![]() |
Celebrando 18 anos de trajetória, o In-Edit Brasil - Festival Internacional do Documentário Musical reafirma seu lugar como um dos mais importantes e aguardados festivais de cinema da agenda paulistana. O evento acontece de 17 a 28 de junho, em São Paulo, e reúne dezenas de títulos em première nacional e produções inéditas no circuito de salas e streaming, dedicadas a importantes nomes, contextos e territórios marcantes da música brasileira e mundial.
O festival este ano volta a ocupar as salas do CineSesc, Cinemateca Brasileira, Spcine Olido, Spcine Paulo Emílio (CCSP), Cine Bijou, Cine Matilha (Matilha Cultural) e CINUSP, além de oferecer um recorte da programação para todo o Brasil, no formato online, através das plataformas Spcine Play, Itaú Cultural Play e Sesc Digital. Além dos filmes, o festival apresenta uma programação paralela com shows, debates, encontros com convidados especiais e a tradicional feira de vinil.
O IN-EDIT BRASIL 2026 é uma realização da In Brasil Cultural; do Ministério da Cultura/Governo Federal, através da Lei Rouanet; do Governo do Estado de São Paulo, através da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas; e do Sesc São Paulo. O evento conta com patrocínio do Itaú Unibanco e da Spcine e a parceria da Cinemateca Brasileira (Sociedade Amigos da Cinemateca). O festival nasceu em Barcelona, na Espanha, em 2003, e acontece no Brasil desde 2009. Outros países, como Chile, Grécia, México, Países Baixos e Uruguai, também realizam edições do festival.
SESSÃO DE ABERTURA
O documentário inédito no Brasil Fugs Film!, que retrata a trajetória do The Fugs, grupo apontado como a primeira banda underground de Nova York e expoente da contracultura americana, abre a 18ª edição do In-Edit Brasil - Festival Internacional do Documentário Musical, com a presença do diretor Chuck Smith.
A sessão de abertura é gratuita e acontece no dia 17 de junho, às 20h, no CineSesc. Os ingressos podem ser retirados 1 hora antes da sessão, na bilheteria da sala.
PANORAMA BRASILEIRO
A produção brasileira ocupa lugar central na programação do festival, refletindo a pluralidade cultural do país por meio de histórias, territórios, gêneros musicais e personagens que atravessam diferentes regiões e tradições brasileiras. Os filmes estão distribuídos entre Competição Nacional, Mostra Brasil, Brasil.Doc, Curta um Som e Sessões Especiais.
A Competição Nacional apresenta oito títulos, sendo quatro deles inéditos no país, fazendo sua première no In-Edit. São eles: Entre o Sucesso e a Lama, de Cristiano Burlan, O Cravista, de Luiz Eduardo Ozório, Pontos de Força, de Vânia Lima, Universo Circular – Jocy de Oliveira, de Dácio Pinheiro. Dona Onete – Meu Coração Neste Pedacinho Aqui, de Mini Kerti, Ninguém Pode Provar Nada, de Rodrigo Pinto, Massa Funkeira, de Ana Rieper, e VIVO 76, de Lírio Ferreira, exibidos em outros festivais, completam a lista. O filme vencedor entrará no circuito In-Edit de festivais e será apresentado pelo diretor ou diretora no In-Edit Barcelona 2026.
Para a Mostra Brasil, o festival selecionou oito documentários, sendo três deles em première nacional. São eles: Canecão – Tantas Emoções, de Bruno Levinson, Nem Tudo É Paz e Amor, de Betão Aguiar, filho do Novo Baiano Paulinho Boca de Cantor, e Quando a Gente Vira Um – Mestre Ambrósio, de Cláudia Dias Perez Machado e Shinji Shiozaki, acompanha a trajetória do grupo Mestre Ambrósio. Completam a seleção Apopcalipse Segundo Baby, de Rafael Saar, Ary, de André Weller, Fernanda Abreu – Da Lata 30 Anos, de Paulo Severo, Rei da Noite, de Cassu, Lucas Weglinski e Pedro Dumans, e Vou Tirar Você Deste Lugar, de Dandara Ferreira.
A seção Brasil.Doc oferece uma seleção de seis documentários inéditos no circuito, sendo três em première nacional. São eles: Arthur, o Gigante, de Ivan de Angelis, Canto da Gente – Um Filme Sobre os Tápes, de Matheus Borges, e Hip Hop Caboclo, de João Nascimento, com Gritos de Agonia, de Márcio Crux, O Homem do Fraque Verde, de Petrônio Lorena, e Punks do ABC, de Jairo Costa, completando a lista.
Na mostra Curta um Som, o festival reúne onze curtas que percorrem diferentes territórios, tradições e cenas musicais do país. Bárbara – A Força da Ancestralidade, Batuque da Fêra, Bira Rasta, Eu Sou a Onda, Bregueragem, Duque de Caxias, Nação Hip Hop: Cultura de Rua, Não Quero Ser Capeta, Não!, O Carnaval é de Pelé, Ressonâncias, Silêncio na Boiada, e Uma Orquestra no Contrabaixo.
Nas Sessões Especiais, o IN-EDIT BRASIL 2026 apresenta dois títulos inéditos em festivais. A Noite de Alaíde, de Liliane Mutti, acompanha a trajetória da cantora Alaíde Costa, que celebra 90 anos, e seu retorno simbólico aos Estados Unidos em busca de reconhecimento. Já Flora & Airto - O Som Revolucionário, de Jom Tob Azulay, celebra a parceria artística e afetiva de Flora Purim e Airto Moreira, destacando sua influência na música contemporânea.
PANORAMA MUNDIAL
O Panorama Mundial reúne documentários musicais de diferentes países, gêneros e gerações, explorando trajetórias de artistas fundamentais, movimentos culturais e cenas musicais que atravessam rock, jazz, punk, hip-hop, música experimental, eletrônica e tradições populares.
Entre os títulos confirmados estão filmes sobre nomes e fenômenos que marcaram a cultura musical mundial, além de retratos sobre cenas underground, contracultura e manifestações musicais ao redor do mundo como: Boy George & Culture Club; Sun Ra: Do The Impossible; Born Innocent: The Redd Kross Story; Di'Anno: Iron Maiden's Lost Singer; The Best Summer; Esto es Raptor House; Cheech & Chong’s Last Movie; The Last Critic; Half Moon; La Partitura del Cosmo; La 42 (42nd Street); Through the Body: The Story of the International Body Music Festival; Para Vivir: El implacable tiempo de Pablo Milanés; Agridulce; The Blind Couple from Mali; Everywhere Man: The Lives and Times of Peter Asher; Big Mama Thornton: I Can't Be Anyone But Me; e The Big Johnson.
A programação ainda inclui recortes especiais como a Mostra Instituto Cervantes, a homenagem ao diretor Rob Reiner — com This Is Spinal Tap e Spinal Tap II — e a sessão Flashback, que celebra clássicos como Heartworn Highways, um dos melhores documentários musicais de todos os tempos, e September Songs: The Music of Kurt Weill, clássico com Lou Reed, Nick Cave, PJ Harvey e outros nomes importantes reinterpretando a obra atemporal de Kurt Weill.
ATIVIDADES PARALELAS
O 18º In-Edit Brasil amplia a experiência cinematográfica com uma intensa programação paralela, que ocupa diferentes espaços da cidade com shows, encontros, debates, festas, shows e homenagens musicais. Entre os shows, estão Odair José em sessão especial filme+show na Casa Natura Musical (18/06); o show da banda Inocentes celebrando os 20 anos do clássico Botinada!, na Cinemateca Brasileira (21/06); Alaíde Costa comemorando seus 90 anos em sessão seguida de apresentação na Casa de Francisca (23/06); Fernanda Abreu festejando os 30 anos de Da Lata, no Cine Joia, com exibição especial do filme (25/06); a primeira visita da banda norte-americana Redd Kross ao Brasil, em show também no Cine Joia (26/06); o rapper Gaspar Z’África esquentando a exibição do filme Hip Hop Caboclo na Patuá Discos (26/06); e a banda DZK celebrando o lançamento de Punks do ABC no Red Star Studio (28/06).
Entre as homenagens, destacam-se: um pocket-show em tributo a Paul Di’Anno após a sessão de Di'Anno: Iron Maiden's Lost Singer, na Cinemateca Brasileira (20/06); Paulo Beto e Paulo Casale num pocket-show com sintetizadores em homenagem a Jocy de Oliveira, no Cine Bijou (26/06); e Mario Adnet e Andrea Ernest Dias, alternando música e bate-papo sobre a obra e o legado do maestro Moacir Santos, no ano de seu centenário (27/06).
A programação inclui ainda apresentações especiais de Dale Crover, baterista da banda Melvins, que aproveita sua passagem pelo Brasil ao lado do Redd Kross para realizar uma apresentação solo no Porta (25/06); e uma festa-show de Entre o Sucesso e a Lama, com os artistas retratados no documentário, na Casa de Francisca (20/06).
A programação formativa acontece na Matilha Cultural, sempre às 19h, e reúne realizadores, pesquisadores e músicos para discutir processos criativos e preservação da memória audiovisual. No dia 25/06, o debate Buscando Histórias aborda as relações entre roteiro, acaso e construção narrativa nos documentários musicais, com participação de Dandara Ferreira, Rafael Saar e Emílio Domingos. Em 26/06, Trilhando o Real discute o papel das trilhas sonoras na construção audiovisual, reunindo Paulo Beto, Patrícia Palumbo e Rica Amabis. No dia 27/06, Memória Viva propõe reflexões sobre pesquisa, acervo e preservação de materiais de arquivo, com Helena Tassara, Thiago Mattar e Eloá Chouzal.
Vale destacar ainda uma entrevista com a diretora Alison Ellwood, do longa Boy George & Culture Club, realizada pelo jornalista Duda Leite, coordenador das atividades formativas da 18ª edição do festival.
No dia 23/06, às 18h, no CineSesc, acontecerá um bate papo sobre a obra de Ruy Barata, homenageado do documentário Nativo. Em 25/06, às 21h, no Cine Bijou, Pedro Kaluf, tour manager da última turnê brasileira de Paul Di’Anno, compartilha histórias e bastidores da estrada em Os causos da turnê The Best Is Back. No mesmo dia, na Cinemateca Brasileira, integrantes do Redd Kross participam de uma conversa com o público após a sessão de Born Innocent: The Redd Kross Story.
A tradicional Feira de Vinil acontece no dia 21/06, domingo, na Cinemateca Brasileira.
Toda a programação está disponível no site: www.in-edit-brasil.com
Serviço
18º In-Edit Brasil - Festival Internacional do Documentário Musical
de 17 a 28 de junho, em São Paulo
Salas de Cinema (São Paulo):
CineSesc - Rua Augusta, 2075 - Cerqueira César (@cinesescsp)
Cinemateca Brasileira - Largo Senador Raul Cardoso, 207 - VIla Mariana (@cinemateca.brasileira)
Spcine Olido (Centro Cultural Olido) - Rua São João, 473 - Centro (@ccolido)
Spcine Paulo Emílio (CCSP) - Rua Vergueiro, 1000 - Paraíso (@cinemaccsp)
Cine Bijou - Praça Franklin Roosevelt, 172 - Consolação (@satyrosbijou)
Matilha Cultural - Rua Rego Freitas, 542 - República (@matilhacultural)
CINUSP - Rua do Anfiteatro, 109 - Butantã (@cinusp_)
Plataforma Digitais:
Sesc Digital: sescsp.org.br/inedit
Spcine Play: spcineplay.com.br
Itaú Cultural Play (IC Play): itauculturalplay.com.br
Espaços Musicais parceiros (São Paulo):
Casa Natura Musical - Rua. Artur de Azevedo, 2134 - Pinheiros
Casa de Francisca - Rua Quintino Bocaiúva, 22 - Sé
Cine Joia - Praça Carlos Gomes, 82 - Liberdade
Red Star Studio - Rua Teodoro Sampaio, 462 - Pinheiros
Porta - Rua Horácio Lane, 95, Pinheiros
Patuá Discos - Rua Fidalga, 516 - Vila Madalena
Acesso:
Sessões de cinema presenciais: Acesso gratuito, exceto no CineSesc (ingresso a R$ 10, com sessão de abertura gratuita). Os ingressos gratuitos, incluindo os da sessão de abertura, serão distribuídos com uma hora de antecedência, nas bilheterias das respectivas salas, sujeitos à lotação.
Filmes online: Acesso gratuito para todo o Brasil.
Programação paralela - acesso: As atividades da programação paralela (música, formação, feira de vinil) têm acesso gratuito, exceto nos shows realizados em espaços musicais parceiros (Casa Natura Musical, Cine Joia, Casa de Francisca, Porta).
SINOPSES DA PROGRAMAÇÃO
PANORAMA BRASILEIRO - 38 TÍTULOS
COMPETIÇÃO NACIONAL
Dona Onete - Meu Coração Neste Pedacinho Aqui
Mini Kerti | Brasil | 2025 | 90’
Por entre rios e matas do Pará, Dona Onete conta sua trajetória, desde quando foi professora e militante sindical até o sucesso internacional.
Com as presenças de artistas paraenses como Gaby Amarantos, Jaloo e Seu Manoel Cordeiro, ela canta os banzeiros, os botos e os sabores da floresta, com humor e sabedoria, numa celebração da Amazônia viva que pulsa em sua voz.
Entre O Sucesso E A Lama
Cristiano Burlan | Brasil | 2026 | 86’
Com a mentoria de grandes nomes do rap nacional, como Gaspar Z'África e Edi Rock, dezesseis artistas se reúnem para fazer um álbum inédito. Enquanto isso, o local em que se encontram, o Teatro de Contêiner, em São Paulo, está no centro de uma disputa imobiliária envolvendo a prefeitura, a Guarda Civil Metropolitana e outros interesses especulativos.
O diretor Cristiano Burlan investe no cinema direto, inserindo o espectador nesta realidade dividida entre o embate territorial e a criação artística. (Première nacional)
Massa Funkeira
Ana Rieper | Brasil | 2025 | 90’
Ana Rieper (vencedora da edição 2012 do In-Edit Brasil com “Vou Rifar Meu Coração”) leva suas câmeras para o universo do funk carioca, tendo como ponto de partida o sexo.
Sem moralismos, o filme revela como, através do corpo, da dança, das letras e vivências de seus artistas, o funk expressa resistência, desejo, prazer e afirmação pessoal, tornando-se força vital e cultural da periferia brasileira.
Ninguém Pode Provar Nada
Rodrigo Pinto | Brasil | 2025 | 105’
As aventuras quase inacreditáveis do jornalista e produtor musical Ezequiel Neves, o “Exagerado Número 1”. Apoiando-se em mais de sessenta horas de entrevistas inéditas e precioso material de arquivo, o filme acompanha sua trajetória, que inclui excessos, lorotas, verdades afiadas e encontros definitivos para a música brasileira, como aqueles com o Made in Brazil, Barão Vermelho e Cazuza.
O Cravista
Luiz Eduardo Ozório | Brasil | 2025 | 104’
Roberto Regina é um senhor de 97 anos muito bem-humorado, que conta sua trajetória musical com perspicácia e discorre prazerosamente sobre seu instrumento, o cravo.
Entre lembranças íntimas e grandes realizações, o artista reflete sobre o legado pioneiro que construiu ao introduzir instrumentos de época na música erudita tocada no Brasil, enquanto enfrentava os desafios impostos pelo preconceito e pela resistência às mudanças. Uma jornada sensível sobre legado, arte, tempo e a coragem de romper barreiras. (Première nacional)
Pontos De Força
Vânia Lima | Brasil | 2026 | 78’
Mateus Aleluia nos guia por lugares sagrados do Candomblé em Cachoeira (BA), realizando uma imersão profunda nesta região em que ancestralidade e (re)existência dialogam de maneira intensa. No registro sensível da diretora Vânia Lima, fé, conexão com a natureza e memória dos antepassados traduzem-se em música . (Première nacional)
Universo Circular - Jocy De Oliveira
Dácio Pinheiro | Brasil/Alemanha | 2026 | 86’
Pioneira e figura central da vanguarda musical brasileira, Jocy de Oliveira introduziu no país a música eletrônica, no início dos anos 1960.
Prestes a completar 90 anos, ela revisita sua trajetória, compartilhando arquivos, partituras e cartas trocadas com gigantes da música, como Stravinsky, Xenakis, Luciano Berio, Cage e Stockhausen. Mantendo-se inquieta e atual, ela reflete sobre o tempo, a memória e a permanência de seu gesto criativo. (Première nacional)
VIVO 76
Lírio Ferreira | Brasil | 2026 | 102’
O premiado cineasta Lírio Ferreira se debruça sobre as influências, o nascimento e a interpretação das canções que formam o disco “Vivo!”, terceiro álbum do compositor e cantor pernambucano Alceu Valença, lançado em 1976.
Tendo o próprio Alceu como condutor, viajamos aos anos 1970 para mergulhar de cabeça na psicodelia pernambucana, onde música, literatura e artes visuais se misturam, apontando caminhos para o futuro.
MOSTRA BRASIL
Apopcalipse Segundo Baby
Rafael Saar | Brasil | 2026 | 110’
Durante mais de quinze anos, o diretor Rafael Saar (“Yorimatã” - filme vencedor do In-Edit Brasil 2013) acompanhou Baby do Brasil com uma câmera, deixando-a livre para contar, sem travas na língua, sua trajetória, desde quando a jovem Bernadete Dinorah embarcou num ônibus em Niterói, com destino a Salvador, para viver o sonho hippie.
Através de imagens de arquivo preciosas, acompanhamos suas sucessivas transformações, de Baby Consuelo a Baby do Brasil, sempre marcadas por uma constante: a espiritualidade.
Ary
André Weller | Brasil | 2025 | 71'
Misturando ficção e imagens de arquivos raras, Ary Barroso conta, através da voz de Lima Duarte, sua vida, desde a infância em Minas Gerais até os dias de glória no Rio de Janeiro.
Passando pela parceria com os estúdios Disney, campos de futebol e encontros com personagens importantes na vida cultural brasileira, como Carmen Miranda, o resultado é um ensaio cinematográfico íntimo sobre a mente criativa do homem que inventou o Brasil Brasileiro.
Canecão – Tantas Emoções
Bruno Levinson | Brasil | 2026 | 87’
Inaugurado no fim dos anos 1960, o Canecão foi um dos palcos míticos do país, onde grandes nomes da música brasileira realizaram shows históricos.
A partir de depoimentos inéditos e imagens de arquivo, o diretor Bruno Levinson reúne artistas, funcionários e jornalistas para reconstruir a memória viva de um espaço que marcou profundamente a cultura brasileira. Como diria o rei Roberto: “são tantas emoções, bicho!”. (Première nacional)
Fernanda Abreu – Da Lata 30 Anos
Paulo Severo | Brasil | 2025 | 85’
A partir de um vasto material inédito, registrado por Paulo Severo em 1995, Fernanda Abreu conta o processo de criação e gravação do álbum “Da Lata”. Lançando mão de uma estética inovadora que misturava pop eletrônico, funk e samba, o álbum se tornou um marco na música pop brasileira.
Tomando depoimentos de personagens importantes na produção do álbum, o filme é uma celebração musical e visual, revelando a personalidade única da artista e o momento social e cultural do Rio de Janeiro de 1995.
Nem Tudo É Paz e Amor
Betão Aguiar | Brasil | 2025 | 88’
Os filhos da contracultura refletem sobre a criação que receberam de seus pais. Psicodelia, drogas, sexo e resistência contra a ditadura se misturam a fraldas, papinhas e trabalhos escolares. A partir de um ponto de vista privilegiado, eles observaram a beleza, as rupturas e as contradições de uma liberdade sem fim.
Dirigido por Betão Aguiar, filho do “novo baiano” Paulinho Boca de Cantor, o filme evoca o espírito da época e pergunta: o que é necessário para atravessar os traumas e as maravilhas de crescer no caos revolucionário da contracultura? (Première nacional)
Quando A Gente Vira Um - Mestre Ambrósio
Cláudia Dias Perez Machado e Shinji Shiozaki | Brasil | 2026 | 126'
A banda Mestre Ambrósio surgiu no início dos anos 1990, em Recife. A partir de uma extensa pesquisa musical, mergulhou na cultura popular de Pernambuco, aproximando tradição e experimentação, transformando-se num dos pilares do manguebeat, juntamente com Chico Science & Nação Zumbi.
Com base em arquivos e depoimentos, além de um reencontro dos músicos quase duas décadas depois, o filme observa como o grupo encontrou na cultura popular tradicional a base para transformar saberes ancestrais em sons contemporâneos. (Première nacional)
Rei Da Noite
Cassu, Lucas Weglinski e Pedro Dumans | Brasil | 2026 | 80’
Num ambiente que mistura teatro, vaudeville e escola de samba, Ricardo Amaral conta como criou suas lendárias casas noturnas em São Paulo, Rio de Janeiro, Paris e Nova York.
Combinando depoimentos do próprio “rei da noite” com depoimentos dos notórios frequentadores desses espaços, encontramos um universo em que golfinhos, mafiosos e celebridades como Luiza Brunet, Narcisa Tamborindeguy e Pelé participam juntos da gandaia.
Vou Tirar Você Deste Lugar
Dandara Ferreira | Brasil | 2025 | 84’
Desafiando o moralismo vigente durante a ditadura militar dos anos 1970, Odair José tocou o coração de milhões de brasileiros, tornando-se ídolo das classes sociais desfavorecidas. Esnobado pela elite intelectual do país, ele abordou com honestidade temas espinhosos como aborto, prostituição, religião, tornando-se vítima da censura e do silêncio da indústria musical.
Mais do que contar sua trajetória, “Vou Tirar Você Deste Lugar” nos oferece uma jornada poética sobre o imaginário subversivo de Odair.
BRASIL.DOC
Arthur, O Gigante
Ivan de Angelis | Brasil | 2025 | 98’
Arthur Maia foi um dos gigantes do contrabaixo no Brasil. Acompanhando artistas como Gilberto Gil, Djavan, Lulu Santos e Ney Matogrosso, Arthur se destacou desde cedo no cenário musical e fez com que o instrumento se tornasse um protagonista nos palcos e estúdios.
Com depoimentos de grandes músicos, amigos e familiares, a trajetória deste exímio instrumentista é celebrada nesta homenagem. (Première nacional)
Canto Da Gente – Um Filme Sobre Os Tápes
Matheus Borges | Brasil | 2025 | 77’
O grupo Os Tápes foi fundado em 1971 na pequena cidade de Tapes, no Rio Grande do Sul. Em 1975, o grupo lançou o clássico LP “Canto da Gente”, pela gravadora Marcus Pereira. Funcionando como uma cooperativa, a banda construía suas canções a partir das vozes de grupos marginalizados: peões de estância, trabalhadores rurais, povos indígenas e populações negras. Em plena ditadura militar, essa proposta estética carregava também uma forte dimensão política.
No filme, a trajetória dos Tápes é reconstruída por seus integrantes e colaboradores, que revisitam a história e o impacto cultural do grupo. (Première nacional)
Gritos De Agonia - Uma História Do Movimento Punk Hardcore Em Belém Do Pará
Márcio Crux | Brasil | 2025 107’
Marcada por fortes contrastes sociais, Belém muitas vezes se revela uma cidade dura e implacável. Num cenário que oferece poucas perspectivas de futuro, um movimento de resistência ocupa ruas, praças e palafitas, enfrentando o provincianismo, a decadência e o abandono, enquanto ecoam gritos de agonia e desespero.
A partir do diálogo entre o contexto histórico e a relação desse movimento com a cidade, o filme reúne depoimentos e valioso material de arquivo para contar mais de 40 anos da cena punk hardcore na capital do Pará.
Hip Hop Caboclo
João Nascimento | Brasil | 2025 | 77’
Road movie em que Gaspar Z’África e o diretor João Nascimento partem em direção às regiões Norte e Nordeste do país, realizando uma investigação poética que une a cultura popular brasileira ao hip-hop.
A partir de encontros com mestres e mestras, o filme revela as raízes, os fluxos e as reinvenções das sonoridades que atravessam o país, misturando ritmos de matrizes africanas e indígenas, cordel, embolada, ladainhas e cantorias. (Première nacional)
O Homem do Fraque Verde
Petrônio Lorena | Brasil | 2025 | 73’
A história e a mística do Homem da Meia-Noite, personagem icônico do Carnaval de Olinda.
Desde 1932, o boneco gigante percorre as ladeiras históricas da cidade, sempre à meia-noite do sábado para o domingo de Carnaval, conduzindo um cortejo que reúne mais de 300 mil foliões — entre manifestações de fé, devoção popular e a rica miscigenação religiosa brasileira.
Punks Do ABC
Jairo Costa | 2025 | Brasil | 90’
Surgido nas entranhas do sindicalismo dos anos 1970, o movimento punk do ABC se destacava por ser mais politizado que o da capital.
A partir de depoimentos de personagens que construíram essa trajetória e farto arquivo histórico inédito, o documentário traz histórias pouco conhecidas do movimento e da cena underground do subúrbio operário, revisitando o passado mas também apontando possíveis caminhos a percorrer.
CURTA UM SOM
Bárbara A Força Da Ancestralidade
Edson Spitaletti e Sandro Cácio | Brasil | 2025 | 15’
Samba, religiosidade e sentido de comunidade – tudo isso conjugado na tradição e memória das mulheres que compõem a Velha Guarda e a Ala das Baianas da Unidos de Santa Bárbara, escola de samba de Itaim Paulista, extremo leste de São Paulo.
Batuque Da Fêra
Uyatã Rayra e Pedro Patrocínio | Brasil | 2025 | 23'
À procura do Batuque Perfeito, o mestre Bel da Bonita se depara com o Samba Rural de Feira de Santana-BA. Entre triângulos, tambores e pés-de-bode, seu trajeto revela uma cidade diversa e peculiar, no Portal do Sertão Nordestino.
Bira Rasta, Eu Sou A Onda
Gregori Bastos | Brasil | 2026 | 25’
Ubirajara Nascimento da Silva, o Bira Rasta, foi um dos principais nomes do reggae no Rio de Janeiro. Do violão escondido na infância ao reggae militante e combativo da Baixada Fluminense, o filme traça sua vida, música e legado, revelando o homem por trás do carisma e da mensagem: “Eu não tiro onda, eu sou a onda”.
Bregueragem
Daniel Arcades | Brasil | 2026 | 17’
O universo brega como um tratado de poesia: cor, cheiro e som numa noite cheia de romantismo, com versos de poetas como Álvares de Azevedo e de cantores da noite como Paulo Humildes.
Duque de Caxias, o Albergue do Rock
Guilherme Zani | Brasil | 2025 | 21’
Entre amplificadores e depoimentos de coração aberto, o documentário revela como uma casa em Duque de Caxias, na baixada fluminense, se tornou um refúgio para bandas de metal de todo o Brasil, construindo uma rede de solidariedade que transcende os acordes pesados.
Nação Hip Hop: Cultura de Rua
Laia Orisa | Brasil | 2025 | 16’
“Nação Hip Hop” foi o primeiro programa da TV aberta no Brasil dedicado ao gênero. Veiculado pela TV Cultura e pela Band de Florianópolis, impactou milhões de espectadores, fomentando a cena local.
Não quero ser capeta, não!
Duna Dias e Leonardo Augusto | 2024 | 30’
Misturando documentário e ficção, o filme conta sobre a lenda do Capeta do Vilarinho, misterioso personagem que arriscava uns passos de dança nos bailes das Quadras do Vilarinho, na periferia de Belo Horizonte.
O Carnaval É De Pelé
Daniele Leite e Lucas Santos | Brasil | 2025 | 21’
Pelé, um enfermeiro aposentado, relembra seus momentos como Mateus, personagem do centenário grupo Boi Tira-Teima, no interior de Alagoas. Enquanto costura o boi que dará vida ao folguedo, ele também costura suas memórias, revivendo experiências como brincante e carnavalesco.
Ressonâncias
Ana Amélia Arantes | Brasil | 2025 | 25’
A educadora musical Berenice Menegale foi uma das criadoras da Fundação Artística de Belo Horizonte. Aos 90 anos de idade e ainda na ativa, ela mantém seus olhos no futuro e continua difundindo os ideais de liberdade, renovação e direito universal à arte, assimilados por ela desde a infância.
Silêncio na Boiada
Luiza Fernandes | Brasil | 2025 | 20’
Quilombo Liberdade, São Luís (MA). Aqui, vemos como o Bumba Meu Boi da Floresta de Mestre Apolônio atravessou os momentos de silêncio, isolamento e mortes provocadas pela pandemia do COVID-19. Apesar deste cenário, o Boi da Floresta encontrou formas de dar continuidade e atualizar as tradições, e garantir a sobrevivência de seus brincantes durante a maior crise sanitária mundial dos últimos cem anos.
Uma Orquestra no Contrabaixo
Sergio Sbragia | Brasil | 2025 | 25’
Durante o enterro de seu pai, o diretor Sergio Sbragia descobre que o velho contrabaixo de seu pai guarda um segredo: ele traz em seu tampo as assinaturas de todos os membros da Orquestra Sinfônica Municipal do Rio de Janeiro, nos anos 1950. A partir daí, vemos as histórias de uma geração de mestres da música sinfônica brasileira – imigrantes que vieram para o Brasil em consequência da II Guerra Mundial.
SESSÕES ESPECIAIS
A Noite de Alaíde
Liliane Mutti | Brasil | 2025 | 100’
Nascida no subúrbio carioca, Alaíde Costa foi um dos principais nomes da primeira geração da Bossa Nova. Única voz negra do movimento, no entanto, ela foi ignorada pelas grandes gravadoras e, assim como Johnny Alf, outro pioneiro negro, foi impedida de participar da apresentação feita no Carnegie Hall, em Nova York, em 1962. Agora, aos 90 anos, ela volta aos Estados Unidos, em busca de um lugar que sempre foi seu por direito.
Botinada!
Gastão Moreira | Brasil | 2006 | 75’
O punk chegou ao Brasil como pôde. Para isso, teve que burlar a ditadura e os meios de comunicação, encontrando um público pouco preparado. Gastão Moreira consegue iluminar uma história cheia de contradições e colocar em pratos limpos um período marcado pelo barulho e pela garra.
Flora & Airto - O Som Revolucionário
Jom Tob Azulay | Brasil | 2026 | 86’
Flora Purim e Airto Moreira revolucionaram o mundo do jazz e da música brasileira nos anos 1970. Ao lado de Chick Corea, os dois lançaram as sementes do fusion moderno no álbum “Return to Forever” (1972), além de terem participações fundamentais nas gravações de “Bitches Brew”, de Miles Davis, e “Welcome”, de Carlos Santana. Neste filme, acompanhamos o duo numa gravação histórica e emocionante, realizada em 2024, que entrelaça as vidas pessoais e profissionais dos dois artistas no passado e no presente. A obra celebra o papel de Flora e Airto na música contemporânea, revelando a força de sua parceria marcada pela transgressão e reinvenção constantes.
Ganga Zumba
Cacá Diegues | Brasil | 1963 | 100’
No Brasil colonial do século XVII, um jovem escravizado descobre que está destinado a se tornar Ganga Zumba, líder do Quilombo dos Palmares. Ao lado de outros fugitivos, atravessa matas, rios e perseguições em busca do lendário território livre, escondido na serra. Misturando aventura, resistência e elementos da cultura afro-brasileira, Cacá Diegues constrói um dos filmes centrais do Cinema Novo. A música original é do maestro e compositor Moacir Santos, que recebe, no ano de seu centenário, esta homenagem do In-Edit Brasil.
Nativo
Vladimir Cunha | Brasil | 2026 | 60’
Ruy Barata foi uma das figuras mais importantes da cultura paraense. Poeta, político, advogado, professor e compositor, Ruy, que compunha com seu filho Paulo André Barata, teve suas composições gravadas por Fafá de Belém, Maria Rita, Zeca Pagodinho, Leila Pinheiro, Áurea Martins, Zeca Baleiro, Zé Renato, Joyce Moreno, Mônica Salmaso entre outros. O diretor Vladimir Cunha faz um retrato pouco usual de Ruy Barata, investigando o seu legado e revelando o lado boêmio do compositor.
PANORAMA MUNDIAL - 28 TÍTULOS
FILME DE ABERTURA
Fugs Film!
Chuck Smith | Estados Unidos | 2025 | 84’
Diz a lenda que The Fugs foram a primeira banda verdadeiramente underground de Nova York. Formado por poetas ligados à geração beat, como Ed Sanders e Tuli Kupferberg, o grupo misturava humor, provocação política, sexualidade e folk lo-fi em canções tão irreverentes quanto inesperadamente cativantes. A partir de um rico material de arquivo e depoimentos de artistas e cúmplices de época, o filme reconstrói a trajetória dessa formação instável e radical, precursora do espírito punk. Entre o caos criativo e a sátira afiada, emerge o retrato de uma banda pouco conhecida, mas fundamental para entender a contracultura americana dos anos 1960.
DOCS INTERNACIONAIS
Agridulce
Frank Pavich | Estados Unidos / República Dominicana | 2024 | 98’
Filmado ao longo de cinco anos na Academia de Bachata, em Cabarete (República Dominicana), o documentário acompanha a formação de jovens músicos para quem a música é mais do que expressão, mas um caminho de vida. Entre infância e amadurecimento, esses artistas em formação enfrentam dilemas pessoais e pressões sociais enquanto descobrem sua identidade por meio da bachata, gênero central na cultura dominicana.
Orientados pelo renomado guitarrista Mártires de León, transitam entre tradição e futuro em um ambiente onde gerações se encontram e se tensionam. Com olhar íntimo, o filme constrói um delicado retrato de passagem, em que disciplina, desejo e pertencimento se entrelaçam em uma jornada de autodescoberta.
Big Mama Thornton: I Can't Be Anyone But Me
Robert Clem | Estados Unidos | 2025 | 88’
Retrato direto e elucidativo de Big Mama Thornton, uma das vozes mais potentes e subestimadas da música americana.
Nascida no Alabama, Willie Mae Thornton desafiou normas de gênero com sua presença imponente e estilo marcante, abrindo caminho com interpretações viscerais como “Hound Dog”, antes de se tornar um fenômeno na voz de Elvis Presley.
Entre reconhecimento tardio e injustiças recorrentes, o filme revisita sua trajetória intensa com amplo material de arquivo.
Boy George & Culture Club
Alison Ellwood | Estados Unidos, Reino Unido | 2025 | 95’
Com humor, coração e muito glitter, a diretora Alison Ellwood mergulha na trajetória de Boy George e da banda Culture Club, um dos grupos mais marcantes dos anos 1980.
Focando na relação intensa que moldou seu sucesso e suas rupturas, o documentário alterna memórias, confissões íntimas e hits como “Do You Really Want to Hurt Me?” e “Karma Chameleon” com os conflitos que fizeram da carreira do grupo uma montanha-russa. O relacionamento tempestuoso entre Boy George e o baterista Jon Moss, a explosão do segundo álbum, a fama, a pressão da imprensa sobre sua sexualidade, as drogas e a relação com os demais membros — nada é filtrado aqui. Um mergulho profundo no lado emocional por trás do brilho pop.
Born Innocent: The Redd Kross Story
Andrew Reich | Estados Unidos | 2022 | 84’
Este é o retrato afetuoso e direto de uma das bandas mais singulares do rock alternativo americano. Neste documentário, os irmãos Jeff e Steve McDonald relembram desde a infância até a consagração como referência cult para inúmeras bandas, evocando um caleidoscópio colorido e alegre que une garage punk, glam, power pop, metal, franqueza, teimosia e muita irreverência. Entre arquivos, depoimentos e histórias saborosas, Sonic Youth, L7, Black Flag, Melvins e Sebadoh, entre outros, declaram seu amor eterno pela dupla, trazendo histórias divertidas e muito som.
Cheech & Chong’s Last Movie
David Bushell | Estados Unidos | 2024 | 120’
Dos clubes de Vancouver e Los Angeles aos grandes palcos — ao lado de Ray Charles, The Delfonics e The Rolling Stones —, Cheech Marin e Tommy Chong construíram um império cômico e se tornaram ícones contraculturais dos anos 1970, pioneiros da chamada stoner comedy. Das origens na música aos palcos e ao cinema, os maconheiros mais famosos da cultura pop relembram como se tornaram um fenômeno, sem evitar conflitos, separações e excessos. Entre nostalgia e auto ironia, o filme revela uma parceria tão caótica quanto duradoura, que ajudou a redefinir os limites da comédia popular.
Di'Anno: Iron Maiden's Lost Singer
Wes Orshoski | Estados Unidos | 2025 | 97'
Um retrato cru e íntimo de Paul Di'Anno, vocalista dos dois primeiros álbuns do Iron Maiden e figura central na formação do heavy metal. Dirigido por Wes Orshoski, o filme acompanha sua trajetória dos anos de ascensão ao período mais recente, marcado por problemas de saúde e tentativas de reconstrução pessoal e artística. Filmado em parte no Brasil, o documentário revela um homem em seus momentos mais frágeis — entre dores físicas, dificuldades financeiras e incertezas — sem abrir mão de sua força e legado. Entre quedas, recaídas e breves respiros de esperança, emerge um personagem movido por medos profundos: do sucesso, do esquecimento e da solidão. Um documentário duro, que expõe sem filtros os limites entre resistência e desgaste.
Esto es Raptor House
Roberto López Buschbeck | Espanha | 2025 | 75’
Da periferia de Caracas aos grandes clubes da Europa, o filme conta a história do Raptor House, vertente eletrônica criada por DJ Babatr no fim dos anos 1990. Misturando techno-house pesado, ritmos caribenhos e cultura de rua, o gênero nasceu nas matinês dos bairros populares e rapidamente se transformou em trilha sonora de uma geração marginalizada. Entre CDs piratas, batalhas de dança, violência, preconceito e repressão policial, o documentário revela como essa cena sobreviveu ao estigma da cultura “tuki” até renascer internacionalmente graças à internet e à cena eletrônica queer. Frenético, vibrante e cheio de energia, o filme transforma resistência em pista de dança.
Everywhere Man: The Lives and Times of Peter Asher
Dan Geller & Dayna Goldfine | Estados Unidos | 2025 | 117’
O filme acompanha a trajetória de Peter Asher, figura importante — ainda que muitas vezes discreta — da música pop. Nos anos 1960, ficou famoso como membro da dupla Peter and Gordon, compartilhou com Paul McCartney momentos em família e de trabalho e viveu de perto algumas das grandes transformações da cultura popular. Mais tarde, tornou-se produtor e ajudou a lançar e consolidar artistas como James Taylor e Carole King, entre tantos outros.
Entre memórias, arquivos e depoimentos, surge o retrato de um homem inteligente, carismático e profundamente conectado à história da música das últimas décadas.
Half Moon
Frank Scheffer | Holanda | 2025 | 91’
A eclosão da guerra na Síria, em 2011, impediu o clarinetista Kinan Azmeh de retornar para casa, dando início a uma jornada íntima sobre o poder transformador da arte. Sua música — entre a música clássica, o jazz e a world music — atravessa as camadas da identidade no exílio e se entrelaça com marcos pessoais, como a paternidade. Ao lado de outros artistas deslocados, ele reconstrói em som a memória de um país fragmentado, em uma ode delicada às perdas e à permanência do afeto.
Half Moon é a terceira peça da tetralogia de Scheffer sobre o desaparecimento das tradições culturais e se sustenta pela força de cada história individual e pelos momentos musicais que a atravessam.
La 42 (42nd Street)
José María Cabral | República Dominicana | 2025 | 91’
No bairro de Capotillo, em Santo Domingo, uma única rua de 600 metros se transforma em palco de celebração, arte e sobrevivência. Ao ritmo implacável do dembow, dançarinos e performers ocupam a noite movidos por uma fome urgente de expressão e reconhecimento, enquanto enfrentam o assédio policial e o peso dos estigmas sociais. A câmera mergulha sem concessões nesse caldeirão urbano, onde corpos em movimento se tornam atos de liberdade, fúria e esperança. Fonte de inspiração para artistas como Bad Bunny, Arcángel, Tokischa, Akon, El Alfa e La Perversa, La 42 revela uma cena vibrante em que dançar é mais do que performar: é afirmar a existência. Uma experiência intensa e sensorial que borra as fronteiras entre documentário e ficção.
La Partitura del Cosmo
JuanMa V. Betancort | Espanha e Colômbia | 2024 | 120’
No Observatório do Teide, do Instituto de Astrofísica de Canarias, na Espanha, desenrola-se uma experiência singular: traduzir os ritmos e vibrações do cosmos em música. Guiado pela presença da compositora Suzanne Ciani, o filme atravessa séculos de pensamento — da “música das esferas” de Pitágoras às teorias de Johannes Kepler — para conectar ciência e criação sonora.
Em paralelo, músicos experimentais transformam órbitas, pulsações e fenômenos celestes em uma espécie de ópera cósmica. Entre fascínio estético e investigação sensorial, o documentário propõe uma escuta ampliada do universo, onde som, ciência e imaginação se fundem.
Para Vivir: El implacable tiempo de Pablo Milanés
Fabien Pisani | México / Espanha | 2025 | 107’
Dirigido por seu filho adotivo, Fabien Pisani, o filme abre as gavetas da intimidade de Pablo Milanés – fundador da nueva trova e uma das vozes mais importantes da música cubana.
A partir de imagens de arquivo raras e entrevistas com familiares e colaboradores como Chico Buarque, Fito Páez, Joan Manuel Serrat e Harry Belafonte, além do próprio Pablo, o filme constrói um retrato que se desenha de dentro para fora.
Gravado nos últimos anos de vida de Milanés, já radicado na Espanha, o documentário revela um artista dividido entre o exílio e a saudade, cuja obra ajudou a redefinir a música latino-americana. Um relato tocante sobre criação, consciência e desencanto.
Sun Ra: Do The Impossible
Christine Turner | Estados Unidos | 2025 | 84’
Sun Ra foi uma das figuras mais visionárias da história do jazz. Poeta, filósofo, egiptólogo, cosmólogo e autoproclamado viajante de Saturno, Herman Poole Blount, ou Le Sony’r Ra, criou um universo próprio. A partir de arquivos hipnóticos e depoimentos de músicos e pesquisadores, o filme revela como sua obra fundiu improvisação livre, experimentação eletrônica e uma poderosa visão afrofuturista. O resultado é um retrato instigante de um artista cuja imaginação de outro mundo influenciou não apenas o som e a identidade negra nos Estados Unidos, mas toda a paisagem cultural do século XX.
The Big Johnson
Lola Rocknrolla | Estados Unidos | 2025 | 95’
Dean Johnson foi uma figura central da cena underground nova-iorquina dos anos 1980. Drag queen, vocalista, promoter de sex parties e agitador cultural, Dean encarnou como poucos o espírito excessivo e libertário do East Village em plena crise da AIDS.
Entre histórias delirantes, arquivos e depoimentos, o filme percorre uma trajetória marcada por sexo, drogas, música e ativismo, até o mistério em torno de sua morte em 2007. Ágil, caótico e cheio de vida, este é o retrato de um personagem que viveu a vida como uma grande performance.
Amadou & Mariam: The Blind Couple from Mali
Ryan Marley | Canadá | 2026 | 82’
Um retrato íntimo de Amadou & Mariam, casal de músicos cegos que construiu uma trajetória singular na música mundial. Unidos pela vida e pela criação, eles transformam a experiência da cegueira em potência artística, desenvolvendo uma escuta sensível que atravessa gêneros e culturas.
O filme acompanha a dupla entre Paris e Bamako, revelando seu cotidiano, o processo de gravação de um novo álbum e o retorno às origens em um momento decisivo da carreira. Com abordagem direta e observacional, destaca não apenas o reconhecimento internacional, mas sobretudo a relação profunda entre música, afeto e percepção. Um retrato delicado sobre como ouvir o mundo pode ser também uma forma de reinventá-lo.
The Last Critic
Matty Wishnow | Estados Unidos | 2025 | 83’
Há sessenta anos e um milhão de discos atrás, Robert Christgau ajudou a inventar a crítica de rock. Autoproclamado “Decano da Crítica Americana de Rock”, Robert estreou na função cobrindo o Festival de Monterey para a Esquire, em 1967, e redefiniu o gênero em 1969 com seu Consumer Guide no Village Voice, um compêndio de resenhas em cápsulas com notas de classificação.
Hoje, aos oitenta anos, segue escrevendo com o mesmo vigor, enquanto o filme questiona seu lugar em um mundo dominado por algoritmos e pela obsolescência da crítica tradicional. Seria ele o último crítico?
The Best Summer
Tamra Davis | EUA / Austrália / Indonésia / Tailândia | 2026 | 84’
Filmado durante o verão australiano de 1995, o documentário revela shows explosivos, bastidores caóticos e muita festa ao lado de algumas das bandas mais importantes do rock alternativo dos anos 1990. Sempre colada na ação, a diretora Tamra Davis registra apresentações incendiárias e momentos íntimos com Beastie Boys, Sonic Youth, Foo Fighters, Pavement, Rancid, Beck e Bikini Kill. Entre entrevistas improvisadas, viagens e performances elétricas, o filme constrói uma cápsula do tempo vibrante de uma cena musical em plena ebulição. Um retrato cru, divertido e cheio de energia de uma época em que viver na estrada parecia a melhor coisa do mundo.