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Da notícia à transformação: jornalista cria movimento para prevenção da violência contra a mulher

25 de Junho de 2026

Fórum na ALESP reúne especialistas para defender que a prevenção da violência contra a mulher começa antes da primeira agressão

O que faz uma pessoa acreditar que não existe saída? 

A pergunta pode parecer filosófica, mas foi ela que conduziu um dos debates mais marcantes realizados nesta semana na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP). Reunindo representantes da saúde pública, segurança, direitos humanos, educação, empreendedorismo e sociedade civil, o Fórum "Violência contra a Mulher e Saúde Mental: ampliando a conversa sobre prevenção" propôs um novo olhar sobre um problema que continua crescendo no país.

Em vez de concentrar a discussão apenas nas consequências da violência — como investigações, medidas protetivas e responsabilização dos agressores — os participantes defenderam que a prevenção precisa começar muito antes: na construção da autoestima, da autonomia, da educação emocional e da percepção de que sempre existe uma possibilidade de recomeço.

Foto: Divulgação
 

A jornalista e fundadora da F***MyBrain, Marina Machado, abriu o encontro compartilhando que essa pergunta a acompanha desde a adolescência e permaneceu durante quase três décadas de atuação cobrindo casos de violência.

"Durante anos eu conversei com mulheres que voltavam para relações abusivas, mesmo depois de procurar ajuda. A pergunta nunca foi 'por que ela não sai?'. A pergunta que me acompanha há anos é outra: o que faz uma pessoa acreditar que não existe saída? Quando mudamos a pergunta, mudamos também a forma de buscar as respostas."

A médica de família e comunidade Dra. Denize Ornelas chamou atenção para um aspecto pouco discutido do problema: muitas vítimas chegam aos serviços de saúde sem relatar violência.

"Muitas mulheres procuram atendimento por ansiedade, depressão, dores crônicas ou outros sintomas físicos. Se o profissional não estiver preparado para enxergar a violência por trás desse sofrimento, perde-se uma oportunidade de interromper um ciclo que pode terminar em feminicídio."

Outro alerta veio da educadora e ativista Sheylli Caleffi, que apresentou dados sobre o avanço da misoginia entre adolescentes e o papel das redes sociais na normalização da violência contra meninas e mulheres.

"A violência começa muito antes da agressão física. Ela começa nas palavras, nas ideias e nos discursos que ensinam meninos a desumanizar meninas. Se não enfrentarmos essa cultura agora, continuaremos formando novas gerações dentro da lógica da violência."

Representando a CUFA, a vice-presidente de Relações e Parcerias Estratégicas Geovana Borges destacou que ampliar o acesso à informação é um desafio tão importante quanto criar novas políticas públicas.

"Existem políticas importantes, mas muitas mulheres sequer sabem que elas existem. Informação também protege. Precisamos fazer esse conhecimento chegar aos territórios onde essas mulheres vivem."

Ao longo do encontro, especialistas defenderam que o fortalecimento emocional precisa fazer parte das estratégias de prevenção, tanto para meninas quanto para meninos, e que família, escola, poder público e sociedade compartilham essa responsabilidade.

O fórum também marcou o lançamento do Prêmio F***MyBrain, criado para reconhecer pessoas e iniciativas que contribuem para a promoção da saúde mental, da dignidade humana e da transformação social. A primeira homenageada foi Leci Brandão, reconhecida por sua trajetória em defesa dos direitos humanos e da igualdade.

Além dos debatedores presentes, o encontro contou com mensagens em vídeo de Maria da Penha e da promotora de Justiça Lívia Sant'Anna Vaz, reforçando a importância da educação, da prevenção e do fortalecimento das redes de apoio para reduzir a violência contra mulheres.

O evento foi transmitido na íntegra e está disponível gratuitamente no canal da F***MyBrain no YouTube.

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