Informes - GERAIS

Santa Catarina tem aumento de plantas nativas sob risco de extinção

3 de Julho de 2026

Entre outras destacam-se espécies da família da jabuticaba e da canela-de-velho

Trabalho de campo da bióloga Gabriela Goebel da equipe de pesquisa UFSC

Estudo da UFSC aponta que lista de espécies de plantas tidas como ameaçadas em Santa Catarina pode estar subestimada.

Pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) revelou que a lista oficial de espécies ameaçadas da flora catarinense pode estar ignorando um número expressivo de espécies de plantas sob risco de extinção. O projeto foi conduzido entre 2022 e 2026 por uma equipe de cientistas especialistas em botânica, taxonomia, genética e conservação da biodiversidade.

O estudo avaliou a lista estadual de espécies ameaçadas, em vigor desde 2014, e identificou problemas relacionados à atualização científica, à nomenclatura das espécies e aos critérios utilizados para definir os níveis de ameaça. 

Em uma análise independente de 47 espécies da ordem Myrtales — grupo que inclui plantas das famílias da jabuticaba, pitanga, canela-de-velho e quaresmeira — os pesquisadores concluíram que 30 espécies (64% das espécies analisadas) deveriam ser consideradas ameaçadas de extinção. A lista oficial, porém, reconhece apenas cinco. O resultado indica uma subestimação de cerca de seis vezes no número de espécies ameaçadas desse grupo.

Espécies ameaçadas

Além disso, as pesquisadoras verificaram que mais da metade das espécies presentes na lista estadual apresenta algum tipo de inconsistência nomenclatural ou taxonômica, incluindo nomes científicos desatualizados, erros de grafia e até espécies exóticas.

O projeto também investigou mais a fundo três espécies raras e exclusivas da Mata Atlântica catarinense: duas espécies de guamirim, Myrceugenia basicordata e Myrceugenia joinvillensis, e uma de pixirica, a Miconia ulei. As análises incluíram estudos de diversidade genética, modelagem de distribuição geográfica e projeções sobre os impactos das mudanças climáticas.

Resultados

Os resultados mostraram que as três espécies apresentam sinais de vulnerabilidade associados à fragmentação das florestas e à redução de suas populações. As projeções indicam que as áreas ambientalmente adequadas para sua sobrevivência poderão diminuir significativamente nas próximas décadas. No caso da Myrceugenia basicordata, a redução pode chegar a 76% da área atual, enquanto para Myrceugenia joinvillensis a perda pode alcançar 97%, ou seja, estaria muito próxima da extinção total

O estudo também realizou os primeiros testes de germinação de sementes de Miconia ulei, demonstrando potencial para conservação em bancos de sementes e uso em ações de restauração ambiental.

Recomendação urgente

Com base nos resultados, a equipe recomenda a atualização urgente da lista catarinense de espécies ameaçadas e a inclusão das três espécies estudadas nas listas estadual e nacional de flora ameaçada. Segundo as pesquisadoras, as listas de espécies ameaçadas servem de base para políticas públicas, criação de áreas protegidas, licenciamento ambiental e definição de prioridades de conservação. Quando estão desatualizadas, incorretas ou incompletas, comprometem a proteção efetiva da biodiversidade.

Comentários
Assista ao vídeo