvendo uma crosta externa bem marcada, a chamada bark, enquanto o longo cozimento ajuda a transformar o colágeno e deixar a carne extremamente macia.

E foi exatamente essa textura que me impressionou.

Experimentei o smoked chuck roast e as brisket ribs e, sem exagero, posso dizer que foi uma das melhores carnes que já comi na vida. A carne era tão macia que praticamente desmanchava na boca, com aquela combinação de sabor intenso, suculência e o toque característico da defumação.

Ribs/carne de Tony Vedia
 

As ribs preparadas no estilo de barbecue texano foram um dos grandes destaques da minha experiência.

A técnica de defumação lenta é justamente o que torna esse tipo de barbecue tão especial. O tempo e o controle da temperatura fazem com que cortes ricos em tecido conjuntivo ganhem uma textura muito mais macia, enquanto a fumaça e o tempero contribuem para a formação daquela crosta escura e cheia de sabor.

Para quem gosta de carne, foi uma experiência que realmente valeu a pena.

Churrasco, fogo de chão e muito mais

Apesar de a carne ser a grande estrela, a Churrascada mostrou que o festival não se resume a cortes bovinos.

Havia também fogo de chão, diferentes estações de preparo e uma ilha de acompanhamentos que me surpreendeu pela variedade. Encontrei ceviche, guacamole, chips de banana, purê de abóbora e diversas outras opções, além de doces caseiros.

Um dos preparos que mais me chamou a atenção foi uma linguiça cuiabana com queijo coalho, apresentada de uma maneira bem diferente, acompanhada de banana empanada e cebola.

Estação da linguiça cuiabana
 

Linguiça cuiabana com queijo coalho ganhou uma apresentação diferente, acompanhada de banana empanada e cebola.

Foi justamente esse tipo de combinação que tornou o festival interessante para mim: mesmo sendo uma festa dedicada ao fogo e ao churrasco, havia espaço para sabores, ingredientes e propostas bastante diferentes.

Open bar e uma pausa para os drinks

Para quem gosta de cerveja, o evento também foi um prato cheio. O formato open bar de cerveja e chope acompanhava toda a experiência gastronômica e combinava muito com o clima descontraído do festival.

Percebi, inclusive, um público bastante masculino em vários momentos do evento, especialmente entre os apaixonados por carne, cerveja e barbecue.

Mas, para mim, um dos destaques das bebidas ficou por conta do Licor 43.

Experimentei drinks preparados com o licor em combinações com café e limão e gostei muito dos dois. Foram aqueles pequenos momentos que acabam surpreendendo no meio de uma experiência gastronômica tão grande.

Drinks de Licor 43
 

Drinks com Licor 43, incluindo combinações com café e limão, também fizeram parte da experiência.

Música country e clima de festa

A gastronomia não era a única atração. O festival também contou com música ao vivo, com bandas que, durante boa parte do tempo, seguiram uma pegada country.

Achei que a escolha combinou muito com a proposta. Entre fumaça, churrasqueiras, cerveja, grandes cortes de carne e o ambiente rústico da Casa das Retortas, o country ajudava a criar aquele clima de festival de barbecue.

Havia lugares para sentar, mas, na minha percepção, eram poucos diante da quantidade de pessoas e de estações espalhadas pelo espaço. Eu mesma fiquei muito mais interessada em circular e descobrir o que havia em cada barraca.

Público e estrutura

O grande espaço da Casa das Retortas ficou movimentado durante o festival.

Para quem gosta de churrasco, mas também de boas descobertas

Outra coisa que achei interessante foi o espaço dedicado a compras. Entre os produtos disponíveis, havia facas artesanais e diferenciadas, algumas realmente muito bonitas e diferentes das que eu já tinha visto.

Os valores das peças que observei ficavam na faixa dos R$ 700, mostrando que o espaço também tinha opções voltadas para quem leva a cultura do churrasco a sério.

No fim, saí com aquela sensação gostosa de quem sabe que ainda ficou muita coisa para experimentar.

A Churrascada conseguiu reunir gastronomia, música, bebidas e uma atmosfera descontraída em um espaço histórico de São Paulo. Para mim, o grande destaque foi a qualidade das carnes — especialmente a experiência com o barbecue texano de Tony Vedia —, mas a variedade de acompanhamentos e preparos também fez toda a diferença.

 

Entre fogo, carne, música e encontros, a Churrascada transformou a Casa das Retortas em um grande festival gastronômico.

No geral, achei o evento muito bem organizado e com comidas excelentes. E, apesar de ter saído satisfeita, também saí pensando em tudo aquilo que não consegui provar.

Por isso, se depender de mim, no próximo ano vou reservar ainda mais tempo — e espaço — para experimentar tudo o que conseguir.

Para quem gosta de churrasco, gastronomia e de descobrir novos sabores, minha dica é simples: vale a pena conhecer a Churrascada e já ficar de olho na próxima edição.

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