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As roupas lembram do que as fotografias esquecem

12 de Junho de 2026

As fotografias costumam ocupar um lugar privilegiado na preservação da memória. São elas que organizam álbuns de família, enchem redes sociais e servem como prova visual de que algo aconteceu. No entanto, as roupas guardam um tipo diferente e mais íntimo de recordação uma vez que foram parte de uma experiência lembrada.

Em “Using Clothing to Bring Alive Autobiographical Memories”, a pesquisadora Susan Schultz Kleine observa que as pessoas utilizam roupas para "trazer à vida memórias autobiográficas" e refletir sobre suas próprias histórias, identidades e relações. Em seu estudo, peças de roupa, tanto amadas quanto rejeitadas, provocam lembranças significativas ligadas à diferentes fases da vida.

Essa capacidade de despertar recordações pode ser explicada pela experiência sensorial da vestimenta. Diferentemente da fotografia, que depende principalmente da visão, a roupa desperta outros sentidos como o olfato e o tato. Por ter participado diretamente da experiência vivida, ela oferece diversos estímulos capazes de reviver lembranças associadas à pessoas, lugares e momentos específicos com mais nitidez e facilidade. Dessa forma, a memória pode ser estimulada de maneira mais intensa e profunda pelo contato com a peça, ultrapassando a experiência de uma lembrança provocada apenas pela imagem.

Pesquisadores argumentam que a identidade e o vestuário de um indivíduo mantêm um diálogo constante. As roupas são escolhidas para refletir personalidade e também ajudam a moldar os comportamentos e autopercepção. Nesse sentido, ao longo da vida, determinadas peças marcam fases específicas e refletem gostos, valores e circunstâncias de diferentes momentos. Não por acaso, muitas pessoas guardam roupas que já não usam, mas que permanecem carregadas de significado. Uma camisa autografada, um presente de algum familiar falecido ou um vestido de um evento especial são exemplos de como itens com vínculos afetivos preservam experiências e vivências da trajetória individual que dificilmente seriam traduzidos apenas por imagens.

Roupas vão além da estética e não são só objetos de consumos, são parte da trajetória de vida de cada indivíduo. Elas passam a atuar como elementos que conectam experiências passadas ao presente, contribuindo para a forma como a memória é preservada e reinterpretada ao longo da vida.

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Colaboração / Conteúdo produzido e fornecido para o Cartão de Visita News por Gabriela Craveiro
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