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Alunos de escolas públicas da Urca e do Caju terão acesso, nas próximas semanas, a uma experiência que vai muito além da exibição de filmes. Com mais de 15 anos de trajetória, o Circuito Cine Curta inicia uma nova temporada de atividades levando às salas de aula uma combinação de cinema brasileiro, formação cultural, material pedagógico e debates sobre temas contemporâneos. Serão 11 filmes exibidos, sempre com acessibilidade em Língua Brasileira de Sinais (Libras) e legenda descritiva.
“O principal objetivo do projeto é utilizar o cinema como uma ferramenta pedagógica, contribuindo para tornar a escola em um ambiente mais interessante, motivando, assim, estudantes e professores.
Nos esforçamos para que, por meio do cinema brasileiro, os alunos tenham mais facilidade de assimilar o conhecimento nas disciplinas tradicionais, além de incentivar a formação de novos públicos com capacidade crítica.
Promovemos ainda a oportunidade de conhecermos um pouco mais do nosso imenso Brasil, através dos filmes que trazem histórias, sotaques, hábitos das distintas regiões retratadas no telão”, afirma Juliana Teixeira, idealizadora do Circuito Cine Curta.
Criado em 2010, o projeto já percorreu dezenas de escolas das zonas Norte, Sul, Oeste e Central do Rio de Janeiro e consolidou uma parceria com as instituições de ensino e a Secretaria Municipal de Educação. Em 2026, a programação contempla unidades escolares da Urca e do Caju, além do Instituto Benjamin Constant, referência nacional na educação de pessoas com deficiência visual.
Ao longo de junho e julho, estudantes da Educação Infantil ao Ensino Fundamental II participarão de sessões especialmente organizadas para cada faixa etária. A programação reúne produções premiadas em importantes festivais nacionais e internacionais, como o Anima Mundi, considerado um dos maiores festivais de animação do mundo.
Entre os destaques está "Lé com Cré", animação em stop motion vencedora do Anima Mundi, além de filmes como "O Véu de Amani", que aborda diversidade cultural e religiosa; "Guri", que provoca reflexões sobre racismo na infância; "Sobre Amizade e Bicicletas", que trata da inclusão de pessoas com deficiência; e "Dela", obra que aborda identidade e pertencimento por meio da valorização da estética negra.
Mas o diferencial do Circuito Cine Curta está no trabalho desenvolvido antes e depois das exibições. O projeto oferece uma estrutura pedagógica completa para as escolas participantes. Professores recebem apostilas exclusivas elaboradas para cada faixa etária e respectivos segmentos educativos, com propostas de atividades, sugestões de debates e conteúdos complementares relacionados aos temas abordados nos filmes.
Os materiais estimulam discussões sobre ancestralidade, culturas indígenas e quilombolas, memória coletiva, diversidade cultural, combate ao preconceito e valorização das histórias locais. Em algumas atividades, os próprios estudantes são convidados a produzir vídeos, registrar tradições familiares e compartilhar conhecimentos presentes em suas comunidades, transformando o audiovisual em uma ferramenta de protagonismo e construção de conhecimento.
A iniciativa também investe na identidade e no sentimento de pertencimento dos participantes, oferecendo materiais de apoio e comunicação visual que ajudam a transformar cada sessão em uma experiência cultural completa dentro do ambiente escolar.
Outro aspecto relevante desta edição é a presença do Instituto Benjamin Constant na programação, que terá o recurso de audiodescrição. A inclusão da instituição amplia o alcance social do projeto e reforça a importância da acessibilidade cultural, aproximando estudantes de diferentes realidades do universo do cinema brasileiro.
Nesta edição, o Circuito Cine Curta conta com patrocínio da MultiTerminais e do Parque Bondinho Pão de Açúcar, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura (Lei do ISS). A expectativa é impactar milhares de estudantes, fortalecendo o papel do cinema como ferramenta de educação, inclusão, cidadania e formação de novos olhares sobre o mundo.
As atividades acontecerão na EDI Gabriela Mistral, Escola Municipal Estácio de Sá e Escola Municipal Minas Gerais, na Urca; na Escola Municipal Professora Laura Sylvia, Escola Municipal Professor Walter Carlos de Magalhães Frankel, Escola Municipal Marechal Espiridião Rosas e no CIEP Henfil, no Caju; além do Instituto Benjamin Constant, que terá audiodescrição.