Obra inédita une experiência, atuação institucional e sensibilidade feminina para discutir um dos temas mais urgentes da sociedade: o enfrentamento à violência de gênero
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| Foto: Divulgação |
A violência contra a mulher ainda impõe ao Brasil uma das mais profundas e persistentes feridas sociais. Entre agressões físicas, violência psicológica, abusos patrimoniais, perseguições digitais e feminicídios, o debate sobre proteção, justiça e prevenção tornou-se cada vez mais urgente. É nesse cenário que a delegada Raquel Kobashi Gallinati Lombardi lança o livro "Violência contra a mulher: abordagens jurídicas e institucionais a partir da atuação de mulheres no sistema de justiça’’, uma obra que reúne conhecimento técnico, vivência institucional e um olhar sensível sobre a proteção feminina.
Mais do que uma publicação jurídica, o livro nasce como uma construção coletiva e reúne mais de 30 mulheres atuantes em diferentes frentes do sistema de justiça e proteção social, entre delegadas de polícia, juízas de Direito, psicólogas, advogadas, médicas legistas e peritas criminais de diversas regiões do país.
O protagonismo da delegada, porém, aparece logo no primeiro capítulo. Em "Teoria da compreensão da ação de Von Wright e a violência contra a mulher nos tempos contemporâneos’’, Raquel propõe uma análise que ultrapassa explicações simplistas ou puramente causais sobre a violência de gênero. A partir da teoria filosófica de Georg Henrik Von Wright, ela discute como a violência contra a mulher deve ser compreendida dentro de estruturas sociais, comportamentais e institucionais complexas, abordando desde violência doméstica e moral até crimes patrimoniais, digitais e feminicídio.
A reflexão também reforça o papel da Polícia Judiciária na reconstrução dos fatos e na identificação dos fatores que antecedem crimes extremos, mostrando que o enfrentamento à violência exige não apenas repressão, mas compreensão profunda das dinâmicas que cercam a conduta criminosa.
Passado, presente e futuro da luta feminina
Um dos aspectos mais simbólicos da obra está na união entre passado, presente e futuro da luta feminina. O prefácio foi escrito por Rosemary Corrêa, conhecida nacionalmente como Delegada Rose, ex-deputada estadual e responsável pela criação, em 1985, da primeira Delegacia de Defesa da Mulher do Brasil e, consequentemente, do mundo. Referência histórica na proteção das vítimas de violência de gênero, Rose empresta à obra um peso institucional e simbólico que reforça sua relevância.
E se o prefácio carrega a força de uma pioneira, a capa traduz a esperança das próximas gerações. A ilustração foi criada por Rafaela Borella Lombardi, sobrinha de Raquel Gallinati, uma menina de apenas 10 anos. Apaixonada por livros, histórias e pelo universo da imaginação, Rafaela transformou em arte uma mensagem de acolhimento, proteção, força e empatia. O desenho, escolhido para representar a obra, simboliza a voz e o futuro de meninas que merecem crescer livres de qualquer forma de violência.
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| Rosemary Corrêa | Foto: Divulgação |
Trajetória
A publicação também carrega o reflexo da própria trajetória de Raquel Gallinati. Reconhecida nacionalmente na segurança pública, ela construiu uma carreira marcada pelo combate ao crime, pela defesa das mulheres vítimas de violência e pela ocupação de espaços historicamente dominados por homens.
Foi a primeira mulher eleita presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp), posteriormente assumiu a Diretoria de Relações Sociais da ADEPOL do Brasil e tornou-se Secretária-Geral da Federação Nacional dos Delegados de Polícia do Brasil (Fendepol), ampliando sua representatividade no cenário nacional.
Em 2026, também exerceu mandato como deputada estadual na Assembleia Legislativa de São Paulo, levando ao debate público pautas ligadas à segurança pública, fortalecimento da Polícia Judiciária e proteção das mulheres.
Ao longo dos anos, Raquel Gallinati consolidou-se como uma das vozes mais influentes do país na defesa das vítimas e no fortalecimento das instituições policiais. Sua atuação, no entanto, ultrapassa a esfera institucional. Em diferentes episódios, inclusive fora do exercício formal da função, esteve envolvida em situações de apoio e intervenção em defesa de mulheres em risco.
Em um deles, a delegada estava em uma academia, descaracterizada, quando prendeu em flagrante um homem que perseguia a ex-namorada. O caso foi em Perdizes, na Zona Oeste de São Paulo. A vítima chegou a se trancar no banheiro em pânico. Foi quando Gallinati mobilizou alunos e funcionários para impedir a fuga do suspeito, reforçando um compromisso que, para ela, vai além da profissão.
Nesse sentido, o livro surge também como extensão natural dessa trajetória. Ao reunir mulheres de diferentes áreas e experiências, a obra propõe uma reflexão multidisciplinar sobre violência doméstica, feminicídio, violência digital, medidas protetivas, misoginia institucional e políticas públicas voltadas à proteção feminina.
Mais do que um registro técnico, a publicação se apresenta como ferramenta de debate, produção científica e fortalecimento da rede de proteção às mulheres brasileiras. Em um país onde milhares de vítimas ainda convivem diariamente com diferentes formas de violência, o lançamento da obra representa não apenas uma contribuição acadêmica e institucional, mas também um gesto de escuta, memória, resistência e transformação social.
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| Rafaela Lombardi | Foto: Divulgação |
Serviço:
O lançamento será realizado no dia 26 de junho de 2026, às 18h, na Livraria Plácido, no Conjunto Nacional, em São Paulo.