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Dra. Verônica Tagliari: o custo de adiar o planejamento sucessório

1 de Julho de 2026
Especialista em Direito das Sucessões Dra. Verônica Tagliari | Foto: Divulgação

Especialista em Direito das Sucessões alerta que a falta de planejamento patrimonial pode gerar conflitos familiares, altos custos financeiros e até a perda de parte do patrimônio construído ao longo da vida.

O planejamento sucessório tem ganhado cada vez mais relevância no Brasil. O tema, que durante muito tempo foi associado apenas a famílias com grandes fortunas, passou a fazer parte da realidade de empresários, investidores e pessoas que desejam proteger o patrimônio construído ao longo dos anos. O movimento se intensificou principalmente após a pandemia da Covid-19, período em que muitas famílias passaram a refletir sobre o futuro e sobre os impactos que a falta de organização patrimonial poderia causar para filhos e herdeiros.

Para a advogada Dra. Verônica Tagliari, doutora em Direito Civil pela USP e especialista em planejamento patrimonial e sucessório, a pandemia despertou uma preocupação que antes costumava ser adiada. Segundo ela, muitas pessoas passaram a compreender que não basta apenas acumular patrimônio. É preciso garantir que ele seja preservado e transmitido de forma organizada para as próximas gerações.

“A partir da pandemia, houve uma procura muito maior por testamentos, doações em vida e mecanismos de planejamento sucessório. As pessoas começaram a perceber que, se não houver organização prévia, os problemas serão deixados para os herdeiros resolverem depois”, explica.

Essa mudança de mentalidade está diretamente relacionada à busca por mais segurança patrimonial e familiar. De acordo com a advogada Dra. Verônica Tagliari, cada vez mais pessoas procuram estratégias capazes de reduzir conflitos entre herdeiros, evitar longas disputas judiciais e diminuir o impacto financeiro provocado pela sucessão. O objetivo não é apenas definir quem ficará com determinado bem, mas criar uma estrutura capaz de preservar aquilo que foi construído ao longo de uma vida inteira.

Apesar desse avanço na conscientização, a especialista observa que ainda existem erros muito comuns quando o assunto é organização patrimonial. O principal deles é deixar tudo para depois. Muitas pessoas acreditam que o planejamento sucessório deve ser tratado apenas na velhice ou quando surge algum problema de saúde. Na prática, porém, essa decisão costuma aumentar os riscos e reduzir as possibilidades de organização.

Outro comportamento recorrente é a falta de separação entre patrimônio pessoal e empresarial. Segundo a Dra. Verônica Tagliari, é comum encontrar empresários que misturam recursos da pessoa física com os da pessoa jurídica, criando uma confusão patrimonial que pode gerar dificuldades tanto na gestão dos bens quanto na sucessão. Também chama atenção a falta de liquidez em muitos patrimônios familiares. Em diversos casos, existem imóveis, empresas e investimentos relevantes, mas não há recursos disponíveis para custear impostos, despesas cartorárias ou custos relacionados ao inventário.

Além disso, questões como regime de casamento, ausência de acordos patrimoniais e a falta de preparação dos sucessores para assumirem empresas familiares também costumam gerar problemas significativos. Para a advogada, um dos maiores equívocos é associar o planejamento sucessório apenas à morte. Ela explica que o verdadeiro objetivo desse trabalho é preservar patrimônio, proteger a família e garantir que os bens continuem cumprindo sua função econômica e social ao longo do tempo.

“Quando uma pessoa falece sem planejamento, o problema já está posto. Além do luto, a família passa a enfrentar questões burocráticas, financeiras e jurídicas que poderiam ter sido evitadas. O planejamento sucessório existe justamente para impedir que aquilo que foi construído durante décadas se perca em poucos anos”, afirma.

É nesse contexto que surge uma das maiores diferenças entre o planejamento sucessório e o inventário tradicional. Enquanto o inventário busca resolver a transmissão patrimonial após o falecimento, o planejamento atua de forma preventiva, organizando previamente a sucessão e reduzindo potenciais conflitos.

Segundo a especialista Dra. Verônica, muitas famílias acabam gastando muito mais por não terem se organizado previamente. Além dos custos diretos, existe aquilo que ela chama de “custo invisível” da sucessão. Durante anos de disputa, imóveis podem se deteriorar, empresas podem perder valor de mercado, oportunidades de negócio são desperdiçadas e relacionamentos familiares frequentemente ficam comprometidos.

“Muitas pessoas acreditam que estão economizando ao deixar tudo para ser resolvido apenas no inventário. Na prática, normalmente acontece o contrário. O patrimônio pode perder valor, os custos aumentam e surgem conflitos que poderiam ter sido evitados com uma organização adequada”, destaca.

Ao longo de sua trajetória profissional, a advogada Dra. Verônica acompanhou situações que demonstram na prática os impactos da falta de planejamento patrimonial. Um dos casos que mais a marcou foi o de um empresário que possuía uma empresa consolidada, patrimônio relevante e filhos, e que procurou seu escritório justamente para iniciar a constituição de uma holding familiar como parte do planejamento sucessório.

O projeto chegou a ser iniciado e as primeiras estratégias estavam sendo estruturadas. No entanto, divergências familiares acabaram interrompendo o processo antes da sua conclusão. Pouco tempo depois, o empresário faleceu inesperadamente.

“Após o falecimento, a família precisou recorrer ao inventário tradicional. Foi nesse momento que perceberam o volume de custos envolvidos, entre tributos, despesas e burocracias que poderiam ter sido reduzidos ou até evitados com o planejamento que estava sendo construído. Foi uma situação que me marcou porque mostrou, mais uma vez, como deixar decisões importantes para depois pode custar caro”, relata.

Entre as ferramentas que podem ser utilizadas dentro desse processo está a holding familiar, estrutura que ganhou popularidade nos últimos anos. A Dra. Verônica Tagliari explica que a holding funciona como uma pessoa jurídica criada para centralizar e administrar o patrimônio de uma família, permitindo uma gestão mais organizada dos bens e facilitando determinadas estratégias sucessórias. No entanto, ela ressalta que essa não é uma solução universal e que cada caso deve ser analisado individualmente.

A especialista também reforça que o planejamento sucessório não deve ser visto como algo restrito a grandes patrimônios. Existem diversas ferramentas acessíveis para diferentes realidades, como testamentos, seguros de vida, previdência privada e doações com reserva de usufruto.

Para quem nunca pensou sobre o assunto, a advogada Dra. Verônica Tagliari recomenda começar por um levantamento completo do patrimônio existente.

“O tempo ideal para organizar o patrimônio é enquanto ainda existe a oportunidade de fazer escolhas conscientes. Quanto antes houver planejamento, maiores serão as chances de proteger os bens, reduzir custos e garantir tranquilidade para as próximas gerações”, conclui.

Para acompanhar mais conteúdos sobre planejamento sucessório, proteção patrimonial, inventário e holding familiar, siga a advogada Dra. Verônica Tagliari no Instagram: @veronicatagliari.adv

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