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Modelo técnico-comercial acelera agro de precisão nos EUA

3 de Junho de 2026

A janela entre a colheita da soja e o plantio do milho safrinha é um dos períodos mais críticos do calendário agrícola brasileiro. Segundo reportagem do portal MundoGEO, tecnologias como pilotos automáticos, mapas de produtividade, sensores e monitoramento em tempo real ajudam produtores a acelerar operações, reduzir desperdícios de insumos e otimizar o uso de máquinas. O texto cita dados da Embrapa indicando que ferramentas de agricultura de precisão podem aumentar a eficiência operacional em até 20%.

Foto: Canva/Divulgação
 

Em 2026, a agricultura de precisão passou a ser tratada como parte central da competitividade no campo. O portal AgropecFuturo destaca que sensores, drones, máquinas autônomas, telemetria e inteligência artificial já integram a rotina de propriedades que buscam reduzir custos, elevar produtividade e ampliar a sustentabilidade. Esse avanço também pressiona fabricantes de máquinas agrícolas a oferecer não apenas equipamentos, mas modelos completos de implantação, suporte técnico, treinamento e validação em campo.

Para Thawann Ramos Cardoso, Field Engineer – After Sales Director (Agricultural Equipment), a principal mudança no setor está na passagem de uma venda tradicional para um modelo técnico-comercial baseado em demonstração prática, adaptação regional e suporte contínuo. Segundo ele, produtores norte-americanos não avaliam apenas a ficha técnica da máquina, mas sua capacidade de operar com confiabilidade em diferentes solos, culturas e janelas de plantio e colheita. “No mercado dos Estados Unidos, a venda acontece no campo. O produtor precisa ver a máquina trabalhando, entender o ganho operacional e confiar que haverá suporte técnico depois da compra”, afirma.

Foi com essa lógica que Cardoso participou da expansão da  GTS na América do Norte. A GTS é uma fabricante brasileira de equipamentos agrícolas especializada em máquinas de preparo de solo, plantio e manejo GTS, com sede em Lages (SC), é a grande campeã da 19ª edição do “Prêmio Melhores do Agronegócio”, na categoria máquinas e equipamentos agropecuários, da revista Globo Rural em 2023. Fundada no Brasil, a empresa opera unidades industriais no país e expandiu sua presença internacional para mercados como Estados Unidos, Canadá, Europa e Austrália. O modelo implementado por Cardoso combinou quatro frentes: validação técnica das máquinas em condições reais, demonstrações comerciais em diferentes estados, formação de uma rede de concessionárias e criação de uma estrutura de peças e serviços capaz de sustentar a operação após a venda. Para o especialista, esse formato é hoje semelhante ao adotado por grandes empresas do setor, que trabalham com venda consultiva, treinamento de dealers e pós-venda estruturado como parte da própria estratégia de crescimento.

Antes da estruturação da operação norte-americana, a presença da GTS nos Estados Unidos era pontual, com vendas isoladas e sem uma rede consolidada de concessionárias. Durante o projeto, Cardoso atuou na frente das vendas, participou da viabilização do investidor, apoiou o posicionamento da marca e liderou demonstrações técnicas em campo. O resultado foi a transformação de uma presença desestruturada em uma operação comercial escalável, com mais de 20 parcerias com revendedores, mais de 300 máquinas vendidas, mais de 100 revendedores e técnicos treinados e cerca de R$ 120 milhões em receita, conforme dados de sua trajetória profissional.

Na avaliação de Cardoso, o impacto mais relevante do projeto não foi apenas comercial, mas metodológico. O modelo aplicado na Agri-US/GTS criou um padrão de entrada de mercado para máquinas agrícolas estrangeiras nos EUA: testar o produto localmente, adaptar componentes, treinar a rede, criar estoque de peças, padronizar o atendimento técnico e transformar a demonstração em ferramenta de validação de desempenho. “A inovação não estava só na máquina, mas no modelo de implantação. Sem treinamento, pós-venda e adaptação ao mercado, uma tecnologia avançada não se sustenta”, diz.

A lógica também se conecta à evolução descrita pelo AgropecFuturo, segundo a qual telemetria, sensores e plataformas integradas passaram a orientar decisões de manejo, manutenção e produtividade. No caso da GTS, a adaptação ao mercado norte-americano envolveu melhorias estruturais e funcionais, uso de sensores de flutuação e ajustes para diferentes realidades de solo, relevo e clima. Para Cardoso, essa combinação permitiu reduzir falhas, aumentar a confiança dos produtores e acelerar a adoção das máquinas por concessionárias e clientes finais.

A experiência de Cardoso no Projeto GTS América do Norte reforça sua contribuição ao setor por integrar engenharia aplicada, vendas técnicas e pós-venda em um único modelo de expansão. Ele conduziu mais de 200 demonstrações técnicas em mais de 25 estados dos EUA, participando diretamente da validação do produto, da aquisição de clientes e da construção de confiança da marca. Esse tipo de atuação, segundo o especialista, é essencial em um mercado em que a agricultura de precisão depende de comprovação prática de desempenho e de suporte imediato ao produtor.

Além do crescimento da GTS, o projeto gerou padronizações de longo prazo em treinamento, peças, suporte técnico e relacionamento com revendedores. Essas práticas passaram a orientar a estratégia internacional da empresa e se alinham ao modelo hoje adotado por grandes fabricantes que operam nos EUA, no qual a venda de máquinas agrícolas depende de uma rede qualificada, assistência rápida e dados de campo para melhoria contínua. Na função atual na Kimberley Ag Sales & Service e Bigt AG, Cardoso segue atuando em testes de equipamentos, validação de performance, treinamento técnico e estruturação de processos de pós-venda, ampliando a aplicação desse modelo em novas frentes do agronegócio norte-americano.

Para os próximos anos, Cardoso avalia que a inovação em agricultura de precisão será definida pela convergência entre automação, inteligência artificial, regulação, sustentabilidade e suporte técnico estruturado. Segundo ele, empresas que desejam competir nos EUA precisarão demonstrar ganhos mensuráveis no campo e, ao mesmo tempo, garantir atendimento local, disponibilidade de peças e conformidade operacional. “O futuro da agricultura de precisão não será decidido apenas pela tecnologia embarcada, mas pela capacidade de transformar essa tecnologia em resultado real para o produtor. Quem dominar esse modelo terá impacto duradouro no mercado”, conclui.

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Colaboração / Conteúdo produzido e fornecido para o Cartão de Visita News por Juliana Souza
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