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| Foto: Divulgação |
Há viagens que vão muito além dos quilômetros percorridos. Elas proporcionam encontros, histórias e descobertas capazes de transformar a maneira como enxergamos um destino. Foi exatamente essa a experiência que vivi durante minha participação na press trip do Sabor de São Paulo, programa da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP), realizado em parceria com o Mundo Mesa e o Senac-SP.
Ao longo de uma semana, percorri cidades do Vale do Ribeira conhecendo produtores artesanais, chefs, empreendedores e comunidades que fazem da gastronomia um verdadeiro patrimônio cultural. Mais do que provar sabores, tive a oportunidade de compreender o trabalho, a dedicação e o respeito à natureza que existem por trás de cada produto.
O roteiro passou por Miracatu, Sete Barras, Pariquera-Açu, Eldorado, Iporanga, Cananéia, Iguape, Ilha Comprida, Jacupiranga e Registro, revelando uma região que encanta pela exuberância da Mata Atlântica e pela diversidade de sua culinária.
Uma das experiências que mais me marcou foi conhecer os tradicionais produtores de chá da região. Descendentes de imigrantes japoneses mantêm viva uma tradição centenária, cultivando e produzindo chás artesanais de excelente qualidade. Cada visita revelou não apenas técnicas de produção, mas também histórias de famílias que preservam esse legado há gerações.
Outro grande protagonista da viagem foi o palmito pupunha. Descobri que ele vai muito além das conservas que encontramos nos supermercados. Experimentei pratos surpreendentes preparados com criatividade, como bobó, quibe, lasanhas, sopas, ceviches e até sobremesas feitas com esse ingrediente tão característico do Vale do Ribeira.
Também tive a oportunidade de conhecer produtores de queijos artesanais elaborados com leite de búfala, cervejarias premiadas, fábricas de doces de banana, produtores de cataia — planta típica da região — e empreendimentos que transformam ingredientes locais em experiências gastronômicas únicas.
Na culinária caiçara, os pescados frescos e as ostras do Lagamar ganharam interpretações que valorizam os sabores da região sem perder a autenticidade. Cada refeição foi um convite para conhecer um pouco mais da identidade cultural do Vale do Ribeira.
Entre tantos momentos especiais, a visita ao Quilombo Ivaporunduva certamente ficará na memória. Conhecer uma comunidade que preserva suas tradições, sua agricultura e sua gastronomia por meio do turismo comunitário foi uma experiência enriquecedora. Ouvir as histórias dos moradores e experimentar receitas preparadas em fogão à lenha permitiu compreender como a culinária também é um instrumento de preservação da cultura e da ancestralidade.
A programação ainda contou com palestras, workshops e uma inspiradora aula-show conduzida pela chef Morena Leite, que compartilhou seu olhar sobre a valorização dos ingredientes brasileiros e da cozinha regional.
O encerramento aconteceu em Registro, durante um festival gastronômico aberto ao público, reunindo produtores, chefs e empreendedores em uma grande celebração dos sabores do Vale do Ribeira. Foi uma excelente oportunidade para reencontrar muitos dos participantes da viagem e perceber como a união entre turismo e gastronomia fortalece toda a cadeia produtiva da região.
Voltei dessa experiência convencida de que o Vale do Ribeira é um dos destinos mais autênticos do Estado de São Paulo. Sua riqueza natural, aliada ao talento de produtores, cozinheiros e comunidades tradicionais, oferece muito mais do que boa gastronomia: proporciona vivências que conectam o visitante à história, à cultura e às pessoas que fazem da região um lugar tão especial.
Mais do que uma viagem gastronômica, vivi uma verdadeira imersão em um território onde tradição, sustentabilidade e hospitalidade caminham lado a lado. Uma experiência que certamente merece ser conhecida por quem busca descobrir os sabores mais genuínos do interior paulista.
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